A expressão “cair a ficha” tem origem nos antigos telefones públicos, que exigiam a queda de uma ficha introduzida em uma fenda para completar a ligação. Hoje, a expressão ganhou sentido figurado e significa conectar ideias e tirar uma conclusão. Para muitos gaúchos, a ficha finalmente caiu: a direção nacional do PT proibiu Edegar Pretto de se candidatar a governador do Rio Grande do Sul, determinando que ele seja apenas vice na chapa encabeçada por Juliana Brizola, do PDT. Foi revelador observar as chamadas “raposas felpudas” — expressão que os próprios petistas apreciam — atacando a “imperialidade” do comando nacional. Raul Pont e Olívio Dutra, para satisfação raivosa de seus apoiadores, protestaram. Tarso Genro chegou a acusar “intervenção” da cúpula nacional. Mas qual a novidade? O estatuto do PT prevê exatamente essa “verticalidade”, algo que esses mesmos caciques nunca criticaram antes. Como levá-los a sério agora? O autoritarismo que os líderes petistas agora denunciam está longe de ser o aspecto mais criticável do partido. A lista de desvios do PT é imensa. Alguns exemplos bastam para ilustrar. O PT “fez o diabo” — utilizando o próprio vocabulário petista — para tumultuar a CPMI do INSS, que investigava o roubo aos aposentados, possivelmente porque os principais suspeitos sejam apoiadores do governo petista. O partido também se opõe a uma CPI para investigar o Banco Master e aquele que é considerado o maior golpe financeiro já registrado no país. Isso sem mencionar o histórico de escândalos: mensalão, petrolão e outros. Mas o discurso permanece sempre o mesmo: “os mais pobres”, “a massa trabalhadora”, “as elites”, “as minorias”, e o perpétuo ódio direcionado a quem pensa diferente. Em um mundo digital, o PT permanece analógico, alimentando delírios revolucionários como se ainda estivéssemos em 1917. As disposições de seu estatuto e a arrogância do comando equiparam o PT ao partido único que asfixia Cuba, ao partido único que sangra a Coreia do Norte e ao partido único que mantém a massa operária chinesa sob controle rígido. Surpreendentemente, por apresentar mais semelhanças que diferenças em sua “organicidade” — outro termo do jargão petista —, o PT se conduz de modo similar ao partido de Mussolini e ao de Adolf Hitler: todos com comando centralizado, todos com viés revolucionário, todos empenhados em formar um Estado totalitário que controle até o pensamento das pessoas e, por esse meio, forjar um indivíduo adaptado ao regime. O intrigante é que existe um contingente considerável que se recusa a fazer um exame comparativo entre o discurso e a prática do PT, talvez por medo de, ao admitir contradições, ser forçado a abandonar suas ilusões juvenis. Essa fragilidade de caráter está presente especialmente na população jovem com acesso à formação universitária — mas não apenas nela. Nos antigos telefones públicos, que funcionaram dessa forma até a década de 1990, às vezes a ficha não descia porque a fenda de entrada estava entupida de sujeira. E a ligação não se completava. Algo semelhante ocorre com muita gente hoje, cuja mente está obstruída por um acúmulo de crenças e travada pela preguiça de duvidar das narrativas. São pessoas obtusas para quem, se os fatos conflitam com suas convicções, então os fatos é que estão errados. Para essas pessoas, “a ficha não cai” mesmo. Mas há quem, tendo um dia acreditado no discurso de “participação de todos”, “construção coletiva” e tantos outros clichês partidários, ao ver agora o comando nacional patrulhando o PT gaúcho, perceba que no partido tudo é centralizado — meia dúzia manda e o resto obedece ou se dá mal — e que tudo gira em torno de um “projeto de poder”, não de um “projeto de país”. A ordem imperial da direção nacional do PT, que a subserviência dos petistas gaúchos já assimilou, serviu como gatilho para que alguns iniciassem uma revisão de suas próprias crenças, em um genuíno exercício de honestidade intelectual. Para estes, “a ficha caiu”. Antes tarde do que nunca!
