A Congregação Israelita Paulista (CIP) sediou, neste domingo (25), o Ato em Memória às Vítimas do Holocausto, reunindo autoridades civis, diplomatas, lideranças políticas e religiosas, sobreviventes e membros da comunidade judaica. O evento, realizado por ocasião do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, reforçou a necessidade de preservar a memória, combater o antissemitismo e defender a dignidade humana. O ato contou com o apoio da Confederação Israelita do Brasil (Conib), da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), da própria Congregação Israelita Paulista e da organização StandWithUs Brasil. Compareceram o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado, Gilberto Kassab, o ex‑chanceler Celso Lafer e o secretário municipal de Justiça, André Lemos, que representou o prefeito Ricardo Nunes. A cerimônia teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por Sabrina Shalom. Em seguida, a presidente da CIP, Laura Feldman, ressaltou que lembrar o Holocausto exige um compromisso ativo no presente. “A memória do Holocausto sem ação não basta. É preciso transformar o ‘Nunca Mais’ em atitudes concretas contra o antissemitismo e toda forma de intolerância”, afirmou. A presidente da Fisesp, Célia Parnes, apontou os sinais que antecedem tragédias históricas. “O Holocausto não ocorreu por falta de alertas, mas porque o mundo se acostumou ao ódio e à relativização dos fatos. Hoje, a proteção aos judeus deixa de ser uma questão comunitária e torna‑se um teste moral para toda a sociedade e para os governos. Quando a desumanização volta a circular com aparência de normalidade no discurso público, reconhecemos sinais que a história nos ensinou a não ignorar. Silenciar ou minimizar esses alertas prepara o terreno para que a barbárie se repita”. O cônsul‑geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, destacou o papel da verdade e da empatia em tempos de desinformação. “Vivemos um momento em que mentiras tentam se impor sobre os fatos e o ódio busca se sobrepor à empatia. Cabe a todos nós garantir que a empatia prevaleça”, declarou. Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, enfatizou que a memória do Holocausto serve sobretudo como alerta para o futuro. “O Holocausto não aconteceu de forma súbita. Foi construído passo a passo, com a normalização do ódio, o enfraquecimento das instituições democráticas e o silêncio diante do extremismo”. Segundo ele, “combater o antissemitismo não é uma pauta ideológica, mas uma missão de toda a sociedade, para impedir que o ódio volte a produzir novas vítimas”. Antes da fala do governador, André Lajst, presidente da StandWithUs Brasil, reforçou o caráter permanente do compromisso com a memória. “Lembrar o Holocausto não é apenas um exercício de recordação histórica, mas um compromisso com o presente e uma garantia para o futuro. A memória é uma ferramenta essencial para combater o ódio e a indiferença”. Em seu discurso, o governador Tarcísio de Freitas destacou que a maior homenagem às vítimas consiste em impedir que tragédias semelhantes se repitam. “Não podemos permitir que o Brasil se perca no ódio. O Holocausto não surgiu de forma abrupta; ele foi resultado da normalização do extremismo, da disseminação de falsidades e da omissão diante de sinais claros”. O governador também ressaltou a adesão do Estado de São Paulo à definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). “Só existe uma maneira de honrar essas vítimas: não permitir que isso aconteça novamente. Tornar esse conceito vivo é proteger a comunidade judaica e fortalecer a democracia”. Um dos momentos mais emocionantes foi a fala da sobrevivente Ruth Sprung Tarasantchi, cujas gravuras estavam expostas na entrada do evento. Nascida em 1933, em Sarajevo, então parte da Iugoslávia, Ruth sobreviveu à perseguição nazista após fugir com a família, passando quatro anos confinada no campo de Ferramonti, na Itália. Naturalizada brasileira, é artista plástica, historiadora da arte, escritora e diretora do acervo do Museu Judaico de São Paulo. Aos 92 anos, Ruth compartilhou seu testemunho, lembrando a destruição da comunidade judaica de sua cidade natal, Bugojno, e a perda de familiares assassinados no Holocausto. “Eu tive sorte”, repetiu, ao relembrar a sobrevivência apesar da fome, da perda da liberdade e da espera interminável no confinamento. Para ela, testemunhar significa transformar a dor em legado e garantir que a história não seja esquecida. A cerimônia foi conduzida por Ricardo Berkiensztat, presidente executivo da Fisesp, que atuou como mestre de cerimônias. O chazan Avi Bursztein interpretou “Shmá Israel”, enquanto o chazan Marcio Besen cantou o Hino dos Partisans, símbolo da resistência judaica durante a Segunda Guerra Mundial. Seis velas foram acesas ao longo da solenidade, simbolizando os seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista e todas as demais vítimas do ódio, da intolerância e da perseguição. O ritual envolveu diplomatas, lideranças comunitárias e religiosas, autoridades políticas, jovens e sobreviventes, reforçando a transmissão da memória entre gerações. O público também assistiu ao teaser do documentário “Soul on Fire”, que retrata a trajetória de Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e laureado com o Nobel da Paz, cuja vida foi dedicada à memória, à dignidade humana e ao combate à indiferença. A obra terá exibição especial seguida de debate no Cine Belas Artes, no dia 27 de janeiro. O ato foi encerrado com o Hino de Israel, interpretado pela cantora Fortuna. Mais do que um evento institucional, o encontro constituiu um chamado à consciência coletiva. Ao recordar o Holocausto, a comunidade judaica e a sociedade brasileira reafirmam um compromisso essencial: nunca esquecer, nunca silenciar e nunca permitir que o ódio se normalize — porque a memória não é apenas um tributo ao passado, mas uma responsabilidade com o futuro.
