O Banco Central assumiu uma posição firme ao decretar a liquidação judicial da REAG, gestora citada no caso do Banco Master. Em paralelo, o país ficou estupefato ao saber que, em abril, um resort associado à família do ministro Toffoli foi adquirido por um advogado com vínculos à J&F, em operação realizada por um fundo administrado pela própria REAG. O jurista André Marsiglia apresenta duas leituras sobre esses acontecimentos: 1) O Banco Central ainda parece respirar algum grau de independência. 2) A permanência de Toffoli à frente do caso Master representa uma vergonha e uma desmoralização para o Judiciário brasileiro.
Meloni rejeita Lula e assina acordo comercial com presidente do Paraguai
A União Europeia e o Mercosul assinaram neste sábado (17) em Assunção, Paraguai, o acordo de livre comércio entre os dois blocos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, participaram da cerimônia, que ocorreu depois que a primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, liberou o tratado em janeiro, revertendo a decisão de bloqueá‑lo em dezembro passado. Von der Leyen esteve na sexta‑feira (16) no Rio de Janeiro para se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente brasileiro, porém, não compareceu à cerimônia em Assunção, ao contrário dos demais líderes do Mercosul. Em novembro de 2025, Lula havia afirmado que o acordo seria concluído antes do final daquele ano, durante a presidência brasileira do bloco sul‑americano. A cúpula do Mercosul estava prevista para 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, onde o Brasil seria anfitrião. O plano original foi interrompido quando Meloni considerou “prematuro” assinar o acordo naquele momento, exigindo mais proteções para os agricultores europeus. Na cúpula de Foz do Iguaçu, o presidente argentino Javier Milei criticou a chamada “lentidão” do Mercosul. No início de janeiro, a União Europeia propôs antecipar o acesso a fundos agrícolas a partir de 2028. Essa concessão foi suficiente para que Meloni mudasse de posição apenas 23 dias depois de ter bloqueado o tratado. O equilíbrio entre países favoráveis e contrários ao acordo dentro da UE tornava a posição italiana decisiva. A reversão de Meloni transferiu o protagonismo da assinatura para o Paraguai, que detém a presidência rotativa do Mercosul sob a liderança de Santiago Peña. Durante a cúpula de dezembro, em Foz do Iguaçu, Peña comparou o Mercosul a “noivo esperando a noiva no altar”. Agora, ele será o anfitrião da cerimônia que oficializa o acordo. A reviravolta também beneficia Milei, que mantém proximidade com a primeira‑ministra italiana. O presidente argentino é opositor político de Lula no cenário regional. Meloni demonstrou sua influência no contexto europeu ao conseguir tanto bloquear quanto viabilizar o acordo. Sua posição de liderança se fortalece enquanto outros dirigentes tradicionais enfrentam dificuldades políticas. O presidente francês Emmanuel Macron está politicamente enfraquecido a pouco mais de um ano do fim de seu segundo mandato. O chanceler alemão Friedrich Merz, embora à frente de uma potência econômica, está no cargo há apenas oito meses e conta com apoio limitado no parlamento.