Oito de janeiro deveria ser celebrado como um mosaico de cultura, arte e história, mas hoje é lembrado quase exclusivamente pelo episódio do chamado “golpe”, que tem apagado da memória coletiva as verdadeiras pérolas que essa data carrega.
A MÚSICA COMO LEGADO
Foi em 8 de janeiro que nasceram dois dos maiores ícones da música mundial: Elvis Presley, em 1935, e David Bowie, em 1947. O primeiro reinventou o rock e tornou‑se símbolo de uma geração; o segundo ultrapassou os limites da música, tornando‑se referência estética e cultural. Apenas esses nomes já justificariam que o dia fosse celebrado como patrimônio da humanidade.
COMUNICAÇÃO E LIBERDADE
Em 1916, uma das primeiras transmissões públicas de rádio nos Estados Unidos inaugurou a era da comunicação de massa. Já em 1908, no Brasil, nasceu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), marco da defesa da liberdade de expressão e da dignidade jornalística. Oito de janeiro, portanto, também é um dia da palavra, da notícia e da resistência.
HISTÓRIA E MEMÓRIA
A Batalha de Nova Orleans, em 1815, encerrou a Guerra Anglo‑Americana e consolidou Andrew Jackson como herói nacional nos Estados Unidos. Em 1839, a França anunciou oficialmente o daguerreótipo, o primeiro processo fotográfico viável, abrindo caminho para a arte da imagem que molda nossa memória até hoje.
O APAGAMENTO PELA NARRATIVA DO “GOLPE”
Infelizmente, todos esses marcos foram relegados ao esquecimento. Oito de janeiro passou a ser associado quase exclusivamente ao episódio político que dividiu o país e que, mais do que um fato, tornou‑se uma narrativa conveniente. Pessoas nascidas nesse dia – artistas, pensadores, cidadãos comuns – viram sua data ser sequestrada por manchetes que insistem em reduzir o calendário a um único acontecimento.
O EX‑PRESIDENTE E O ABANDONO INSTITUCIONAL
A situação atual do ex‑presidente constitui outro capítulo dessa história. Em meio às disputas políticas, sua saúde debilitada tornou‑se objeto de descaso. As autoridades vigentes preferem o silêncio ao reconhecimento de que, independentemente de posições ideológicas, um ex‑chefe de Estado merece acompanhamento digno. Esse abandono não é apenas físico, mas simbólico: representa a tentativa de apagar uma figura da memória nacional, como se a história pudesse ser reescrita pela conveniência dos que hoje ocupam o poder.
Oito de janeiro não pode ser lembrado apenas como o dia de um “pseudo golpe”. É preciso resgatar Elvis, Bowie, a ABI, o rádio, a fotografia e a batalha que marcou a independência de uma nação. Datas carregam significados múltiplos e a história não deve ser sequestrada por narrativas únicas.
O oito de janeiro é muito maior do que a versão oficial que tentam impor. É um dia de cultura, liberdade e memória – e não de apagamento.
Importante: também é o dia do meu aniversário.
