Nikolas Ferreira (PL‑MG) lidera uma caminhada histórica de Paracatu até Brasília – mais de 240 km a pé – protestando contra as prisões de Bolsonaro e dos manifestadores do 8 de janeiro. Deputados de vários estados já aderiram à marcha pela liberdade e justiça. Enquanto isso, escândalo no STF: fundo ligado à família de Dias Toffoli encerrou atividades e transferiu R$ 33 milhões em cotas para offshore em paraíso fiscal.
Fundo da família Toffoli transfere R$ 33,9 milhões para offshore nas Ilhas Virgens Britânicas
A Arleen Fundo de Investimentos enviou a totalidade de seus ativos para a Egide I Holding, empresa offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. A operação ocorreu em dezembro de 2025, após as cotas do fundo registrarem valorização de quase 45 000 % em apenas um mês. O fundo havia adquirido, anteriormente, ações do resort Tayayá, empreendimento pertencente aos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. A liquidação da Arleen foi feita em duas fases. Em assembleia realizada em 5 de novembro de 2025, os gestores definiram a primeira transferência de ativos para a Egide I Holding, avaliando as cotas em R$ 1,51 cada, o que totalizou R$ 11,5 milhões. Um mês depois, em 4 de dezembro, a avaliação unitária das mesmas cotas subiu para R$ 679,13. Com esse novo preço, o valor transferido para a offshore alcançou R$ 33,9 milhões. Registros do portal i‑BVI, que mantém o cadastro de empresas nas Ilhas Virgens Britânicas, indicam que a Egide I Holding foi constituída em março de 2025. O primeiro documento que relaciona as duas entidades mostra que a Arleen comprou ações da própria offshore por R$ 11,5 milhões, ainda que o valor de mercado desses ativos fosse estimado em apenas R$ 1,9 milhão. Na quinta‑feira, 15, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Investimentos, administradora da Arleen. A empresa está sob investigação por possível participação em esquemas financeiros irregulares em conjunto com o Banco Master. A Arleen iniciou suas atividades em junho de 2021. Seu primeiro investimento consistiu na aquisição de 65 850 ações da Tayayá Administração e Participações Ltda. Seis meses antes dessa compra, os irmãos de Dias Toffoli haviam adquirido 33 % do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. O empresário Fabiano Zettel, cunhado do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, detém fundos que compraram participação no Tayayá, conforme apurou o jornal O Estado de S. Paulo. Zettel afirmou à imprensa que deixou o fundo em 2022. A rápida valorização observada neste caso apresenta semelhanças com práticas identificadas pela Polícia Federal na investigação de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Investigadores analisam se fundos ligados a Daniel Vorcaro adquiriam ativos de baixa qualidade para depois vendê‑los a preços artificialmente inflacionados. A investigação da Polícia Federal, baseada em informações do Banco Central, indica que o Banco Master criou uma estrutura que utilizava fundos da Reag para comprar ativos de baixa qualidade e simular valorização rápida dos investimentos do grupo. Dias Toffoli é o relator do caso Banco Master no STF. O ministro reduziu recentemente o prazo para que a Polícia Federal colha depoimentos dos investigados, de seis para dois dias.
