O presidente Luiz Inácio Lula demonstrou irritação com a condução do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente do inquérito que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo relatos de pessoas próximas, Lula fez críticas severas ao magistrado e chegou a afirmar que ele deveria avaliar a possibilidade de deixar a Suprema Corte.
O descontentamento no Planalto está ligado, sobretudo, às informações divulgadas sobre supostos vínculos de familiares de Toffoli com fundos ligados ao banco investigado, bem como ao elevado grau de sigilo imposto ao andamento do processo. Entre os aliados do presidente, cresceu a percepção de que a apuração poderia terminar em uma “grande pizza”, expressão usada para indicar a ausência de responsabilizações efetivas.
Apesar do clima tenso, Lula e Toffoli se encontraram em dezembro, no Palácio do Planalto, em uma reunião descrita como cordial. Na ocasião, Lula teria afirmado que esperava a apuração completa de todas as irregularidades e ouviu do ministro a garantia de que nada seria abafado ou deixado de lado.
Mesmo diante das críticas nos bastidores, Toffoli tem declarado a interlocutores que não vê razões para abandonar a relatoria do inquérito. O ministro sustenta que não existem impedimentos formais ou situações que comprometam sua imparcialidade e nega qualquer relação entre sua atuação no processo e viagens, contatos pessoais ou negócios envolvendo familiares.
A relação entre Lula e Toffoli, porém, carrega tensões antigas. Responsável pela indicação do ministro ao STF, o presidente acumula frustrações desde 2019, quando Toffoli negou autorização para que Lula, então preso em Curitiba (PR), comparecesse ao velório do irmão. O episódio foi revisitado em 2022, após a vitória eleitoral de Lula, quando o magistrado apresentou um pedido de desculpas ao petista.
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