A postura da jornalista Maju Coutinho durante a edição do Fantástico exibida neste domingo (25) passou a ser tema de discussão nas redes sociais. Após apresentar uma reportagem sobre um raio que atingiu manifestantes em Brasília, a apresentadora apareceu sorrindo no estúdio, o que levou parte do público a questionar a adequação da expressão diante do conteúdo noticiado. O trecho rapidamente circulou entre internautas, que passaram a interpretar o sorriso de diferentes formas. Para alguns, o gesto teria destoado da gravidade do assunto abordado. Até o momento, porém, não há qualquer confirmação de que a reação tenha sido intencional ou diretamente relacionada ao episódio citado na reportagem, especialmente porque, logo em seguida, Maju iniciou a chamada de outra matéria, desta vez sobre o ator Antônio Fagundes. Após a exibição do programa, a jornalista publicou em seu perfil no Instagram uma foto relacionada à edição do Fantástico. A postagem atraiu um grande número de comentários, muitos deles críticos à sua postura durante a apresentação. “Rindo das pessoas que receberam a descarga elétrica? Você é a cara da Globo mesmo”, escreveu um internauta. Outro comentou: “Dar risada após uma matéria de hospital, onde está a ética e o respeito?”. Houve ainda quem comparasse a apresentadora a profissionais do passado: “Saudades de uma Glória Maria — uma jornalista séria, não militante, que exercia seu ofício com profissionalismo, imparcialidade e respeito ao telespectador”. Em tom semelhante, outro questionou: “Onde se encontra o profissionalismo?”. O deputado Nikolas Ferreira conquistou o objetivo da caminhada… Fez o Brasil todo parar e olhar o apelo por justiça e liberdade dos presos políticos do país, entre eles o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Sua luta, a partir de hoje, será ainda maior… O “sistema” não vai descansar nas tentativas de silenciá‑lo. O povo, mais do que nunca, precisa estar ao lado de Nikolas nesse momento.
Despedida da delegada Natália Fagundes Morari, mãe de bebê de 16 dias, acontece em Francisco Beltrão
A morte da delegada da Polícia Civil do Paraná, Natália Fagundes Morari, neste domingo (25), causou comoção nacional. Natália, de 35 anos, havia dado à luz um filho há apenas 16 dias; a causa da morte não foi divulgada. A despedida está sendo realizada no Crematório Jardim das Oliveiras, em Francisco Beltrão, desde as 8 h desta segunda‑feira, 26. A cerimônia de homenagem está prevista para as 18 h, seguida da cremação. A delegada deixa o esposo, Dr. Rafael Tavares, também delegado da 60ª DRP de Dois Vizinhos, o recém‑nascido de 16 dias, além de pai, mãe, irmã, familiares e amigos. Histórico Natália Fagundes Morari nasceu em 12 de janeiro de 1991, em Uruguaiana (RS). Formada em Direito, é especialista em Direito Penal e Processual Penal. Ingressou na Polícia Civil do Paraná em 2022 e, em janeiro de 2023, assumiu a chefia da Comarca de Dois Vizinhos, tornando‑se a primeira mulher a ocupar o cargo. Recentemente, a Câmara de Vereadores de Dois Vizinhos aprovou uma moção de aplauso em reconhecimento aos serviços prestados, destacando sua atuação ética, técnica e comprometida na segurança pública, com especial atenção à defesa da causa feminina. Durante sua gestão, a delegada destacou‑se pela defesa das mulheres e pelo combate à violência doméstica, promovendo atendimento humanizado às vítimas. Desde 2023, coordenou o encaminhamento de 949 medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário e liderou a criação de um espaço exclusivo para atendimento de mulheres na delegacia.
Ao vivo no Pânico, Nikolas Ferreira ostenta humildade (veja o vídeo)
Em transmissão ao vivo pelo programa Pânico, Nikolas Ferreira declarou que deseja ser o novo messias. O parlamentar também reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro, que ele descreveu como “o nome da vez”. Segundo Nikolas, o país precisa de pessoas ao seu lado neste momento de luta e superação. Ele afirma que o investimento vale a pena.
