Com a abertura de mais uma investigação contra Flávio Bolsonaro, o aparato estatal deixa claro que pretende repetir a censura e perseguição contra a direita vista em 2022. Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal abrisse inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro por calúnia contra Lula. O motivo? Uma postagem de 3 de janeiro em que o parlamentar associou o presidente a Nicolás Maduro e ao tráfico internacional de drogas. Na prática, Flávio Bolsonaro disse o que qualquer brasileiro minimamente informado sabe: que Lula e Maduro são aliados de longa data, e que o ditador venezuelano foi acusado pelos Estados Unidos de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. É necessário lembrar que a Constituição brasileira garante imunidade a parlamentares por quaisquer palavras. E que Lula jamais foi questionado por chamar Jair Bolsonaro de “genocida”, “miliciano”, “fascista”, “mentiroso”, “negacionista”, “desumano”, “pessoa do mal” e “covarde”. O PL entrou com representações no TSE pedindo a remoção dos vídeos com essas acusações, em 2022. O TSE negou o pedido por 4 votos a 3, mantendo os vídeos no ar. A relatora Cármen Lúcia entendeu que as declarações estavam dentro dos limites da liberdade de expressão. Formaram a maioria os ministros Benedito Gonçalves, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes. A resposta do sistema ao post de Flávio Bolsonaro veio à tona agora: criminalizar a crítica. O inquérito foi aberto a pedido da própria Polícia Federal, com requisição do Ministério da Justiça – ou seja, o governo acionou a PF, que acionou o Supremo, que acionou Moraes. Tudo dentro da mesma engrenagem. O procurador-geral da República Paulo Gonet, como de costume, deu parecer favorável, afirmando haver “indícios concretos” de prática criminosa. Indícios de quê? De que um senador da República ousou criticar o presidente. Estamos diante de uma repetição exata do que aconteceu em 2022. Vale lembrar: naquela eleição, o TSE sob comando de Moraes proibiu menções à ligação Lula-Maduro, bloqueou em massa contas de apoiadores de Bolsonaro e criou um ambiente de desequilíbrio eleitoral sem precedentes. Eduardo Tagliaferro, então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, confessou perante o Congresso: ele operava ativamente para censurar a direita. Agora, Tagliaferro é réu no STF – processado não pelas irregularidades que cometeu a mando de Moraes, mas por supostamente ter deixado vazar as provas. O próprio Flávio Bolsonaro reconheceu isso em sua nota, ao afirmar que o procedimento “evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022”. A diferença é que agora o alvo é o principal adversário eleitoral de Lula. As pesquisas explicam a urgência do sistema. O Datafolha de 7 a 9 de abril mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno: 46% a 45%. Em março, Lula ainda liderava por 46% a 43%. Ou seja, a tendência é de crescimento contínuo de Flávio e queda de Lula. A Quaest confirmou o cenário. Mesmo pesquisas que historicamente “erram” para a esquerda – e nas últimas eleições “erraram” por dois dígitos no primeiro turno – já mostram o favoritismo da direita. É nesse contexto que o inquérito contra Flávio precisa ser lido: não como um ato jurídico, mas como um ato político. Enquanto isso, o que acontece com os ministros que estão literalmente envolvidos com o Banco Master? A CPI do Crime Organizado, que funcionou por cinco meses no Senado com 18 reuniões e 19 depoimentos, terminou ontem sem aprovar seu relatório final. O senador Alessandro Vieira apresentou um documento de 221 páginas pedindo o indiciamento por crimes de responsabilidade de três ministros do STF – Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes – e do procurador-geral da República Paulo Gonet. O relatório foi rejeitado por 6 votos a 4, numa articulação que envolveu o governo Lula, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e os próprios ministros do Supremo. Na prática, o sistema blindou a si mesmo usando o Senado. Os fatos que motivaram o pedido de indiciamento são gravíssimos. Toffoli era o relator do caso Banco Master no Supremo e, ao mesmo tempo, sócio da empresa Maridt Participações, que vendeu cotas de um resort de luxo no Paraná – o Tayayá, em Ribeirão Claro – a um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, o banqueiro dono do Master, preso desde março. Quando a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e encontrou citações a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro mandou lacrar o material apreendido em seu gabinete e criou dificuldades para a perícia. Só deixou a relatoria após a pressão se tornar insustentável, em fevereiro deste ano. Moraes, por sua vez, carrega o peso do contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, a partir de 2024. Dados da Receita Federal obtidos pela CPI indicam que o escritório efetivamente recebeu R$ 80,2 milhões do banco entre 2024 e 2025 – cerca de dez vezes mais que a média paga às 60 outras bancas contratadas pelo Master. O contrato não especificava causas ou processos: o escritório deveria representar o banco “onde for necessário”. E Vorcaro tratava esses pagamentos como prioridade absoluta, orientando sua equipe que os repasses “não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”. A explicação apresentada pelo escritório foi risível: 94 reuniões, 36 pareceres e 22 manuais em 22 meses. Especialistas até simpáticos ao ministro consideraram os valores incompatíveis com os serviços descritos. E Gilmar Mendes? Concedeu um habeas corpus que impediu a CPI de quebrar o sigilo da Maridt Participações – justamente a empresa de Toffoli envolvida com o resort e o fundo ligado ao Master. Na prática, um ministro do Supremo protegeu outro ministro do Supremo de uma investigação parlamentar legítima. O procurador-geral da República Gonet, que deveria ser uma força independente, se recusou a abrir investigações contra qualquer um dos ministros, alegando “não ter visto indícios de crime”. É o mesmo Gonet que foi sócio de Gilmar
Jornalismo mineiro de luto: morre mais uma profissional aos 57 anos
Ainda sob o impacto da morte de uma equipe da Band em acidente de trânsito, o jornalismo mineiro se despede de mais uma profissional. A jornalista Adriana Cecy Renan morreu na madrugada desta sexta-feira (17), aos 57 anos, em Belo Horizonte (MG). Ela estava internada desde a última segunda-feira (6/4), no Hospital Orizonti, na região Centro-Sul da capital, onde tratava um câncer de mama com metástase no fígado. Adriana não deixa filhos. Nascida em 29 de maio de 1969, em Belo Horizonte (MG), Adriana Renan construiu uma carreira consolidada no jornalismo mineiro, com passagens pela TV Assembleia, pela TV Globo e pelo jornal O Tempo. Ficou marcada pela atuação em cargos de liderança e pela influência na formação de profissionais nas redações por onde passou.