De acordo com o depoimento da jovem de 18 anos, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Marco Aurélio Buzzi teria cometido importunação sexual.
A adolescente declarou à Polícia Civil de São Paulo que o ministro a conduziu a uma área isolada de uma praia, tocou‑a sem consentimento e, em seguida, aconselhou‑a a ser “menos sincera”.
Segundo o relato, a jovem e o ministro foram à praia enquanto os pais da adolescente e a esposa do ministro realizavam tarefas na residência.
Depois de algum tempo na areia, Buzzi teria convidado a garota a entrar no mar, sugerindo que fossem para o lado esquerdo da praia, alegando que ali o mar seria mais calmo. A jovem achou a justificativa estranha, pois o mar não apresentava ondas naquele ponto.
O local escolhido não permitia a visualização do guarda‑sol onde os demais participantes da viagem poderiam estar, conforme o depoimento.
Dentro da água, em área funda, o ministro teria perguntado a idade da garota, comentado que estava com frio e apontado para um casal abraçado nas proximidades.
Em seguida, Buzzi teria puxado a adolescente pelo braço, virado‑a de costas e pressionado o corpo dela contra o seu, afirmando que a achava “muito bonita”. Quando ela tentou se desvencilhar, ele a puxou novamente.
A jovem relata que conseguiu se afastar após várias tentativas de o ministro agarrá‑la. Logo depois, Buzzi teria dito: “Você é muito sincera, deveria ser menos sincera com as pessoas. Eu só vejo a relação com a sua mãe, mas você é muito sincera, deveria ser menos. Isso pode te prejudicar”.
Ao saírem do mar, a adolescente chegou ao guarda‑sol, informou à mãe que precisava trabalhar, cobriu‑se com uma toalha e correu para o condomínio, onde contou o ocorrido ao pai. A família deixou a casa do ministro no mesmo dia.
Conforme o documento, a jovem frequentava o local desde a infância e considerava o ministro um “avô e confidente”. A mãe dela atua nos tribunais superiores, e a relação profissional evoluiu para amizade entre as famílias.
A adolescente afirma à polícia que, desde o incidente, não consegue dormir e está em acompanhamento com psicóloga e psiquiatra.
