Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou apoio à decisão da Procuradoria‑Geral da República (PGR) que arquivou o pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master. A declaração, feita em publicação nas redes sociais, recebeu contestação de usuários da plataforma X, que acrescentaram críticas ao posicionamento do magistrado. Em postagem divulgada nesta quinta‑feira (22), Gilmar afirmou que o arquivamento do pedido “evidencia o funcionamento regular das instituições da República”. Para ele, “em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições”. O ministro acrescentou ainda que “decisões fundadas em critérios jurídicos objetivos, afastadas de pressões circunstanciais, fortalecem a segurança jurídica e reafirmam a maturidade institucional do sistema constitucional brasileiro”. A representação arquivada tratava de um pedido de suspeição de Toffoli, apresentado por parlamentares, com base na participação do ministro em uma viagem de jatinho ao lado de um advogado ligado a executivos do Banco Master. Ao analisar o caso, o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, concluiu que não havia providências a serem adotadas. “O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o STF, com atuação regular da PGR”, afirmou.
Tarcísio pressiona Moraes e adia encontro com Bolsonaro
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entrou em contato direto com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para informar que precisaria adiar a visita ao ex‑presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso na Papudinha, em Brasília. A conversa ocorreu na terça‑feira (20). Na ocasião, Tarcísio explicou a Moraes que não conseguiria viajar à capital federal na quinta‑feira (22), data previamente autorizada pelo ministro para o encontro com Bolsonaro. O governador justificou o adiamento com compromissos pessoais em São Paulo. Nos bastidores, aliados apontam outro motivo para a mudança de planos. O cancelamento teria sido provocado por incômodo causado por declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ). Na tarde do mesmo dia, Flávio afirmou publicamente que Tarcísio ouviria diretamente de Bolsonaro, durante a visita, que a reeleição ao governo paulista seria essencial para a estratégia nacional do bolsonarismo no enfrentamento ao PT. Interlocutores relatam que o governador preferiu evitar a exposição política gerada pela fala do senador. Ainda assim, fez questão de comunicar pessoalmente Alexandre de Moraes, gesto interpretado como sinal de deferência institucional ao ministro do STF. Após a ligação, Moraes aceitou o pedido e remarcou a visita de Tarcísio a Bolsonaro para a quinta‑feira seguinte, dia 29 de janeiro.
Razor Computadores, gigante do RS, fecha as portas e promove demissão em massa
A startup Razor Computadores, sediada em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, encerrou oficialmente suas atividades após enfrentar uma combinação de dificuldades financeiras, processos judiciais e incapacidade de cumprir entregas. A decisão foi comunicada a investidores e confirmada por ex‑funcionários, depois de uma reunião virtual realizada em 12 de janeiro com cerca de 30 colaboradores. Com atuação em todo o Brasil e foco na produção de computadores de alta performance, a empresa informou que tentou alternativas para reverter a situação, como a busca por novos investidores, operações de buyout e até a possibilidade de recuperação judicial. Nenhuma das opções se mostrou viável diante do cenário de endividamento crescente e da falta de capital externo. Em comunicado enviado a uma plataforma que intermedia empresas e investidores, a Razor atribuiu o fechamento ao acúmulo de passivos, às execuções judiciais, às ameaças constantes de interrupção de serviços por credores operacionais e à impossibilidade de obter novos recursos. A empresa afirmou que priorizou o pagamento dos funcionários enquanto ainda havia condições mínimas para isso, como forma de garantir dignidade no encerramento das atividades.
