Geraldo Alckmin já foi utilizado como candidato a vice‑presidência, mas não atende mais aos interesses de Lula e do PT, como se percebe nas movimentações para a formação da chapa do governo nas eleições de outubro.
A constatação de Lauro Jardim tem fundamento.
“Até o fim do ano passado, dirigentes de alto escalão do PT e ministros próximos de Lula repetiam um mantra ao ser questionados se Alckmin seria novamente o vice‑presidente: — O Geraldo ganhou tanta confiança do Lula pela lealdade demonstrada neste mandato, que será o que ele quiser ser. Se quiser ser vice, será; se quiser concorrer a algum cargo em São Paulo, será.”
O jornalista prossegue:
“Não mais. Esse mantra envelheceu rapidamente.”
“O jogo agora é outro. Há um grupo no PT negociando a possibilidade de colocar o MDB na vaga de vice, tudo com o aval de Lula.”
Lula já demonstra essa mudança de postura em entrevista ao UOL:
“— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo, eles sabem. (…) Acho que a gente pode ganhar as eleições em São Paulo se escolhermos um candidato a governador, seja Alckmin, Haddad ou Simone Tebet.”
O PSB, ingenuamente, acredita que Lula respeitará o desejo de Alckmin, mas essa expectativa não corresponde à realidade política.
Alckmin, por sua vez, já comunicou que não pretende disputar a eleição para governador de São Paulo.
Lauro Jardim conclui:
“Ele quer ser vice. Já informou aos mais próximos que não concorreria à disputa estadual. Se não houver continuidade como vice, não se candidatará a nenhum cargo e anunciará sua retirada da política, embora continue a fazer campanha pela reeleição de Lula.”
Parece, portanto, que Alckmin pode se afastar definitivamente da vida política.