Morte de músico, antes considerada suicídio, vira homicídio: amigo suspeito é preso
Rudson França foi preso pela Polícia Civil de Alagoas (PC‑AL) como principal suspeito da morte do músico Abdon de Paula Gomes Neto, de 41 anos, que morreu após cair do segundo andar de seu apartamento no bairro da Jatiúca, em Maceió. O fato ocorreu no sábado (17) e foi inicialmente tratado como suicídio, mas a investigação passou a apontar outra hipótese. A PC‑AL constatou que Rudson, também músico e amigo da vítima, foi a última pessoa a permanecer com Abdon no apartamento antes da queda. Os dois teriam se desentendido por ciúmes, quando Abdon se incomodou ao ver a cunhada de Rudson no quarto. A discussão teria evoluído para troca de ofensas verbais e arremesso de objetos dentro do imóvel. As mulheres e crianças presentes deixaram o apartamento, ficando apenas os dois homens. Moradores do prédio relataram que ouviram sons de luta corporal vindos do apartamento, seguidos por um forte estrondo quando o corpo do músico atingiu o saguão do edifício. As imagens das câmeras de segurança do prédio mostraram Rudson no elevador alguns instantes após a queda de Abdon. O suspeito saiu do local sem prestar socorro. Em depoimento às autoridades, Rudson negou participação no crime. Alegou que Abdon teria tido um “surto psicótico” depois de combinar álcool com medicamentos, o que o teria levado a se jogar do segundo andar. Disse ainda que entrou em estado de choque ao presenciar a queda e que foi um vizinho quem acionou o socorro. A versão de Rudson não convenceu os investigadores. Ele foi autuado por homicídio qualificado e, na tarde de segunda‑feira (19), a Justiça de Alagoas decretou sua prisão preventiva. O histórico criminal de Rudson França inclui antecedentes por lesão corporal em contexto de violência doméstica, além de registros por dano e violência no domicílio, circunstâncias que influenciaram a decisão judicial. A Polícia Civil de Alagoas segue investigando para esclarecer todos os detalhes da morte de Abdon de Paula Gomes Neto.
Senador declara que a propriedade é de Dias Toffoli e denuncia negócios ocultos em Brasília
A situação envolvendo o ministro Dias Toffoli tem gerado intenso debate nas circulações de Brasília. O senador Alessandro Vieira fez a seguinte declaração: “O ministro não é burro. Sabe o que está fazendo. Já existe a informação de que Vorcaro, por meio de um fundo paralelo, está comprando propriedades ligadas à família do ministro Dias Toffoli. O que se comenta em Brasília é que as propriedades são do próprio Dias Toffoli. Essa transação, esses contratos de gaveta do escritório de advocacia, têm que vir à tona. O Brasil nunca será uma democracia de verdade enquanto não passar a limpo a justiça brasileira.” Veja o vídeo:
Toffoli cria “briga” com a Polícia Federal e vê sua maior crise
Delegados da Polícia Federal manifestaram forte preocupação com a condução do inquérito que apura o chamado caso Master. Em nota divulgada neste sábado (17), a categoria classificou o andamento da investigação como “manifestamente atípico”, apontando indícios de que prerrogativas da autoridade policial estariam sendo indevidamente mitigadas. A investigação tramita sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal, e, segundo os delegados, o contexto atual causa “legítima perplexidade institucional”. A manifestação é assinada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que afirma esperar o restabelecimento de uma atuação institucional harmônica, cooperativa e estritamente balizada pelo ordenamento jurídico. Embora o texto não cite Toffoli nominalmente, há referências diretas a decisões do magistrado. Os delegados destacam que, no curso da investigação, foram determinadas acareações e impostos prazos exíguos para buscas, apreensões e inquirições, procedimentos que, segundo a categoria, ocorreram à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial. Em dezembro, Toffoli chegou a marcar uma acareação envolvendo o Banco Central, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa, ex‑presidente do BRB. Ao final, o representante do Banco Central foi dispensado do procedimento. A nota menciona ainda decisões sobre o encaminhamento de materiais apreendidos a outros órgãos e a escolha nominal de peritos para a realização de exames, prática que, segundo a associação, não ocorre nem mesmo no âmbito interno da corporação, onde as designações seguem critérios técnicos e impessoais. O texto relembra que houve mudanças sucessivas nas determinações: inicialmente, o envio dos materiais ao STF; depois, a remessa à Procuradoria‑Geral da República; e, por fim, a definição de peritos específicos para análise. Para os delegados, o cenário configura “afronta às prerrogativas legalmente conferidas” à classe para a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação criminal. A nota ressalta que ao STF compete o exercício da jurisdição constitucional, enquanto a condução da investigação criminal cabe à Polícia Federal, cujas apurações, segundo a entidade, são fundamentadas em protocolos técnicos consagrados.
