Suzane von Richthofen, acusada de furto, corre risco de voltar à prisão

Suzane von Richthofen, que cumpre pena em regime aberto pelo homicídio dos pais, foi denunciada por furto pela prima Silvia Gonzalez Magnani. A denúncia foi registrada na terça‑feira (4) na Polícia Civil de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, Suzane teria retirado indevidamente diversos objetos da residência de seu tio falecido, o médico aposentado Miguel Abdalla Netto.

A acusação surge no meio da disputa pela herança de Miguel, cujo valor gira em torno de R$ 5 milhões. O médico foi encontrado morto em sua casa, no bairro do Campo Belo, em São Paulo, no dia 9 de janeiro de 2026, em circunstâncias ainda sob investigação.

Silvia Gonzalez Magnani detalhou no registro policial que Suzane teria se apropriado de uma máquina de lavar roupas, um sofá, uma poltrona ou cadeira, além de uma bolsa contendo documentos e dinheiro do falecido. As duas primas reivindicam direitos sobre o patrimônio deixado pelo médico.

Imagem da residência do tio Miguel Abdalla Netto

Em processo que tramita na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, Suzane admitiu ter entrado na casa do tio e retirado alguns objetos, inclusive um automóvel Subaru XV. Ela também confirmou ter soldado o portão do imóvel, alegando que tais medidas visavam proteger o que considera ser seu futuro patrimônio, ainda que não exista decisão judicial sobre o inventário.

A nova acusação pode trazer graves consequências para Suzane, que já cumpre 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais. Como beneficiária do regime aberto, ela deve observar condições específicas, entre elas a proibição de cometer novos delitos. Caso a investigação confirme o furto, Suzane poderá ser recolhida ao sistema prisional para cumprir o restante da pena em regime fechado.

Em 2002, após o assassinato de Manfred e Marisa von Richthofen, Suzane tentou acessar a herança dos pais, estimada em aproximadamente R$ 10 milhões. Na época, foi seu tio Miguel quem acionou a Justiça e impediu que a sobrinha tivesse acesso aos bens.

Silvia Gonzalez Magnani afirma ter mantido um relacionamento amoroso com Miguel Abdalla Netto por 14 anos. Ela declara possuir documentação que comprova união estável com o médico e pretende solicitar à Justiça a aplicação do princípio da indignidade, similar ao que afastou Suzane da herança dos pais. Silvia providenciou o sepultamento de Miguel, enquanto Suzane não compareceu ao funeral.

O corpo de Miguel foi descoberto em estado avançado de decomposição, sentado em uma poltrona na própria residência. Um vizinho, que possuía chave do imóvel e estava preocupado com a ausência prolongada do médico, fez a descoberta. O atestado de óbito apontou causa indeterminada, pendente de exames complementares, levando a Polícia Civil a classificar o caso como morte suspeita.

O médico não deixou testamento nem herdeiros diretos reconhecidos – como pais, irmãos, filhos ou companheira oficialmente declarada – o que intensifica a disputa entre as primas pelo direito à herança e pela posição de inventariante do espólio.


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