Este não é um texto de conciliação. É um alerta moral, um registro histórico e um apelo institucional à responsabilidade democrática. A omissão de hoje será o julgamento de amanhã. Guimarães Rosa perguntou: “Se até os animais inspiram ternura, o que aconteceu com os homens?” Hoje, essa pergunta se dirige diretamente a Vossas Excelências — como convocação à consciência e à liderança. O que aconteceu com os representantes eleitos do povo brasileiro? Observa‑se um fenômeno claro e perverso: a dessensibilização coletiva, construída por atos sucessivos de desumanização, normalizados pelo silêncio institucional e pela fragmentação deliberada das resistências. É preciso dizer com clareza: o alvo escolhido é exemplar, tem nome, história e rosto. Já foi Presidente da República. Foi líder por inspiração — não por imposição. O ataque seguiu método conhecido e eficaz: “Ataque o pastor, e as ovelhas se dispersam.” O pastor tem nome: Jair Messias Bolsonaro. A desumanização foi escalonada, testada passo a passo: • Atentado à faca; • Não aceitação do resultado eleitoral; • Perseguição implacável durante todo o mandato; • Tomada do poder por vias não eleitorais; • Censura de suas redes sociais; • Cancelamento pessoal com acusações grotescas (canibalismo, importunação de baleias); • Anos de ameaças reiteradas de prisão; • Prisão domiciliar; • Prisão na Polícia Federal; • Ameaça de transferência para a Papuda; • Sequelas do atentado, agravadas pela idade; • Adoecimento psicológico e neurológico; • Queda na cela; • Negativa de atendimento médico adequado. Cada etapa foi apresentada como “legal”, “necessária” ou “excepcional”. Cada silêncio institucional funcionou como validação tácita para o abuso seguinte. Não se trata mais de divergência ideológica. Trata‑se de humanidade mínima. É fundamental reconhecer: o mesmo método que atinge um líder político atinge também o Parlamento. Senadores e deputados também são vítimas de um sistema que produz medo, exaustão, autocensura e paralisia. Mas cabe ao Congresso Nacional — especialmente à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal — romper esse ciclo. O povo brasileiro dá sinais claros de exaustão, impotência aprendida e anestesia moral. Não porque concorde, mas porque foi abandonado à própria sorte. Em democracias, o povo não se conduz sozinho em momentos de ruptura: precisa ser conduzido por suas instituições. Câmara e Senado não existem apenas para legislar. Existem para liderar, conter abusos e dar direção à sociedade. O episódio recente — queda dentro da cela, sem acesso imediato a atendimento médico — ultrapassa qualquer limite civilizatório. Não reagir a isso não é prudência: é normalização do inaceitável. Este texto não é uma defesa pessoal. É um apelo institucional para que o Congresso assuma sua função histórica de liderança nacional. A História não perguntará quem venceu eleições. Perguntará quem teve coragem de conduzir o povo quando a democracia começou a ser corroída pelo cansaço e pelo medo. Ainda há tempo. Mas o tempo está se esgotando.