Depois da nota de Fachin, o caos interno no STF se mostra lamentável
A manifestação pública do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em defesa do ministro Dias Toffoli, não foi suficiente para dissipar o mal‑estar interno provocado pelo caso Master. Nos bastidores da Corte, a avaliação predominante é de que o posicionamento cumpriu uma função imediata de contenção institucional, mas deixou em aberto tensões que continuam a incomodar parte dos magistrados. Segundo relatos feitos de forma reservada, o incômodo maior decorre da exposição constante do STF na imprensa, que segue acompanhando de perto os desdobramentos de um processo considerado longo e complexo. Para os magistrados, a continuidade da cobertura midiática tende a manter o tribunal sob pressão permanente, independentemente da nota divulgada pela Presidência. Ainda conforme essa avaliação interna, há poucas alternativas capazes de reduzir os holofotes sobre a Corte. Entre as hipóteses levantadas estão a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso – cenário considerado pouco provável – ou o envio da ação para a primeira instância, medida que também encontra resistência. Outro integrante do STF destacou que, antes da divulgação do texto, houve “forte cobrança interna” para que Fachin apresentasse uma manifestação que transmitisse uma imagem de unidade do tribunal. A leitura de parte dos ministros é de que a carta buscou esse objetivo, ainda que não tenha conseguido encerrar o debate nos corredores da Corte. A seguir, a íntegra da nota divulgada pelo presidente do STF: Nota da PresidênciaAdversidades não suspendem o Direito. É precisamente nos momentos de tribulações que o império da legalidade, discernimento e serenidade demonstra sua razão de ser. É com os olhos voltados para esse dever que miro fatos presentes. As situações com impactos diretos sobre o sistema financeiro nacional exigem resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições competentes. A Constituição da República atribui ao Banco Central do Brasil o dever jurídico de assegurar a estabilidade do sistema financeiro, a continuidade das operações bancárias essenciais, a proteção dos depositantes e a prevenção de riscos sistêmicos. Tais competências, de natureza técnica e indelegável, devem ser exercidas com plena autonomia e sem ingerências indevidas. A atuação da Polícia Federal é igualmente indispensável, sobretudo na apuração de eventuais práticas criminosas de gestão temerária, fraude financeira, manipulação de informações, lavagem de dinheiro e outros ilícitos previstos na legislação penal e financeira. Cabe à Procuradoria‑Geral da República, no âmbito de suas atribuições constitucionais, promover a persecução penal e controlar a legalidade das investigações. O Ministério Público, como instituição permanente, exerce papel fundamental na tutela da ordem econômica e do regime jurídico de defesa dos consumidores. A Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório e pela ampla defesa, respeitando os campos de atribuição do Ministério Público e da Polícia Federal, mas atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito desta Suprema Corte pelo ministro relator, Dias Toffoli. No tocante ao Supremo Tribunal Federal, registro que o Tribunal Pleno se encontra atualmente em recesso. Nesse período, matérias urgentes são apreciadas pela Presidência ou pelo relator, nos termos regimentais. Encontra‑se regularmente no exercício da Presidência o ministro Alexandre de Moraes, vice‑presidente desta Corte. As matérias de competência do Tribunal Pleno ou das turmas, quando decididas no recesso, serão oportunamente submetidas à deliberação colegiada, com observância do devido processo constitucional, da segurança jurídica e da uniformidade decisória. A colegialidade é método. É legítimo o exercício regular da jurisdição por parte dos membros do Tribunal no período do recesso, sem exceção. Eventuais vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos regimentais e processuais. Questões desse tipo têm rito próprio e serão apreciadas pelo colegiado com a seriedade que merecem. A Presidência não antecipa juízos, mas tampouco se furta a conduzi‑los.