Presos rendem policial e tentam escapar de penitenciária no Rio
Na madrugada de 26 de janeiro, três detentos tentaram fugir do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, unidade que integra o Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mobilizando equipes de segurança. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), os presos chegaram a render um policial penal. A ação foi percebida por outro agente, que acionou o alarme da unidade, impedindo a fuga. Os envolvidos foram identificados como William Freitas da Costa, Thiago Antônio de Oliveira e David Gonçalves de Souza. Eles estavam na área de isolamento e abriram um buraco em uma das paredes, visando acessar outra parte interna do presídio. Durante as buscas, o Grupamento Tático Móvel (GTM) encontrou inicialmente um dos detentos. Após sua captura, os demais desistiram e retornaram ao setor de isolamento, onde foram contidos. O policial penal que foi rendido recebeu atendimento médico e, de acordo com a Seap, não sofreu ferimentos graves, encontrando‑se em bom estado de saúde. Ao final da ocorrência, os três presos foram encaminhados à 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu, onde o caso foi registrado e segue sob investigação das autoridades competentes.
OAB‑SP critica ministros do STF e apresenta proposta de código de ética para frear abusos
A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB‑SP) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta com parâmetros para a criação de um código de ética voltado especificamente aos ministros da Corte. A iniciativa busca estabelecer critérios mais objetivos de conduta, com foco na transparência e na prevenção de conflitos de interesse. O documento foi elaborado pela Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário da OAB‑SP e apresenta sugestões como regras explícitas sobre impedimentos, divulgação de informações institucionais e a instituição de um período de quarentena para o exercício da advocacia após a saída do cargo. A ideia central é reforçar a confiança pública no funcionamento do Supremo. Entre os pontos centrais da proposta está a exigência de uma quarentena de três anos para que ex‑ministros possam retornar à advocacia. Além disso, o texto recomenda a proibição da atuação de magistrados em processos conduzidos por amigos íntimos ou parentes até o terceiro grau, reduzindo riscos de questionamentos sobre imparcialidade. O ofício encaminhado ao STF conta com a assinatura de figuras de destaque do meio jurídico e acadêmico, incluindo os ex‑ministros do Supremo Ellen Gracie e Cezar Peluso, os ex‑ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Jr., a cientista política Maria Tereza Sadek, os professores Oscar Vilhena e Alessandra Benedito, além dos ex‑presidentes da OAB Patricia Vanzolini, da seccional paulista, e Cezar Britto, do Conselho Federal. Outra recomendação relevante prevê que ministros solicitem a familiares e amigos informações sobre processos nos quais atuem profissionalmente. Esses dados seriam comunicados ao STF para evitar que tais ações sejam distribuídas aos gabinetes com possível vínculo pessoal, reforçando mecanismos de prevenção de conflitos. Código propõe maior transparência, mas sem punições automáticas A proposta também destaca a necessidade de tornar públicas as agendas dos ministros, incluindo reuniões com partes interessadas e advogados. Quanto à participação em eventos, o texto autoriza palestras e congressos, desde que os organizadores não tenham interesse direto em processos em tramitação no tribunal. Embora estabeleça limites éticos claros, o projeto não prevê sanções automáticas em caso de descumprimento. A OAB‑SP defende que eventuais violações sejam analisadas pelo plenário do STF, preservando a autonomia institucional da Corte. “O Código de Conduta para o STF que estamos apresentando tem como objetivo fortalecer a independência, a credibilidade e a confiança da população na Corte”, afirmou Leonardo Sica, presidente da OAB‑SP. “O documento foi elaborado por uma Comissão formada por notáveis que também estão trabalhando na construção de diretrizes para contribuir com uma ampla reforma no Judiciário brasileiro.” Debate interno no STF encontra resistências A iniciativa da OAB‑SP dialoga com discussões já existentes dentro do Supremo. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, reconheceu que o tema está em análise, embora ainda encontre resistência entre os colegas. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Fachin afirmou que conduz uma fase preliminar de consultas internas, priorizando o diálogo. Ao Estadão, declarou: “Das consultas que eu tenho feito, não há maioria entendendo da necessidade do código”. Segundo o ministro, “há uma maioria entendendo que o momento deveria ser mais adiante. Mas estamos debatendo essa ideia.”
