Algumas notícias são tão revoltantes que não podem ser ignoradas. Em Murici, Alagoas, João Victor dos Santos arrecadou R$ 113 mil por meio de uma campanha de solidariedade destinada ao seu filho, de 1 ano e 5 meses.
O menino teve as mãos e os pés amputados em consequência do agravamento de um quadro de pneumonia.
O valor arrecadado deveria cobrir procedimentos médicos e tratamentos especializados para a recuperação da criança.
João Victor foi preso no dia 23, após denúncia feita pela mãe da criança, e constatou‑se que não havia mais dinheiro.
Todo o montante foi gasto pelo pai em plataformas de apostas online, em especial nos chamados “jogos do tigrinho”.
Na conta bancária permaneceram apenas R$ 300.
O autor foi indiciado pelos crimes de furto qualificado contra vulnerável, abandono material e estelionato.
Mesmo em países com alto nível educacional as apostas são consideradas perigosas e recebem regulamentação; no Brasil, onde o nível de escolaridade é baixo, as plataformas de jogos de azar representam uma verdadeira catástrofe.
Desde que o governo Lula regulamentou as apostas, há um ano, mais de 25 mil sites ilegais foram bloqueados por práticas irregulares, como publicidade ilícita nas redes sociais, contratação de influenciadores, empresas sem regularização e transações bancárias proibidas.
A fiscalização, coordenada principalmente pelo Ministério da Fazenda, tem como objetivo a arrecadação de impostos e a prevenção de sonegação, mas o impacto social dessas plataformas costuma ser ignorado.
As apostas online tendem a crescer, e explorar a vulnerabilidade da população sempre foi um grande negócio, abrangendo desde bancos até fraudes contra idosos pelo INSS.
Casos como o da criança de Murici mostram que os jogos de azar deveriam ser proibidos integralmente.
Além disso, a publicidade dessas plataformas raramente aparece na televisão aberta, ao contrário da intensa exposição que recebem os jogos de futebol.