AO VIVO: Vorcaro abre o bico e derruba o primeiro (VEJA O VÍDEO)
Pressionado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que não renunciará ao cargo em abril e que apoiará o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições deste ano. Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a proposta de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). O governador nega a negociação, mas pode até sofrer impeachment em razão do escândalo. Os petistas demonstram forte reação à caminhada promovida pelo deputado Nikolas Ferreira, chegando a recorrer à Polícia Rodoviária Federal na tentativa de impedir o movimento que, segundo eles, sacode o país. Para comentar os assuntos, o Jornal do JCO recebeu a advogada Katia Magalhães, o jornalista Lucas Berlanza e o professor Marcos Pizzolatto. Assista, compartilhe e apoie o trabalho do Jornal da Cidade Online. Veja o vídeo:
Moraes arquiva investigação e recua inesperadamente
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento da investigação que analisava a conduta de delegados da Polícia Federal no contexto das blitzes realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. A decisão afasta a responsabilização criminal de autoridades que haviam sido incluídas no inquérito por suposta atuação institucional ligada às operações. A apuração teve origem em investigação conduzida pela própria Polícia Federal, instaurada para apurar a suspeita de que ações em rodovias federais teriam sido utilizadas com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores no dia da votação. Em agosto de 2024, a PF indiciou seis pessoas, entre elas o ex‑ministro da Justiça Anderson Gustavo Torres e o ex‑diretor‑geral da PRF Silvinei Vasques. Embora as blitzes tenham sido executadas por agentes da PRF, o inquérito também passou a examinar a atuação de delegados da Polícia Federal que ocupavam cargos estratégicos à época. A suspeita era de que esses servidores teriam exercido funções de comando ou articulação institucional, influenciando decisões que permitiram ou não impediram a realização das operações nas estradas. Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes acompanhou o parecer da Procuradoria‑Geral da República (PGR), que concluiu pela inexistência de elementos mínimos capazes de caracterizar crime por parte dos delegados Alfredo de Souza Lima Coelho Carrijo e Léo Garrido de Salles Meira. Com base nessa avaliação, o ministro determinou o arquivamento do processo em relação a ambos, por ausência de justa causa. No mesmo despacho, Moraes ressaltou que, quanto a Silvinei Vasques, Marília Ferreira de Alencar e Anderson Torres, os fatos discutidos nessa petição já foram analisados em outras ações penais em tramitação no próprio STF. Dessa forma, uma nova apreciação sobre o mesmo contexto estaria juridicamente impedida. Já no caso do delegado Fernando de Sousa Oliveira, que exercia interinamente a chefia da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal no período investigado, a apuração foi encerrada em razão de ele já ter sido absolvido em outro processo que tratava dos mesmos fatos, afastando qualquer possibilidade de responsabilização adicional.
Senador Girão pede novo afastamento de Toffoli da relatoria do Banco Master, alegando conflito de interesse
O senador Eduardo Girão (Novo‑CE) protocolou na Procuradoria‑Geral da República (PGR) um requerimento solicitando o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria das investigações que envolvem o Banco Master. O parlamentar afirma que surgiram novos elementos que levantam dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado, especialmente em razão de possíveis conflitos de interesse ligados ao resort Tayayá, situado no interior do Paraná. Trata‑se do quarto pedido apresentado por integrantes da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com esse objetivo. As solicitações anteriores, encaminhadas por deputados em dezembro de 2025, foram arquivadas pelo procurador‑geral Paulo Gonet, que avaliou as alegações relacionadas à viagem de Toffoli ao Peru na companhia do advogado de um investigado como insuficientes. No novo documento, Girão sustenta que informações recentemente divulgadas “lançam novas luzes sobre a necessária análise de imparcialidade, impedimento e possível conflito de interesses” no caso. Para o senador, a permanência de Toffoli à frente do inquérito “revela‑se juridicamente questionável sob a ótica do devido processo legal substantivo e da garantia do juiz natural imparcial”. O parlamentar também critica decisões adotadas pelo ministro durante a condução das investigações. Entre elas, destaca a determinação para que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse enviado diretamente ao gabinete do magistrado, sem análise prévia da Polícia Federal. “Esta medida, de caráter absolutamente excepcional, rompe com procedimentos consolidados no direito processual penal brasileiro”, afirmou Girão. Ele acrescentou: “Mais grave ainda: ocorre justamente em investigações relacionadas ao Banco Master, caso no qual o próprio Ministro Toffoli avocou para si (também de maneira excepcional) as investigações e decretou inexplicável sigilo sobre elementos cruciais que permeiam a temática.” Para embasar a suspeita de conflito de interesses, o senador menciona reportagens que indicam uma