A mudança na relatoria do chamado “caso Master” no Supremo Tribunal Federal marca um novo capítulo em um dos processos mais sensíveis do momento. Após a saída do ministro Dias Toffoli da condução do caso, o processo passa agora às mãos do ministro André Mendonça. A substituição ocorre em meio a um cenário de forte repercussão política e jurídica. O caso ganhou ainda mais visibilidade depois de questionamentos envolvendo a condução do processo e pedidos formais de suspeição apresentados no âmbito das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro. A saída de Toffoli, portanto, não foi apenas um movimento administrativo, mas um gesto com impacto institucional relevante. Com a redistribuição, André Mendonça assume a responsabilidade de analisar os desdobramentos das investigações e eventuais pedidos pendentes. Conhecido por seu perfil técnico e postura discreta nos julgamentos, o ministro terá agora a tarefa de conduzir um processo que envolve temas sensíveis, interesses econômicos expressivos e possíveis implicações para o sistema financeiro. No Supremo, mudanças de relatoria costumam alterar o ritmo e, em alguns casos, a estratégia processual. Cada ministro imprime seu próprio estilo na condução dos autos, seja na análise de provas, na definição de prazos ou na forma de pautar decisões no plenário. Nos bastidores de Brasília, a movimentação é vista como um ponto de inflexão. A depender das próximas decisões, o caso pode ganhar novos contornos ou acelerar etapas que estavam sob análise preliminar. O fato é que, com André Mendonça à frente do processo, o caso Master entra em uma nova fase. E, como costuma acontecer no Supremo, cada movimento agora será acompanhado de perto por políticos, operadores do Direito e pelo mercado. Veja o vídeo:
Mestre em ciência política afirma que nota oficial do STF destrói a pouca reputação que restava
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reuniram‑se nesta quinta‑feira para decidir sobre a crise institucional provocada pelo caso Master, que envolve o ministro Dias Toffoli. Toffoli foi afastado da relatoria do caso, e, em seguida, foi divulgada a seguinte nota oficial: “Os 10 Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF. Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência. Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote‑se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.” O professor João Eigen, mestre em ciência política, avaliou que a nota destrói a pouca reputação que ainda restava ao STF e qualificou o episódio como o momento mais vergonhoso de toda a sua história. “Essa nota é horrível e demonstra que o Supremo se tornou uma corte parcial. A nota afirma que a suspeição do Ministro Toffoli não poderia ser arguida devido ao artigo 107 do Código de Processo Penal – usado por analogia –, e usa o artigo 280 através do Presidente Fachin para legitimar e reconhecer a PLENA VALIDADE dos atos praticados por Toffoli. Tá… mas se é assim, por que aceitar que Toffoli deixe a relatoria de um caso que, segundo a própria Corte, não há nada de errado? A nota fala que ‘altos interesses institucionais’ estão em jogo para essa decisão, o que só confirma que a Corte CEDE SOB PRESSÃO mesmo quando julga estar correta. Nenhum tribunal, muito menos uma corte constitucional, deve ceder à pressão popular se ELA ACHA QUE ESTÁ CORRETA, mas ceder e afirmar que, apesar disso, estava tudo correto, é destruir a pouca reputação que lhe restava. Ou você assume o problema, corrige o erro e sofre as consequências devidas – como um Impeachment de Toffoli –; ou você afirma sua justeza e não cede à pressão. Os dois, não dá; é a covardia mais rasteira e nojenta que há: cospe na cara do povo brasileiro e tenta jogar tudo embaixo dos panos como se nada tivesse acontecido enquanto tenta se pagar de bonzinho. É, certamente, o momento mais vergonhoso de toda a história do Supremo Tribunal Federal.”
Polícia Federal corre risco de paralisação por insatisfação com governo petista
A insatisfação é generalizada e só aumenta à medida que novos escândalos surgem e dominam as manchetes. Parece claro que esses episódios retornaram ao centro das atenções. O mais preocupante é que a situação pode se agravar ainda mais. Lauro Jardim alerta que a Polícia Federal está sob risco de paralisação. Confira: Em meio a investigações sensíveis e de grande repercussão nacional em pleno ano eleitoral, como a do caso Master, a PF enfrenta uma crise interna que tende a se agravar nas próximas semanas. Nos bastidores, cresce a insatisfação com o governo Lula, em um ambiente marcado por cortes orçamentários e sentimento de falta de prestígio e valorização da categoria. Policiais federais já falam em paralisações e em operação padrão. Uma das principais preocupações é que promessas feitas pelo Executivo sejam descumpridas, como a do projeto de lei anunciado no ano passado pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que cria o Fundo Nacional de Combate ao Crime Organizado. A proposta foi enviada ao Ministério da Gestão e Inovação, mas ainda não saiu do papel e é vista como mais uma sinalização sem garantia de execução.
Oposição deve agir com inteligência para que a vaga de Toffoli se torne indicação de Flávio em 2027
Um eventual impeachment de Toffoli ainda este ano só ajudaria Lula e o Centrão a se posicionarem em um bom lugar no meio da bagunça do Master. Lula quer garantir a vaga de seu primeiro indicado, Bessias, e ao mesmo tempo buscar uma segunda vaga, de modo que não haja confusão com Alcolumbre, que colaboraria no acordo. É preciso organizar o processo para que esse impeachment ocorra no próximo ano. Assim, a indicação seria controlada por eles, evitando que o escândalo se transforme em um problema maior. Parte do Centrão deve trabalhar para que o ministro seja afastado, usando apoio de campanha para convencer candidatos.