Audiência italiana adia mais uma vez decisão sobre extradição de Carla Zambelli
A Corte de Apelação de Roma, em audiência realizada nesta terça‑feira (20), decidiu adiar novamente a decisão sobre a extradição da ex‑deputada federal Carla Zambelli. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva havia afirmado que a extradição seria concedida, mas a corte parece reconhecer que Zambelli é alvo de perseguição política. Uma nova audiência está marcada para fevereiro.
Técnico de enfermagem de 24 anos protagoniza matança em série no Hospital Anchieta, em Brasília
Marcos Vinícius Silva Barbosa, técnico de enfermagem de 24 anos, prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal sobre as mortes de três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A informação foi confirmada nesta terça‑feira (20) após investigações iniciadas por denúncia da própria instituição de saúde. Preso durante a Operação Anúbis, Silva Barbosa negou inicialmente qualquer irregularidade. Quando confrontado com as gravações das câmeras de segurança, o técnico admitiu os atos. Em seu depoimento, o técnico apresentou justificativas. Primeiro, alegou ter agido para “aliviar o sofrimento das vítimas”. Em outro momento, afirmou que o hospital “estava tumultuado” e que agiu “por estar nervoso”. Ao assistir às imagens que o mostravam administrando as substâncias, respondeu apenas que “parece que fiz isso mesmo”. As investigações da PCDF apontam que o técnico, em alguns casos com auxílio de duas colegas de profissão – Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos – injetou medicamentos não prescritos nos pacientes. As vítimas foram João Clemente Pereira, servidor da Caesb, 63 anos; Marcos Moreira, funcionário dos Correios, 33 anos; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, 75 anos. No caso da professora, os investigadores descobriram que o técnico aplicou mais de dez seringas contendo desinfetante em seu organismo. As gravações de segurança registraram Silva Barbosa prescrevendo receitas, buscando medicamentos e preparando‑s os para aplicação. Segundo a investigação, após receber a substância, os pacientes sofreram parada cardíaca quase imediatamente. Para encobrir a prática, o técnico realizava manobras de reanimação enquanto as colegas observavam à distância. A Polícia Civil apreendeu os celulares dos suspeitos, que estão sendo analisados pelo Instituto de Criminalística. O Hospital Anchieta identificou as evidências que levaram à descoberta dos crimes. Em comunicado oficial, a instituição afirmou que “instaurou investigação por iniciativa própria”. Após a apuração interna, o hospital solicitou a abertura de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, inclusive a prisão preventiva dos envolvidos, já desligados da instituição. Em nota, o Hospital Anchieta manifestou solidariedade às famílias: “O hospital, enquanto também vítima da ação destes ex‑funcionários, solidariza‑se com os familiares das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”.
Fachin retorna a Brasília antes do previsto após pedido de suspeição contra Toffoli na PGR
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), antecipou seu retorno a Brasília no início desta semana para acompanhar os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master. Nesta terça‑feira (20), o presidente da Corte já realizou diálogos com outros ministros para discutir o andamento do caso. Alexandre de Moraes, vice‑presidente do STF, está responsável pelo plantão judiciário desde 12 de janeiro. Ele assumiu a função após o período em que Fachin coordenou o plantão, entre o final de dezembro e os primeiros dias de janeiro de 2026. Apesar de estar na capital federal, o presidente do STF permanece oficialmente em período de férias. O recesso do Judiciário continua até o final de janeiro, com a retomada completa das atividades do Supremo marcada para 2 de fevereiro. A condução das investigações sobre o Banco Master pelo ministro Dias Toffoli tem causado desconforto entre integrantes do STF. A situação gera preocupações sobre possíveis consequências institucionais do caso. Em conversas reservadas, ministros da Corte consideram que algumas decisões tomadas no âmbito do inquérito extrapolaram os padrões habituais de atuação do tribunal. Essas medidas teriam intensificado as tensões com outras instituições participantes das investigações, principalmente com a Polícia Federal. O senador Eduardo Girão, do partido Novo do Ceará, enviou uma representação ao procurador‑geral da República, Paulo Gonet, no começo desta semana. O documento pede que a Procuradoria‑Geral da República analise potenciais conflitos de interesse e eventual suspeição do ministro Toffoli para continuar conduzindo as investigações relacionadas ao caso Master.