STF articula mudanças na Polícia Federal para frear investigações sobre ministros no caso Banco Master
O sistema de segurança pública, instituído pela Constituição Federal de 1988, define os órgãos responsáveis pela atividade policial no país, cujas normas disciplinam sua organização, deveres e funções. No âmbito estadual, as polícias militares realizam o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Já às polícias civis cabem as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. As polícias militares são consideradas forças reservas e auxiliares do Exército, de caráter híbrido – embora militares, são responsáveis pelo patrulhamento ostensivo, atividade de nítida natureza civil. A Polícia Federal (PF) atua no combate ao crime organizado, focada na descapitalização financeira, prisão de lideranças e cooperação internacional para impedir as atividades das facções e milícias, apreendendo bens, veículos e valores das organizações criminosas. Sua atuação se baseia na Constituição Federal (Art. 144). Além do combate ao crime organizado, a PF atualmente investiga crimes atribuídos a membros do Poder Judiciário. Este, para se livrar das investigações, vem praticando uma das maiores performances de contorcionismo jurídico da história republicana, tentando criar situações que impeçam a investigação do comportamento de alguns ministros e magistrados. Durante anos o Judiciário, notadamente o STF, ergueu o estandarte da “salvaguarda da democracia” e da “justiça” contra qualquer tentativa golpista. Mas quando a investigação bate à porta dos luxuosos gabinetes de Brasília, a “defesa da democracia” ganha contornos suspeitamente convenientes. Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro imaginou mudanças na chefia da Polícia Federal, foi um Deus nos acuda. A reação do Supremo foi imediata: “Golpe!”; “Ameaça institucional” bradaram os tribunais. Mexer na PF era uma interferência indevida, um atentado à sua autonomia investigativa. Na visão da toga, era o próprio pecado capital contra o Estado de Direito. Depois do caso Master, a situação mudou. Como esse fato pode abalar a República ao envolver em águas turvas conversas particulares e um DNA que carrega marcas digitais do governo e das mais altas autoridades do Judiciário, o negócio é blindar as autoridades envolvidas enquanto a PF está sob um comando que muitos consideram alinhado aos interesses do Planalto. Conforme noticiado pela imprensa, quando Bolsonaro queria mexer na PF era golpismo, mas quando o STF quer “ajustes institucionais” na corporação porque as investigações estão chegando aos seus quintais, é apenas uma “necessidade de reorganização”. Se conseguirem seu intento, a autonomia da PF vai para o brejo. A justificativa para intervir é que a PF concentra “poder demais”. A divulgação de que ministros como Gilmar Mendes, Toffoli e Alexandre de Moraes articulam a necessidade de “ajustes” na PF revela uma estratégia bastante simples: se a investigação é perigosa, deslegitime o investigador; se o processo aponta crimes, a culpa é da “invasão de privacidade”. O tweet recente de Gilmar Mendes, clamando contra a exposição de conversas privadas no caso do Banco Master, não é apenas um lamento por uma suposta ética violada – é o sinal de alerta para uma possível anulação global. O terreno está sendo preparado. O ministro Alexandre de Moraes acaba de desenterrar a ADPF 919, protocolada pelos advogados do PT – Lenio Streck, André Trindade e Fabiano Santos, presidente dos Correios no governo Lula no tempo da Lava Jato. O objeto dessa ação é “fixar critérios” e coibir o “uso arbitrário” de acordos que violem garantias fundamentais. Ironicamente, Moraes usou as delações premiadas como espinha dorsal para condenar Jair Bolsonaro, militares, ex-ministros e manifestantes do 8 de janeiro – mas agora quer freios, principalmente depois das divulgações do caso envolvendo Vorcaro e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, bem como de outras autoridades de Brasília. A ação, parada por quase cinco anos, questiona a Lei 12.850/2013 e pede que delações sejam apenas “acessórias”, exigindo corroboração plena para valer como prova. Na ação, o PT alega condenações frágeis na Lava Jato, mas o timing de Moraes grita como mais um oportunismo para tentar desacreditar a delação de Daniel Vorcaro. A expectativa é que o banqueiro lobista detalhe os supostos esquemas de favorecimento dizendo tudo o que sabe, fez e conseguiu. A PF lidera o ranking de confiança entre os brasileiros, com 56% de aprovação, conforme pesquisa da AtlasIntel em parceria com o jornal O Estado de São Paulo. Sua atuação é exercida como um “sacerdócio” para quem tem vocação em enfrentar os perigos e proteger o Brasil contra a corrupção.
