O jornalista Luís Pablo, de São Luís, publicou uma reportagem investigativa sobre uma “mochila misteriosa” que foi entregue nas dependências da vice-governadoria do Maranhão. A matéria incluía fotografias de um homem se aproximando do local com o objeto.
No próprio texto da reportagem, Pablo deixou claro que “a movimentação, por si só, não configura irregularidade”. O jornalista se limitou a fazer uma pergunta legítima: o que havia dentro da mochila?

Em vez de simplesmente responder à pergunta jornalística, o vice-governador Felipe Camarão (PT) — aliado histórico do ministro Flávio Dino, tendo comandado quatro secretarias no governo dele — partiu para o ataque. Camarão foi às redes sociais acusar Pablo de “espionagem” e acionou imediatamente a Justiça.

A juíza responsável pelo caso acatou o pedido de Camarão e determinou medidas severas contra o jornalista: retirada da reportagem do ar em até dois dias, suspensão da publicação no Instagram do profissional e multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento.

A justificativa apresentada pela magistrada foi que as falas do jornalista “ultrapassam o bom senso” e que políticos não podem sofrer “ofensas injustas”.

O problema é que não havia ofensa no texto — havia apenas uma pergunta jornalística legítima sobre um fato fotografado.

Este é o mesmo Luís Pablo que há menos de duas semanas foi alvo de operação da Polícia Federal por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, o jornalista foi acusado de “perseguir” a família de Flávio Dino.
Agora, dois instrumentos diferentes — o Supremo Tribunal Federal e a Justiça estadual — chegam ao mesmo resultado: silenciar um jornalista que faz perguntas que, aparentemente, não deveriam ser feitas.