Gilmar Mendes tenta salvar a reputação de Dias Toffoli com defesa desesperada
Inexplicável a defesa que o ministro Gilmar Mendes fez nesta segunda‑feira (26) do ministro Dias Toffoli. Atolado em coisas no mínimo estranhas, com sua situação reconhecida como “insustentável” por outros ministros, não dá para entender o que levou o decano a fazer essa encenação totalmente sem sentido. “O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições. No exercício da jurisdição, sua atuação observa os parâmetros do devido processo legal e foi objeto de apreciação da Procuradoria‑Geral da República, que reconheceu a regularidade de sua permanência no caso. A preservação da independência judicial e o respeito às instâncias institucionais são condições indispensáveis para o diálogo republicano e para a confiança da sociedade nas instituições.” Deprimente! Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.
A caminhada de Nikolas gera escândalo e expõe a paralisação institucional do Brasil
Há algo profundamente revelador no fato de que uma simples caminhada a pé causou mais incômodo do que escândalos financeiros bilionários, decisões institucionais controversas ou episódios recorrentes de insegurança jurídica. Não é o ato em si que assusta — é o contraste com a gravidade habitual dos acontecimentos no país. O episódio da caminhada de Nikolas Ferreira funciona menos como causa e mais como sintoma. Ele não cria o desconforto, apenas o evidencia, revelando um país onde a reação social tem sido progressivamente contida, não por indiferença moral, mas por medo racional. Não se trata de um povo que tenha normalizado a corrupção ou aceitado abusos como algo natural. O drama é mais complexo — e mais grave. O que se instalou é um ambiente em que exceções se repetem com tanta frequência que produzem um efeito previsível: a sensação de que reagir já não altera o curso dos fatos. Quando o custo de se manifestar parece previsível e potencialmente desproporcional, a contenção deixa de ser covardia e passa a ser cálculo. É assim que opera a coerção indireta. Não é necessário um decreto explícito, nem tanques nas ruas. Basta a percepção difusa de que as regras mudam conforme o personagem, de que o devido processo pode ser relativizado e de que a punição já não segue critérios claros e estáveis. Nesse ambiente, o silêncio não é concordância — é autopreservação. Esse mesmo ambiente se reflete na forma como os fatos são tratados publicamente. Escândalos graves continuam a ser noticiados, mas o tratamento perde simetria. Casos complexos se diluem ao longo do noticiário, enquanto gestos simbólicos fora do script institucional recebem reação imediata — seja por ataque, seja por apagamento. A caminhada, curiosamente, foi tratada como se não tivesse acontecido. Quando tudo parece sujeito a interpretações variáveis, nada parece plenamente acionável. A indignação dá lugar à impotência, não porque os fatos perderam gravidade, mas porque o espaço para reação foi sendo progressivamente estreitado. O problema maior não é a exceção isolada, mas a sua transformação em método. Quando medidas extraordinárias passam a operar com naturalidade, algo essencial se rompe. O efeito corrosivo não é apenas jurídico; é psicológico e social. A previsibilidade desaparece, e com ela a confiança de que reagir ainda vale a pena. Nesse contexto, qualquer gesto que fuja da inércia ganha proporções desmedidas. Não por ser radical, mas por ter se tornado raro. A caminhada causou incômodo justamente porque rompeu o script da contenção. Não convocou multidões, não prometeu vitórias, não ofereceu soluções mágicas. Apenas expôs, de forma quase desconcertante, o quanto a sociedade vinha sendo mantida em estado de paralisia. Assim, a caminhada revelou algo que vinha sendo subestimado: existe um Brasil que ainda se recusa a aceitar o silêncio e o medo como destino. Não por acreditar em soluções fáceis, mas por reconhecer que a paralisia não pode ser normalizada. É aí que reside o que chamo de “efeito Nikolas”. Não na figura individual em si, mas no espelho que o