Moraes autoriza encontro entre Tarcísio e Bolsonaro e alimenta especulações
No exercício do papel de “carcereiro”, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) a visitar o ex‑presidente Jair Bolsonaro na quinta‑feira, 22 de novembro. A última visita do governador paulista a Bolsonaro ocorreu em setembro do ano passado, quando o ex‑presidente ainda estava em prisão domiciliar cautelar imposta pelo Supremo. Na ocasião, Tarcísio descartou lançar‑se à Presidência em 2026 e defendeu anistia ampla a Bolsonaro e aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em dezembro, Bolsonaro apontou um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), como candidato à Presidência da República neste ano, o que, em tese, deixaria Tarcísio como possível candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Há, no entanto, articulações nos bastidores visando colocar o governador de São Paulo na corrida presidencial, especialmente entre os partidos do Centrão. Na mesma decisão, Moraes também autorizou as visitas do pecuarista e vice‑presidente do PL de Rondônia, Bruno Scheid, e de um dos irmãos da ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro, Diego Torres Dourado.
TJSE obriga compadres a dividir R$45 mil da Mega da Virada
Um desentendimento que começou entre dois amigos acabou nos tribunais. José Gecivaldo de Jesus, ajudante de pedreiro, e Gutemberg Oliveira, vigilante, disputam a divisão de R$ 45,4 mil referentes à quina da Mega da Virada. O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) decidiu, em caráter provisório, que o valor deve ser repartido em partes iguais. A decisão favoreceu José Gecivaldo, que venceu a ação julgada em dezembro do ano passado. Assim, Gutemberg foi condenado a pagar a metade do prêmio, ou seja, R$ 22,7 mil, acrescidos de juros e correção monetária. Os fatos se iniciaram na manhã de 29 de dezembro de 2022. Segundo a petição, José e Gutemberg combinaram ir juntos a uma lotérica municipal para escolher os números da Mega da Virada. Foram realizados três jogos simples, com seis dezenas cada, ao custo total de R$ 13,50. Por confiar no compadre e precisar viajar a trabalho no dia seguinte, José deixou o bilhete sob a guarda de Gutemberg. Quando o sorteio ocorreu, ambos perceberam que uma das apostas havia acertado a quina. O impasse começou quando Gutemberg retirou o prêmio sozinho na Caixa Econômica Federal e se recusou a dividir o valor. José afirma que todas as tentativas de solução amigável fracassaram. Em gravação telefônica anexada ao processo, ele ouviu que o dinheiro seria usado para a compra de uma casa. Sem acordo, José recorreu à Justiça em janeiro de 2023. Uma audiência de conciliação foi marcada para abril daquele ano, mas terminou sem consenso. “Ardilosamente, o autor desvirtuou os fatos, em claro intento de prejudicar o requerido [Gutemberg]”, afirmou a defesa nos autos. A defesa sustenta que a aposta teria sido feita de forma casual, durante uma ida à lotérica para receber salário. Segundo a versão apresentada, Gutemberg realizou três apostas distintas, em talões diferentes, e José teria participado apenas da terceira. O vigilante teria solicitado ajuda para completar o jogo: “Boy, complete aí, no terceiro talão, três números”. Além disso, a defesa alega que José teria levado dinheiro emprestado para pagar a aposta em Frei Paulo, a 76,2 km de Aracaju, e se recusado a devolver o troco, dizendo: “Deixe, eu tenho miúdo aqui no bolso”. Para Gutemberg, o prêmio vencedor teria origem em uma aposta exclusivamente sua, a segunda registrada, e não na que contou com a participação de José. Ele também afirma que José pediu valores