possível conexão indireta entre o Banco Master e empresas ligadas a familiares do ministro. De acordo com a Folha de S.Paulo, o Arleen Fundo de Investimentos — que manteve participação no resort Tayayá até 2025 — também aplicou recursos em uma incorporadora da qual um primo de Toffoli era sócio. O mesmo fundo teria sido cotista de outra estrutura financeira abastecida por recursos de entidades apontadas como envolvidas em fraudes, conforme informações do Banco Central. Outras apurações jornalísticas ampliam o contexto das relações empresariais. Levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo indica que a sede de uma das empresas ligadas ao caso estaria registrada em uma residência simples no interior paulista, onde vive a família de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro e apontado como diretor‑presidente da companhia. Procurada, a cunhada de Toffoli negou que o marido tenha qualquer vínculo com o Tayayá. Já uma reportagem apontou que o resort Tayayá teria operado um cassino com máquinas caça‑níqueis e mesas de pôquer, sendo informalmente chamado de “o resort do Toffoli” por funcionários, apesar de a família do ministro não figurar mais como proprietária formal. Em fevereiro de 2025, parentes de Toffoli venderam integralmente sua participação no empreendimento por cerca de R$ 3,5 milhões. A compra das cotas foi realizada por uma holding controlada pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, conhecido por atuar em causas tributárias de empresas do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Antes dessa operação, parte das ações já havia sido transferida a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, investigado na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Esposa de Pedro Bial e filha são assaltadas por criminoso armado (Veja o vídeo)
A jornalista e empresária Maria Prata, esposa do apresentador Pedro Bial, foi vítima de um assalto à mão armada enquanto caminhava com a filha caçula, de 6 anos, em uma rua residencial do bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, na quinta‑feira (22/01). A ação criminosa ocorreu em plena via pública e envolveu um homem em motocicleta, que utilizava capacete e mochila de entregas. Segundo o relato de Maria, o crime aconteceu em circunstâncias corriqueiras do dia a dia. Ela havia acabado de estacionar o carro em uma rua tranquila, descrita por ela como composta por “casinhas geminadas”, e caminhava cerca de 20 metros até o local de destino quando foi surpreendida pelo assaltante. O criminoso levou seu celular e a aliança. Até o momento, ele não foi identificado. Em um desabafo publicado nas redes sociais, Maria Prata afirmou que não estava distraída nem utilizando o celular no momento do ataque. “Não estava dando bobeira, nem em lugar perigoso”, ressaltou. Abalada, ela descreveu as consequências emocionais do episódio. “Não consigo dormir. Minha cabeça é um replay sem fim de áudios e imagens de uma situação que ninguém deveria passar na vida. Nem eu, nem a Dora, nem aquele cara”, escreveu. Impacto emocional na criança Embora a filha não tenha visto a arma nem percebido exatamente o momento em que a mãe entrou em choque, o impacto psicológico foi imediato. De acordo com Maria, a criança passou o dia seguinte tentando compreender o ocorrido, fazendo perguntas sobre o agressor, suas motivações e o motivo de situações como essa acontecerem. “Dora passou o dia falando sobre isso, processando, querendo entender”, relatou. Ao final do texto, a jornalista agradeceu pelo fato de ambas estarem fisicamente bem, apesar do trauma. “Estamos bem, têm coisas muito piores, o pesadelo poderia ser outro. A vida é mesmo um sopro. Um movimento errado e o desfecho poderia ser outro, como já foi com tanta gente”, refletiu.
Nikolas chora ao reencontrar a família na Caminhada pela Justiça (Veja o vídeo)
Um momento de forte carga emocional marcou a manhã desta sexta‑feira (23) durante o quinto dia da Caminhada pela Justiça e Liberdade. À frente do movimento, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) não conteve as lágrimas ao encontrar seus pais, o pastor Edésio de Oliveira e a psicóloga Maria Ruth de Oliveira, além da irmã Lavigne Beatrice. O reencontro ocorreu logo no início das atividades do dia e chamou a atenção dos participantes que acompanhavam o trajeto. Iniciada na última segunda‑feira (19), na cidade de Paracatu (MG), a caminhada já havia ultrapassado, na atualização mais recente, 150 quilômetros percorridos, de um total estimado em cerca de 240 quilômetros. A previsão é de que o percurso seja concluído no próximo domingo (25), com a realização de um ato público na Praça do Cruzeiro, em Brasília. Segundo Nikolas, a manifestação foi planejada para manter um caráter pacífico e simbólico, com o objetivo de estimular a reflexão da sociedade sobre o atual cenário político e institucional do país. De acordo com o parlamentar, a mobilização busca dar visibilidade ao que ele define como arbitrariedades recentes no Brasil. Entre os pontos citados estão a prisão do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL) e a situação jurídica dos presos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. O movimento adota como lema a frase “Acorda, Brasil”, que tem sido repetida ao longo do percurso e nos encontros com apoiadores.