episódio colocou diante das instituições e da opinião pública. O escândalo não foi o ato, mas a reação desproporcional a ele — seja por desprezo, seja por denuncismo ideológico. Quando caminhar vira problema, é sinal de que algo essencial já saiu do lugar. Não se trata de direita ou esquerda, nem de concordar ou discordar de personagens específicos. Trata‑se de algo mais elementar: previsibilidade institucional. Em um país onde ninguém sabe exatamente quais são os limites do aceitável, do legal ou do punível, não se produzem cidadãos mais responsáveis — produzem‑se cidadãos mais cautelosos, e cautela prolongada demais vira paralisia. Quando a corrupção é tolerada por medo e uma caminhada é tratada como ameaça, o sinal é claro: não estamos diante de apatia social, mas de um sistema que aprendeu a administrar reações pela contenção. Não é o barulho que sustenta estruturas assim; é o silêncio produzido pelo receio. A democracia não se deteriora apenas por golpes explícitos. Ela se desgasta quando o medo substitui o debate, quando a autocensura vira hábito e quando a exceção passa a operar como regra silenciosa. A democracia não cai com um estrondo; cai com concessões contínuas. O problema não é hoje — é o que isso autoriza amanhã. Não é a caminhada que deveria nos preocupar. O que nos alarma é que, para muitos, ela pareceu excessiva. Quando até um gesto simples soa radical, o país já foi longe demais na direção errada. Claudio Apolinario. Articulista e analista político.
Caminhada vira escândalo: o “efeito Nikolas” revela a paralisia institucional e a coerção indireta no Brasil
É profundamente revelador que uma simples caminhada a pé tenha causado mais incômodo do que escândalos financeiros bilionários, decisões institucionais controversas ou episódios recorrentes de insegurança jurídica. O ato em si não assusta — o contraste que ele gera que impressiona. O episódio da caminhada de Nikolas Ferreira funciona menos como causa e mais como sintoma. Ele não cria o desconforto, apenas o expõe, mostrando que, sob o tapete institucional, há um país onde a reação social tem sido progressivamente contida, não por indiferença moral, mas por medo racional. Não se trata de um povo que tenha normalizado a corrupção ou aceitado abusos como algo natural. O drama é mais complexo e mais grave. O que se instalou foi um ambiente em que exceções se repetem com tanta frequência que produzem um efeito previsível: a sensação de que reagir já não altera o curso das coisas. Quando o custo de se manifestar parece previsível e potencialmente desproporcional, a contenção deixa de ser covardia e passa a ser cálculo. É assim que opera a coerção indireta. Não é necessário um decreto explícito, nem tanques nas ruas. Basta a percepção difusa de que as regras mudam conforme o personagem, de que o devido processo pode ser relativizado e de que a punição já não segue critérios claros e estáveis. Nesse ambiente, o silêncio não é concordância — é autopreservação. Esse mesmo ambiente se reflete na forma como os fatos são tratados publicamente. Escândalos graves continuam a ser noticiados, mas o tratamento perde simetria. Casos complexos se diluem ao longo do noticiário, enquanto gestos simbólicos fora do script institucional recebem reação imediata — seja por ataque, seja por apagamento. Curiosamente, a caminhada foi tratada como se não tivesse acontecido. Quando tudo parece sujeito a interpretações variáveis, nada parece plenamente acionável. A indignação dá lugar à impotência, não porque os fatos perderam gravidade, mas porque o espaço para reação tem sido progressivamente estreitado. O problema maior não é a exceção isolada, mas sua transformação em método. Quando medidas extraordinárias passam a operar com naturalidade, algo essencial se rompe. O efeito corrosivo não é apenas jurídico; é psicológico e social. A previsibilidade desaparece, e com ela a confiança de que reagir ainda vale a pena. Nesse contexto, qualquer gesto que fuja da inércia ganha proporções desmedidas. Não por ser radical, mas por ter se tornado raro. A caminhada causou