Senador Esperidião Amin propõe anistia total a presos do 8 de janeiro após veto de Lula
Em reação direta ao veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Esperidião Amin (PP‑SC) protocolou nesta quinta‑feira (8) um novo projeto de lei que concede anistia total a todos os envolvidos nos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023. Amin foi o relator, no Senado, do chamado PL da Dosimetria, que foi barrado pelo Palácio do Planalto. A proposta vetada havia sido aprovada pelo Congresso com o objetivo de revisar os critérios de dosimetria das penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo a redução das condenações de réus acusados de crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Entre os potenciais beneficiados estava o ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao justificar o veto, Lula afirmou que não sancionaria iniciativas que, segundo ele, relativizam ataques à democracia. Com a nova iniciativa, Esperidião Amin ampliou o alcance da medida. Em vez de apenas revisar penas, o projeto propõe o perdão completo das infrações relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Para o senador, a anistia seria um instrumento de “pacificação institucional”, sob o argumento de que a reação estatal teria ultrapassado limites razoáveis, resultando em punições consideradas desproporcionais. O texto reapresenta, em essência, a concepção original do PL 2.162 de 2023, inicialmente conhecido como PL da Anistia. A proposta foi reformulada na Câmara dos Deputados e passou a ser chamada de PL da Dosimetria após alterações conduzidas pelo então relator Paulinho da Força (Solidariedade‑SP). Apesar do veto do presidente da República, o Congresso Nacional ainda pode analisar a derrubada da decisão presidencial e restabelecer o texto anteriormente aprovado. Paralelamente, o novo projeto apresentado por Amin reacende o debate político e jurídico sobre os desdobramentos do 8 de janeiro e o alcance das punições impostas aos envolvidos. Hoje, dia 8 de janeiro, será um dia de reflexão. Tudo o que aconteceu após esse fatídico dia – há exatos três anos – mudou completamente a história do país. No ano passado, Alexandre de Moraes chegou a ameaçar de prisão quem ousasse comemorar a data.
Advogado de Lulinha pede ao diretor da PF investigação de vazamentos (veja o vídeo)
Durante o evento oficial em memória dos atos de 8 de janeiro, realizado nesta quinta‑feira e conduzido pelo presidente Lula, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), conversou ao pé do ouvido com o diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo informações, o advogado solicitou que Andrei Rodrigues abra um procedimento interno para apurar vazamentos de informações, supostamente praticados por integrantes da PF, sobre investigações que envolvem o filho do presidente. O objetivo do pedido é identificar a origem dos vazamentos dentro da própria instituição. Um absurdo… Nem escondem mais! Hoje, 8 de janeiro, é dia de reflexão. O que ocorreu após aquele fatídico dia, há três anos, mudou a história do país. No ano passado, o ministro Alexandre de Moraes chegou a ameaçar de prisão quem ousasse comemorar a data.
AO VIVO: Advogados exigem prisão de Moraes após acusação de tortura (VEJA O VÍDEO)
Advogados protocolaram representação à Procuradoria‑Geral da República pedindo a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sob acusação de tortura contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro. O pedido ganhou força depois que Bolsonaro sofreu uma queda misteriosa em sua cela na Superintendência da Polícia Federal. Em resposta, Moraes declarou nula a sindicância aberta pelo Conselho Federal de Medicina para investigar o atendimento médico prestado a Bolsonaro. Enquanto isso, o presidente Lula vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria, que pretendia reduzir as penas de condenados pelos atos relacionados ao 8 de janeiro e à suposta trama golpista. Para debater esses temas com profundidade e análises exclusivas, o Jornal do JCO recebeu o deputado federal José Medeiros, o advogado Claudio Caivano, o jornalista Glauco Fonseca e o analista político Victor Mota. Assista, compartilhe e apoie o trabalho do Jornal da Cidade Online! A Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) manifestou repulsa à censura feita por Alexandre de Moraes ao livro “Diário da cadeia”. O ministro alegou que a obra induz o público ao erro ao criar a falsa impressão de que Eduardo Cunha seria o autor, mas a censura permanece há quase um ano. Outros livros podem estar na mira da censura. Dois exemplos claros são “Perdeu, Mané” e “Supremo Silêncio”, que tratam da censura e de acontecimentos incomuns dentro do STF.