FAROLAÇO: protesto de direita pede faróis ligados até a anistia dos presos do 8 de janeiro
A proposta é manter os faróis dos veículos acesos durante o dia em todo o país, até que a anistia dos presos políticos do 8 de janeiro seja aprovada e eles sejam libertados. De forma espontânea, manifestantes de direita que não puderam acompanhar pessoalmente a Caminhada pela Liberdade e Justiça, iniciada na última segunda‑feira (19) em Paracatu (MG) sob a liderança do deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) com destino a Brasília, criaram um protesto criativo que vem ganhando força: o chamado “FAROLAÇO”. A proposta é manter os faróis dos veículos acesos durante o dia em todo o país, até que a anistia dos presos políticos do 8 de janeiro seja aprovada e eles sejam libertados. As maiores manifestações da história do Brasil raramente surgem do nada; quase sempre resultam de crises acumuladas, momentos de virada política ou explosões de insatisfação popular. Comparado ao atual cenário político, não é exagero concluir que o país vive à beira de uma explosão popular. Escândalos sucessivos, a arbitrariedade de parte do Judiciário – sobretudo do Supremo Tribunal Federal, que tem se inserido em todas as questões – e a percepção de que a Constituição não é mais respeitada alimentam esse clima. A gota d’água foi o escândalo do Banco Master e a tentativa de um ministro do STF de proteger as investigações. O país ainda se recuperava dos roubos aos aposentados do INSS, e mais um escândalo chegou aos noticiários, impedindo que até a imprensa de bancada branca faça ouvidos moucos ou passe pano, como costuma fazer em assuntos envolvendo o STF e o governo de Lula da Silva. Não é por acaso que os acontecimentos no Irã e no Tibete deixaram de aparecer na pauta da grande mídia. A intenção é evitar estímulos, embora existam motivos suficientes para que o povo tome as ruas e reivindique sua soberania sobre os destinos da nação. A mesma imprensa mantém silêncio sobre a “caminhada” de 200 km até Brasília, liderada por Nikolas Ferreira, cujas redes sociais somam mais de 18 milhões de seguidores. O conglomerado parece ignorar que a manifestação pacífica iniciada por Nikolas tem potencial de se transformar em um novo 8 de janeiro, agora com muito mais participantes e consequências imprevisíveis. Não custa lembrar que, em junho de 2013, milhões de pessoas foram às ruas motivadas por insatisfação geral – protestos inicialmente contra transporte precário, corrupção, serviços públicos deficientes, escândalos e sensação de injustiça. Na época, havia a impressão de que o país avançava, mas a vida real não melhorava. O cenário atual apresenta o mesmo padrão, porém em grau muito mais elevado. O estopim dos protestos que paralisaram o país foi o aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus em São Paulo. O movimento começou pequeno e se espalhou nacionalmente, com as redes sociais desempenhando papel central. Embora o deputado Nikolas esteja à frente da Caminhada pela Liberdade e Justiça, o FAROLAÇO não tem liderança formal; surgiu de forma espontânea. Os protestos que foram contidos graças à ação de black blocs – movimento atribuído à esquerda, similar ao ocorrido em 8 de janeiro – mudaram o cenário político, abriram espaço para polarização nos anos seguintes e culminaram no impeachment de Dilma Rousseff (2015‑2016). O que une o presente e o passado são crise econômica severa, instabilidade e escândalos incessantes. Antes, a Operação Lava‑Jato, hoje enterrada pelos mesmos atores que tentam blindar Correios, Banco Master e os roubos do INSS, somada a fraudes em pesquisas eleitorais, desconfiança nas instituições – sobretudo no STF, PGR, IBGE, partidos políticos e Polícia Federal – e a parcialidade evidente de parte da imprensa, que não esconde suas preferências partidárias, comprometendo o jornalismo e o pacto tácito de confiança conquistado ao longo do tempo. À luz das motivações apresentadas, o FAROLAÇO pode mobilizar o país, cujas consequências ainda são imprevisíveis. José Aparecido Ribeiro. Jornalista. Repórter pergunta a Milei se ele batizaria seus cães com o nome “Lula” e a resposta é surpreendente (veja o vídeo).