Cantora nordestina enfrenta terceiro diagnóstico de câncer e dá exemplo de fé e coragem: “Já posso pedir música no Fantástico”
A cantora nordestina Ananda Paixão foi diagnosticada com câncer pela terceira vez. Ela recebeu o diagnóstico em novembro de 2025. O tumor está localizado no fígado, com metástase em cinco pontos do corpo. Este é o terceiro diagnóstico oncológico que a artista enfrenta desde 2020. Aos 23 anos, ela tratou um tumor no reto em estágio avançado. Em 2022, passou por cirurgia para retirada de tumor no fígado. “Fui diagnosticada pela terceira vez com câncer, metástase. Para quem não sabe do diagnóstico, eu tive câncer em 2020, fiz um ano de tratamento, depois tive metástase no fígado e a tirei com ablação”, disse Ananda em vídeo publicado no Instagram. A cantora explicou que permaneceu três anos sem sinais da doença. “Estava há três anos bem, sem nada. Mas o tumor voltou, no fígado, com metástase em cinco pontos no meu corpo”, afirmou. O protocolo quimioterápico começou há seis meses. Ananda realiza sessões de quimioterapia a cada 15 dias. A artista informou que o tratamento apresenta resultados positivos. “Deixando vocês calmos com o coração tranquilo, eu estou bem, porque eu estou em tratamento e ele está dando certo. Graças a Deus, já está se encaminhando para lugar bacana. A doença está sumindo. Já tem sido um milagre”, declarou. A cantora relatou que enfrentou dificuldades para decidir tornar público o diagnóstico. “Estava muito indecisa se eu gravava esse vídeo ou não, várias vezes liguei a câmera e travava. Estava me agredindo viver essa luta na vida real, e vir aqui só para dividir os momentos bons, como se nada estivesse acontecendo. Todos os vídeos que gravei foram entre as [sessões de] quimio e momentos de dor”, afirmou. Ananda ganhou visibilidade após os tratamentos anteriores. Ela afirmou que sentiu responsabilidade em compartilhar o novo período de tratamento. “Não falar que a cura não é uma vitória completa seria injusto. Sempre tive esse discurso de fé, e é a minha realidade, sempre encarei a minha doença assim e dessa vez não é diferente”, disse. A artista expressou o desejo de servir como referência para outras pessoas em tratamento oncológico. “Quem sabe, eu posso servir de exemplo para pessoas que estão passando pela quimioterapia, que estão passando pela doença assim como eu estou passando nesse exato momento. Que a gente possa ser força uma para a outra”, declarou. Ananda está prestes a lançar um novo álbum. As músicas foram compostas antes ou após sessões de quimioterapia durante oito meses. A cantora estabeleceu limites sobre o que compartilhará nas redes sociais. “Estou aqui falando agora, porque eu estou confortável. Deixo muito claro que não vou fazer diário da minha doença, do meu processo de luta, mas eu quero poder mostrar o meu dia de estúdio e falar que depois eu estou indo para a quimioterapia”, afirmou. “E a vida segue e a vida é assim, ela tem as suas dificuldades, ela não é só maravilhosa e bonita. Ela tem os momentos de dor e de dificuldade e não tem sido fácil, nem um pouco”, acrescentou. Ananda fez referência bem-humorada à terceira remissão. “A doença está sumindo pela terceira vez, meu Deus, eu já posso pedir música no Fantástico”, brincou.