de R$ 5 mil, depois R$ 2 mil e R$ 1 mil como doações, e não como parte do prêmio. Essa interpretação, segundo a defesa, está clara no áudio apresentado como prova. “O acerto na quina se deu na segunda aposta, em que o autor não teve qualquer participação. Fato é: com o acerto do requerido, o autor desejou se investir num suposto direito de ter pra (sic) si metade do prêmio, quando, conforme narrativa retro, nada justifica tal ideia”, declarou o advogado. Gutemberg chegou a mencionar que poderia ajudar o compadre com pequenas quantias caso encontrasse um imóvel barato. O valor citado, R$ 36 mil, correspondia a mais de 79 % do prêmio total, o que, segundo a defesa, indicaria que qualquer repasse seria mera liberalidade, não divisão igualitária. Os advogados de José sustentam que o acordo sempre foi claro: todas as apostas do bilhete pertenciam aos dois, devendo o eventual prêmio ser dividido em partes iguais. “Os argumentos empreendidos em contestação, tendentes a ludibriar este juízo, no que diz respeito a três talões de aposta, e (sic) que o autor teria participação apenas da terceira aposta, não condiz com a realidade”, afirmou a defesa, acrescentando que as filmagens da lotérica comprovariam a existência de um único talão com três jogos feitos em conjunto. Para reforçar sua tese, José requereu que a Justiça requisitasse as imagens das câmeras de segurança da lotérica e ouvisse testemunhas. Inicialmente, o TJSE negou o pedido, alegando improbabilidade de que as gravações ainda existissem após oito meses e destacando que, sem áudio, elas não comprovariam um acordo verbal. Após recurso e a informação de que a lotérica havia sido solicitada a preservar os arquivos, o tribunal determinou, em novembro de 2023, a juntada dos vídeos ao processo. Cada parte interpretou as imagens de forma distinta. José afirma que os vídeos mostram ambos escolhendo os números, contribuindo financeiramente e permanecendo juntos durante todo o procedimento. Gutemberg, por sua vez, sustenta que as gravações confirmam ser ele o único proprietário da aposta premiada. Sem consenso, o TJSE promoveu nova audiência de conciliação em maio do ano passado, novamente sem sucesso. Duas testemunhas indicadas por José depuseram que os compadres comentavam, entusiasmados, que haviam apostado juntos e que o combinado era “rachar”. Na sentença, o juiz Camilo Chianca de Oliveira Azevedo deu peso às filmagens e aos depoimentos, concluindo que as provas desmontaram a versão apresentada pelo vigilante. Para o magistrado, ficou caracterizada uma aposta conjunta, realizada em um único bilhete e paga por ambos. “Juridicamente, quando duas pessoas se unem para realizar uma aposta única, em um mesmo bilhete, contribuindo ambas para o pagamento, presume‑se a existência de uma sociedade de fato (art. 981 do CC), em que os lucros e perdas são partilhados. Caberia ao réu provar fato impeditivo do direito do autor (art. 373, II, do CPC), ou seja, provar inequivocamente que houve o ajuste prévio de segregação dos jogos dentro do mesmo bilhete, ônus do qual não se desincumbiu”, registrou o juiz. Apesar da decisão, o caso ainda pode ter novos desdobramentos. Como a sentença não transitou em julgado, Gutemberg pode recorrer. Até a publicação, nem os compadres nem suas defesas se manifestaram. A advogada do vigilante não informou se pretende interpor recurso. No mesmo ano, a Mega da Virada bateu recorde histórico, com prêmio total superior a R$ 541,9 milhões. Cinco apostas acertaram as seis dezenas, levando R$ 108,3 milhões cada, e mais de 2,4 mil apostas acertaram a quina, entre elas a que originou a disputa entre José e Gutemberg.