O ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, usou o poder para retirar uma associação da Bahia do cadastro de trabalho análogo à escravidão. A entidade foi fundada pelo presidente de um diretório do PT no estado. A decisão provocou crise interna no ministério. A Associação Comunitária de Produção e Comercialização do Sisal (Apaeb) fica no município de Valente. A entidade foi autuada e multada em 2024. Uma fiscalização identificou que a Apaeb mantinha trabalhadores da colheita da fibra de sisal em condições análogas à escravidão. As infrações foram canceladas por determinação do ministro. Marinho assumiu o poder de decisão sobre o caso ao acionar o mecanismo da avocatória. Esse instrumento permite que o ministro retire de instâncias inferiores a competência para julgar determinado processo. O ministro anulou as infrações. Ele encaminhou o caso à corregedoria do ministério para avaliação da conduta dos auditores fiscais que realizaram a fiscalização. Servidores da área interpretaram a medida como assédio institucional. A percepção entre os funcionários é que a avaliação da atuação dos fiscais representa uma forma de pressão sobre o trabalho técnico realizado pela equipe. A decisão gerou desconforto interno na pasta. Na semana anterior, o ministro adotou procedimento idêntico em relação a uma empresa de asfalto de Goiás. A companhia teve sua autuação anulada por avocatória. Ela não chegou a ser incluída no cadastro de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Esta foi a quarta vez que Marinho utilizou esse mecanismo em período inferior a um ano. Na segunda-feira (13), o secretário de inspeção do Trabalho foi dispensado do cargo. A pasta é responsável pelo cadastramento das empresas no registro de trabalho análogo à escravidão. A exoneração ocorreu em meio à crise interna no ministério provocada pelas intervenções do ministro em processos de fiscalização já concluídos pelas equipes técnicas. A Apaeb não consta mais no cadastro de empresas que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão. A exclusão ocorreu após o cancelamento das infrações determinado por Marinho.
Operação da PF prende MC Ryan e Poze do Rodo: pancadões e lavagem de dinheiro confirmam denúncias da CPI de Rubinho Nunes
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Narcofluxo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de valores que pode ultrapassar R$ 1,6 bilhão. A operação ocorre em diversos estados e tem como alvos os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do proprietário da produtora Love Funk. Poze do Rodo foi preso em sua residência no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro. A defesa do artista informou que ainda não teve acesso aos autos ou ao teor do mandado de prisão. A operação da Polícia Federal dialoga diretamente com investigações recentes sobre a estrutura criminosa por trás dos chamados pancadões. Em São Paulo, a CPI dos Pancadões, proposta pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), apresentou relatório final após mais de um ano de apuração, apontando indícios concretos de ligação entre festas clandestinas e atividades do crime organizado, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo o vereador, “moradores relatam com frequência os impactos dessas festas, especialmente nos fins de semana, quando o som alto se estende por toda a madrugada”, além de denúncias de prostituição, tráfico e aliciamento de menores. MC Ryan, um dos presos na operação desta quarta-feira, já havia sido ouvido pela CPI no ano passado. Na ocasião, ao ser questionado por Rubinho Nunes — “O senhor reconhece que artistas de grande projeção têm o dever social de se manifestar de forma clara e firme contra o crime organizado?” — o artista respondeu: “Eu prefiro não falar sobre”. As conclusões da CPI indicam que, além da perturbação do sossego, esses eventos podem integrar uma rede mais ampla de financiamento e legitimação de atividades ilícitas — ponto que ganha relevância diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Narcofluxo.