Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reuniram‑se nesta quinta‑feira para decidir sobre a crise institucional provocada pelo caso Master, que envolve o ministro Dias Toffoli. Toffoli foi afastado da relatoria do caso, e, em seguida, foi divulgada a seguinte nota oficial: “Os 10 Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF. Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência. Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote‑se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.” O professor João Eigen, mestre em ciência política, avaliou que a nota destrói a pouca reputação que ainda restava ao STF e qualificou o episódio como o momento mais vergonhoso de toda a sua história. “Essa nota é horrível e demonstra que o Supremo se tornou uma corte parcial. A nota afirma que a suspeição do Ministro Toffoli não poderia ser arguida devido ao artigo 107 do Código de Processo Penal – usado por analogia –, e usa o artigo 280 através do Presidente Fachin para legitimar e reconhecer a PLENA VALIDADE dos atos praticados por Toffoli. Tá… mas se é assim, por que aceitar que Toffoli deixe a relatoria de um caso que, segundo a própria Corte, não há nada de errado? A nota fala que ‘altos interesses institucionais’ estão em jogo para essa decisão, o que só confirma que a Corte CEDE SOB PRESSÃO mesmo quando julga estar correta. Nenhum tribunal, muito menos uma corte constitucional, deve ceder à pressão popular se ELA ACHA QUE ESTÁ CORRETA, mas ceder e afirmar que, apesar disso, estava tudo correto, é destruir a pouca reputação que lhe restava. Ou você assume o problema, corrige o erro e sofre as consequências devidas – como um Impeachment de Toffoli –; ou você afirma sua justeza e não cede à pressão. Os dois, não dá; é a covardia mais rasteira e nojenta que há: cospe na cara do povo brasileiro e tenta jogar tudo embaixo dos panos como se nada tivesse acontecido enquanto tenta se pagar de bonzinho. É, certamente, o momento mais vergonhoso de toda a história do Supremo Tribunal Federal.”
Polícia Federal corre risco de paralisação por insatisfação com governo petista
A insatisfação é generalizada e só aumenta à medida que novos escândalos surgem e dominam as manchetes. Parece claro que esses episódios retornaram ao centro das atenções. O mais preocupante é que a situação pode se agravar ainda mais. Lauro Jardim alerta que a Polícia Federal está sob risco de paralisação. Confira: Em meio a investigações sensíveis e de grande repercussão nacional em pleno ano eleitoral, como a do caso Master, a PF enfrenta uma crise interna que tende a se agravar nas próximas semanas. Nos bastidores, cresce a insatisfação com o governo Lula, em um ambiente marcado por cortes orçamentários e sentimento de falta de prestígio e valorização da categoria. Policiais federais já falam em paralisações e em operação padrão. Uma das principais preocupações é que promessas feitas pelo Executivo sejam descumpridas, como a do projeto de lei anunciado no ano passado pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que cria o Fundo Nacional de Combate ao Crime Organizado. A proposta foi enviada ao Ministério da Gestão e Inovação, mas ainda não saiu do papel e é vista como mais uma sinalização sem garantia de execução.
Oposição deve agir com inteligência para que a vaga de Toffoli se torne indicação de Flávio em 2027
Um eventual impeachment de Toffoli ainda este ano só ajudaria Lula e o Centrão a se posicionarem em um bom lugar no meio da bagunça do Master. Lula quer garantir a vaga de seu primeiro indicado, Bessias, e ao mesmo tempo buscar uma segunda vaga, de modo que não haja confusão com Alcolumbre, que colaboraria no acordo. É preciso organizar o processo para que esse impeachment ocorra no próximo ano. Assim, a indicação seria controlada por eles, evitando que o escândalo se transforme em um problema maior. Parte do Centrão deve trabalhar para que o ministro seja afastado, usando apoio de campanha para convencer candidatos.