8 DE JANEIRO: O DIA DA PERFÍDIA NO BRASIL
Mesmo nos cenários mais extremos de conflito armado, a civilização impõe limites à barbárie. As Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais foram criados exatamente para impedir a traição, o engano vil e a instrumentalização da boa‑fé do adversário. Entre as vedações está a “perfídia”, prática tão grave que é proibida até mesmo em combate. De acordo com o Dicionário Michaelis, perfídia é a ação desleal, falsa, traiçoeira. No Direito Internacional Humanitário, o conceito ganha contornos ainda mais precisos: trata‑se de enganar alguém apelando à sua boa‑fé, fazendo‑o acreditar que está sob proteção para então capturá‑lo, feri‑lo ou puni‑lo. O artigo 37 do Protocolo I das Convenções de Genebra proíbe explicitamente essa conduta, por violar os princípios mais elementares da dignidade humana. É à luz desse conceito que o dia 8 de janeiro de 2023 deve ser registrado na história brasileira como o “Dia da Perfídia”. Após os lamentáveis atos de vandalismo ocorridos em Brasília – que devem, sem exceção, ser investigados e punidos nos termos da lei – instaurou‑se um processo de repressão generalizada, cega e desproporcional. Homens e mulheres que não participaram da depredação, famílias inteiras, idosos e crianças foram detidos em massa. Anônimos foram lançados ao cárcere como se fossem inimigos. Na noite do dia 8, pessoas acampadas em frente ao QG do Exército, muitas delas sem qualquer envolvimento nas manifestações, foram cercadas e, na manhã seguinte, orientadas por militares a entrar em ônibus sob a promessa de proteção e segurança. Esses fatos configuram exatamente o que o direito da guerra condena como perfídia: a traição da confiança e o uso da boa‑fé como armadilha. O que se seguiu foi ainda mais grave: prisões preventivas indefinidas, acusações genéricas de tentativa de golpe sem individualização de condutas, o episódio grotesco do “batom na estátua” elevado à condição de crime contra a democracia, e a morte de “Clezão”, símbolo trágico de um sistema que perdeu a medida da justiça. Soma‑se a isso a prisão de Jair Bolsonaro e de tantos outros brasileiros, que se tornaram, de fato, presos políticos. Nada disso se deu contra inimigos estrangeiros ou combatentes armados. O Estado voltou‑se contra o próprio povo. Pais, mães e trabalhadores comuns passaram a ser tratados como terroristas, em um processo que ignorou o devido processo legal, a proporcionalidade e a presunção de inocência. O 8 de janeiro não deve ser lembrado apenas pelos atos de vandalismo, mas sobretudo pelo que veio depois: a institucionalização da perfídia, a banalização da injustiça e o uso do poder estatal para esmagar cidadãos indefesos. Registrar esse dia como o “Dia da Perfídia” não é retórica; é um dever histórico, para que não se normalize o inaceitável e para que não se esqueça que houve um momento em que o Brasil violou princípios que nem a guerra ousa violar. Que a verdade prevaleça. Que a justiça, um dia, alcance todos os que foram traídos em sua boa‑fé.
Lula veta a Lei da Dosimetria e acaba com a esperança de redução de penas para presos políticos no 8 de janeiro
Lula, do PT, vetou integralmente, nesta quinta‑feira, 8 de janeiro, o Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso e que previa a redução das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A medida atinge diretamente beneficiários como o ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL). O anúncio do veto foi feito durante a cerimônia que marcou os três anos dos atos. O Projeto de Lei da Dosimetria propunha mudanças no cálculo das condenações por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Entre os pontos principais, previa o fim da soma das penas quando o réu fosse condenado por mais de um crime, mantendo apenas a pena mais grave. Além disso, o texto permitia a redução de até dois terços da pena nos casos ocorridos em contexto de multidão, desde que o condenado não fosse líder nem financiador das ações. Hoje, 8 de janeiro, é dia de reflexão. O que ocorreu há três anos mudou a história do país. No ano passado, o ministro Alexandre de Moraes chegou a ameaçar de prisão quem ousasse comemorar a data.