incômodo justamente porque rompeu o script da contenção. Não convocou multidões, não prometeu vitórias, não ofereceu soluções mágicas. Apenas expôs, de forma quase desconcertante, o quanto a sociedade vinha sendo mantida em estado de paralisia. Assim, a caminhada revelou algo subestimado: existe um Brasil que ainda se recusa a aceitar o silêncio e o medo como destino. Não por acreditar em soluções fáceis, mas por reconhecer que a paralisia não pode ser normalizada. É aí que reside o que chamo de “efeito Nikolas”. Não na figura individual em si, mas no espelho que o episódio colocou diante das instituições e da opinião pública. O escândalo não foi o ato, mas a reação desproporcional a ele — seja pelo desprezo, seja pelo denuncismo ideológico. Quando caminhar vira problema, é sinal de que algo essencial já saiu do lugar. Não se trata de direita ou esquerda, nem de concordar ou discordar de personagens específicos. Trata‑se de algo mais elementar: previsibilidade institucional. Um país em que ninguém sabe exatamente quais são os limites do aceitável, do legal ou do punível não produz cidadãos mais responsáveis — produz cidadãos mais cautelosos. E cautela prolongada demais vira paralisia. Quando a corrupção é tolerada por medo e uma caminhada é tratada como ameaça, o sinal é claro: não estamos diante de apatia social, mas de um sistema que aprendeu a administrar reações pela contenção. Não é o barulho que sustenta estruturas assim; é o silêncio produzido pelo receio. A democracia não se deteriora apenas por golpes explícitos. Ela se desgasta quando o medo substitui o debate, quando a autocensura vira hábito e quando a exceção passa a operar como regra silenciosa. A democracia não cai com um estrondo; cai com concessões contínuas. O problema não é hoje — é o que isso autoriza amanhã. Não é a caminhada que deveria nos preocupar. É o fato de que, para muitos, ela pareceu excessiva. Quando até um gesto simples soa radical, o país já foi longe demais na direção errada. Claudio Apolinario. Articulista e analista político.
A caminhada de Nikolas desencade escândalo e evidencia a paralisação institucional sob coerção indireta
Há algo profundamente revelador no fato de uma caminhada a pé ter causado mais incômodo do que escândalos financeiros bilionários, decisões institucionais controversas ou episódios reiterados de insegurança jurídica. Não é o ato em si que assusta — é o contraste. Em um país habituado a conviver com fatos muito mais graves, bastou um gesto simples para virar escândalo. O episódio envolvendo a caminhada de Nikolas Ferreira funciona menos como causa e mais como sintoma. Ele não cria o desconforto, apenas o expõe. Revela algo que vinha sendo empurrado para baixo do tapete institucional: um país onde a reação social foi sendo progressivamente contida, não por indiferença moral, mas por medo racional. Não se trata de um povo que tenha normalizado a corrupção ou passado a aceitar abusos como algo natural. O drama é mais complexo — e mais grave. O que se instalou foi um ambiente em que exceções se repetem com tanta frequência que produzem um efeito previsível: a sensação de que reagir já não altera o curso das coisas. Quando o custo de se manifestar parece previsível e potencialmente desproporcional, a contenção deixa de ser covardia e passa a ser cálculo. É assim que opera a coerção indireta. Não é necessário um decreto explícito, nem tanques nas ruas. Basta a percepção difusa de que as regras mudam conforme o personagem, de que o devido processo pode ser relativizado e de que a punição já não segue critérios claros e estáveis. Nesse ambiente, o silêncio não é concordância — é autopreservação. Esse mesmo ambiente se reflete na forma como fatos são tratados publicamente. Escândalos graves continuam sendo noticiados, mas o tratamento perdeu simetria. Casos complexos se diluem ao longo do noticiário, enquanto gestos simbólicos fora do script institucional recebem reação imediata — seja por ataque, seja por apagamento. A caminhada, curiosamente, foi tratada como se não tivesse acontecido. Quando