Lulinha solicita acesso ao inquérito da Farra do INSS
Lulinha já contratou um advogado, que já se habilitou no inquérito da Farra do INSS, que investiga um esquema bilionário de roubo a aposentados e pensionistas. A defesa será conduzida pelo criminalista Guilherme Suguimori Santos, que solicitou acesso aos autos em 19 de janeiro. Conforme apurado, Lulinha recebia mesada do “Careca do INSS” e está profundamente envolvido na fraude.
Caiado entra no PSD, Kassab movimenta o tabuleiro e Tarcísio se cala: os riscos para a direita em 2026
A filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD é, por si só, um movimento coerente: ele deixa um partido em processo de esvaziamento para aderir a uma legenda estruturada, pragmática e com capilaridade nacional. Até aí, o jogo está feito. O ponto político relevante, porém, está no cenário do anúncio, não no ato formal. Caiado não se filiou discretamente. Ele apareceu ao lado dos governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, ambos com ambições presidenciais, sob o guarda‑chuva de Gilberto Kassab, reconhecido como um dos operadores mais habilidosos da política brasileira contemporânea. Kassab não realiza movimentos inocentes; ele monta tabuleiros. Na prática, Kassab é o fiador político do governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo. Ele controla secretarias‑chave, articula com o centro e garante a governabilidade. Não é exagero dizer que Kassab atua como engenheiro político, o homem forte, enquanto Tarcísio exerce a função de gestor‑executivo. E aqui surge o ponto sensível: Tarcísio é bolsonarista declarado e já sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro como alternativa presidencial do campo conservador. Portanto, quando Kassab chancela publicamente a pré‑candidatura de Caiado, não está apenas acolhendo um governador; está testando um nome no mercado eleitoral de 2026. Essa filiação poderia interferir no governo de São Paulo? Administrativamente, não. Politicamente, sim – e de forma significativa. Não há indício de que Tarcísio perca o controle do governo paulista por esse motivo. Kassab não age contra seus próprios interesses. Contudo, o movimento cria uma tensão estratégica silenciosa, já que Caiado passa a concorrer diretamente no mesmo eleitorado conservador‑liberal. Kassab passa a diversificar suas apostas, comportamento típico de quem deseja estar no centro do poder, independentemente de quem vença. O PSD se posiciona como partido‑ponte, capaz de dialogar tanto com bolsonaristas quanto com setores mais moderados. Tarcísio de Freitas sabia? Apoiou? Quase certamente, sim. Kassab não faz movimentos desse porte sem informar seus aliados estratégicos. Tarcísio não é ingênuo nem alheio ao jogo nacional. Apoiar, no sentido político‑eleitoral, parece improvável neste momento. O silêncio de Tarcísio é eloquente: ele não endossou Caiado, não se associou ao evento e não alterou sua sinalização em relação a Flávio Bolsonaro. O mais provável é que Tarcísio tolere o movimento por pragmatismo, mantendo o foco em São Paulo e preservando sua imagem de gestor, enquanto Kassab concentra esforços na articulação nacional. 2026 já começou, e começou pelos bastidores. Kassab não acredita em um candidato único antecipado; prefere manter um portfólio de opções. Caiado quer se vender como o “conservador institucional”, menos conflitivo que o bolsonarismo de raiz. Tarcísio continua sendo um ativo forte, mas não controla sozinho o xadrez. A filiação de Caiado não ameaça o governo de Tarcísio, mas revela uma disputa silenciosa pelo futuro da direita. Kassab joga em múltiplas mesas; Tarcísio joga com cautela; Caiado tenta ocupar um espaço entre o bolsonarismo e o centrão. Não se trata de ruptura. Não se trata de traição. É política em estado puro, fria, calculada e antecipada. Até que ponto essa movimentação no tabuleiro político prejudica a candidatura de Flávio Bolsonaro? A soma dos três potenciais presidenciais – Caiado, Leite e Ratinho Jr. – não ameaça a candidatura do PL de Flávio Bolsonaro, mas anima a Faria Lima. Continuo acreditando na eleição de Flávio Bolsonaro.