Filha de Olavo de Carvalho é encontrada morta dentro de sua casa
Heloísa de Carvalho, filha do escritor Olavo de Carvalho (1947-2022), morreu na noite de quarta‑feira, 7 de setembro, em Atibaia, interior de São Paulo. Conforme o boletim de ocorrência, o corpo foi localizado por um amigo. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada pelas autoridades. O irmão Davi de Carvalho comentou o fato nas redes sociais, fazendo um apelo público por orações. “Pode parecer meio contraditório, considerando todas as desavenças que haviam entre ela, os irmãos e os pais, mas eu gostaria de pedir a vocês que, quem puder, faça uma oração por sua alma”, escreveu. Filha mais velha do filósofo conservador, Heloísa tornou‑se conhecida não apenas pelo vínculo familiar, mas também pelas divergências profundas e públicas que manteve com o pai ao longo dos anos. O relacionamento entre eles estava rompido há muito tempo, marcado por trocas de acusações e disputas judiciais. No campo político, as diferenças eram igualmente explícitas. Heloísa chegou a filiar‑se ao PT, posicionamento que a colocou no centro de críticas duras feitas por Olavo de Carvalho nas redes sociais. Em 2021, ela declarou estar “disposta a trabalhar 24 horas por dia para a eleição do Lula”, frase que reforçou o distanciamento ideológico entre pai e filha e ampliou a repercussão do conflito familiar.
Detenção de Maduro no MDC é lição ao ditador
O ex‑ditador venezuelano Nicolás Maduro está detido em um dos presídios federais mais criticados dos Estados Unidos. Ele se encontra no Metropolitan Detention Center (MDC), em Manhattan, unidade que costuma receber réus de casos de grande repercussão judicial. O MDC funciona como centro de detenção provisória para acusados que aguardam julgamento na Justiça federal. O local já abrigou figuras envolvidas em escândalos de alta visibilidade, como o rapper Sean “Diddy” Combs e o ex‑magnata das criptomoedas Sam Bankman‑Fried. Dados oficiais indicam que a unidade comporta mais de 1,3 mil detentos. Apesar da capacidade, o presídio é alvo de críticas recorrentes. Presos e veículos da imprensa americana denunciam violência interna, falta de funcionários, tráfico de drogas e más condições de higiene. Reportagem do New York Post citou episódios de comida contaminada com vermes, presença de ratos e apagões prolongados. Será uma lição ao ditador!
Lula, isolado e impopular, veta o PL da Dosimetria e acumula mais um erro
Lula vetou integralmente nesta quinta‑feira (8), o Projeto de Lei da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. O veto, já considerado certo desde a aprovação do texto no Congresso, foi anunciado por Lula justamente durante o evento que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023. O PL da Dosimetria, que beneficia o ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL), foi aprovado no Congresso no final de dezembro, pouco antes do recesso legislativo. O gesto do presidente é interpretado como mais um ponto de atrito entre o Planalto e o Congresso, num momento em que o governo buscava estreitar relações com parlamentares. Alguns aliados chegaram a aconselhar Lula a adiar o veto, preservando uma “agenda positiva” nesta quinta‑feira. Nem Hugo Motta (Republicanos‑PB), presidente da Câmara, nem Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), presidente do Senado, compareceram ao evento. O presidente do STF, Edson Fachin, também esteve ausente. A oposição já se mobiliza para tentar derrubar o veto quando o Congresso retomar as atividades, no início de fevereiro.
Lewandowski entrega carta e oficializa demissão
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, publicou sua carta de demissão na segunda‑feira (5) no sistema SEI, o portal interno do governo. Ele deixará o cargo na próxima sexta‑feira (9), conforme havia sido antecipado pelo JCO em dezembro do ano passado. Embora a abertura da carta estivesse marcada como sigilosa para hoje, Lewandowski entregou pessoalmente a Lula o envelope contendo agradecimentos e as razões da saída. Com a partida, sai também o núcleo duro do ministério, cuja atuação foi considerada medíocre. A decisão reacende o debate sobre a possível divisão da pasta em dois ministérios: Segurança Pública e Justiça. Advogados têm denunciado a prática de “tortura” e exigem a prisão do secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes. A demissão da secretária de Direitos Humanos, Vera Magalhães, já foi confirmada e explicada por dirigente da TV Cultura. A ausência de apoio ao presidente nas manifestações de 8 de janeiro tem sido destacada como sinal de isolamento de Lula.