O episódio que assolou os Correios está prestes a se repetir em outra estatal: a Eletronuclear.
O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, alertou que a empresa pode se tornar “os Correios” amanhã.
A obra da terceira usina nuclear de Angra, parada desde a Operação Lava‑Jato, consome cerca de R$ 1 bilhão por ano do caixa da companhia. Dessas despesas, 80 % são destinados ao pagamento de dívidas com a Caixa Econômica Federal e o BNDES, e o restante mantém cerca de 14 mil equipamentos que, segundo Caporal, permanecem sem uso.
O débito total da estatal chega a R$ 7 bilhões, obtidos por empréstimos de bancos públicos. A construção está 67 % concluída, mas o governo ainda não decidiu o futuro da obra. Caporal avisa que, em até três meses, a Eletronuclear pode ficar inadimplente. Caso os bancos antecipem a cobrança, o efeito cascata pode atingir as usinas Angra 1 e Angra 2, que são responsáveis por gerar energia para milhões de brasileiros. Não se trata de um simples atraso de entrega, como nos Correios, mas de energia elétrica e segurança nacional.
O dilema é claro: concluir a obra exige um investimento pesado; abandoná‑la significaria desperdiçar quatro décadas de construção; e não fazer nada — prática que o autor atribui ao atual governo — pode levar a empresa à falência em poucas semanas. Enquanto os Correios já acumulam prejuízo de R$ 6 bilhões, outra estatal caminha para destino semelhante, e a conta, como sempre, recairá sobre os contribuintes.
