A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Narcofluxo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de valores que pode ultrapassar R$ 1,6 bilhão. A operação ocorre em diversos estados e tem como alvos os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do proprietário da produtora Love Funk.
Poze do Rodo foi preso em sua residência no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro. A defesa do artista informou que ainda não teve acesso aos autos ou ao teor do mandado de prisão.
A operação da Polícia Federal dialoga diretamente com investigações recentes sobre a estrutura criminosa por trás dos chamados pancadões. Em São Paulo, a CPI dos Pancadões, proposta pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), apresentou relatório final após mais de um ano de apuração, apontando indícios concretos de ligação entre festas clandestinas e atividades do crime organizado, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo o vereador, “moradores relatam com frequência os impactos dessas festas, especialmente nos fins de semana, quando o som alto se estende por toda a madrugada”, além de denúncias de prostituição, tráfico e aliciamento de menores.
MC Ryan, um dos presos na operação desta quarta-feira, já havia sido ouvido pela CPI no ano passado. Na ocasião, ao ser questionado por Rubinho Nunes — “O senhor reconhece que artistas de grande projeção têm o dever social de se manifestar de forma clara e firme contra o crime organizado?” — o artista respondeu: “Eu prefiro não falar sobre”.
As conclusões da CPI indicam que, além da perturbação do sossego, esses eventos podem integrar uma rede mais ampla de financiamento e legitimação de atividades ilícitas — ponto que ganha relevância diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Narcofluxo.