tudo parece sujeito a interpretações variáveis, nada parece plenamente acionável. A indignação dá lugar à impotência. Não porque os fatos tenham perdido gravidade, mas porque o espaço para reação foi sendo progressivamente estreitado. O problema maior não é a exceção isolada, mas sua transformação em método. Quando medidas extraordinárias passam a operar com naturalidade, algo essencial se rompe. O efeito corrosivo não é apenas jurídico; é psicológico e social. A previsibilidade desaparece, e com ela a confiança de que reagir ainda vale a pena. Nesse contexto, qualquer gesto que fuja da inércia ganha proporções desmedidas. Não por ser radical, mas por ter se tornado raro. A caminhada causou incômodo justamente porque rompeu o script da contenção. Não convocou multidões, não prometeu vitórias, não ofereceu soluções mágicas. Apenas expôs, de forma quase desconcertante, o quanto a sociedade vinha sendo mantida em estado de paralisia. Nesse sentido, a caminhada revelou algo que vinha sendo subestimado: existe um Brasil que ainda se recusa a aceitar o silêncio e o medo como destino. Não por acreditar em soluções fáceis, mas por reconhecer que a paralisia não pode ser normalizada. É aí que reside o que chamo de “efeito Nikolas”. Não na figura individual em si, mas no espelho que o episódio colocou diante das instituições e da opinião pública. O escândalo não foi o ato. Foi a reação desproporcional a ele — seja pelo desprezo, seja pelo denuncismo ideológico. Quando caminhar vira problema, é sinal de que algo essencial já saiu do lugar. Não se trata de direita ou esquerda. Tampouco de concordar ou discordar de personagens específicos. Trata‑se de algo mais elementar: previsibilidade institucional. Um país em que ninguém sabe exatamente quais são os limites do aceitável, do legal ou do punível não produz cidadãos mais responsáveis — produz cidadãos mais cautelosos. E cautela prolongada demais vira paralisia. Quando a corrupção é tolerada por medo e uma caminhada é tratada como ameaça, o sinal é claro: não estamos diante de apatia social, mas de um sistema que aprendeu a administrar reações pela contenção. Não é o barulho que sustenta estruturas assim; é o silêncio produzido pelo receio. A democracia não se deteriora apenas por golpes explícitos. Ela se desgasta quando o medo substitui o debate, quando a autocensura vira hábito e quando a exceção passa a operar como regra silenciosa. A democracia não cai com um estrondo; cai com concessões contínuas. O problema não é hoje — é o que isso autoriza amanhã. Não é a caminhada que deveria nos preocupar. É o fato de que, para muitos, ela pareceu excessiva. Porque quando até um gesto simples soa radical, o país já foi longe demais na direção errada. Claudio Apolinario. Articulista e analista político.
Técnicos do IBGE renunciam cargos em protesto contra gestão petista
Técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entregaram seus cargos de gerência após a exoneração da pesquisadora Rebeca Palis do posto de coordenadora de contas nacionais. Fontes próximas ao assunto interpretam o movimento como uma demonstração de solidariedade a Rebeca. A exoneração partiu da direção do IBGE em 19 de janeiro, há uma semana. A substituição surpreendeu parte dos servidores e reacendeu a crise na gestão do petista Márcio Pochmann. O departamento de contas nacionais é responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o desempenho da economia. A próxima divulgação do PIB, com o resultado do quarto trimestre e o acumulado de 2025, está agendada para 3 de março, pouco mais de um mês a partir de agora. A turbulência dos últimos dias gerou incertezas sobre como será feita a divulgação. O primeiro a entregar o cargo após a exoneração de Rebeca foi Cristiano Martins, gerente de bens e serviços e substituto da coordenadora. O pedido de desligamento ocorreu ainda na semana passada. Na segunda‑feira, 26 de janeiro, foram os turnos de Claudia Dionísio, gerente das contas nacionais trimestrais, e de Amanda Tavares, gerente substituta da área, que também entregaram seus cargos.