Malu Gaspar denuncia pressão de Moraes e Toffoli para bloquear CPMI do Master

A jornalista Malu Gaspar afirmou que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, têm pressionado integrantes do Senado, sobretudo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), para impedir a instalação da CPMI do Master.

Segundo o texto, os dois ministros e seus familiares mantêm conexões com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e temem a abertura de uma nova frente de investigação no Congresso Nacional.

A pressão de uma ala do Supremo contra a CPMI foi confirmada pela equipe da coluna por meio de três fontes que acompanham de perto a discussão nos bastidores, entre interlocutores de Alcolumbre e membros do próprio Senado. Quando contactados, os ministros não se manifestaram.

O pedido de instalação da comissão mista foi protocolado na última terça‑feira (3), com o apoio de 281 parlamentares – 42 senadores e 239 deputados – superando o número mínimo exigido para que o projeto saia do papel (27 senadores e 171 deputados, equivalente a um terço de cada Casa). O PL de Jair Bolsonaro reúne o maior número de assinaturas, com 89.

De acordo com relatos obtidos pelo blog, os ministros alegam que a CPMI, caso seja criada, poderia aprofundar o desgaste da imagem do Supremo, num momento em que a atuação de Toffoli, relator do caso Master, está sob a mira da opinião pública e de colegas do próprio tribunal.

Toffoli tomou uma série de decisões controversas, entre elas a imposição de sigilo às investigações, a convocação de uma acareação antes mesmo da colheita de depoimentos e a ordem para que o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse remetido diretamente ao seu gabinete. Posteriormente, ele recuou, determinando que o material fosse enviado à Procuradoria‑Geral da República (PGR) para análise.

Os magistrados também temem a convocação de seus familiares para prestar esclarecimentos à CPMI. Conforme revelou o blog, o contrato do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master previa o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês durante três anos, totalizando R$ 130 milhões. Essa questão foi deixada de fora no depoimento de Vorcaro prestado ao STF em dezembro do ano passado.

Uma das cláusulas do contrato de Viviane previa atuação em quatro órgãos do Executivo: o Banco Central, o Cade, a Receita Federal e a Procuradoria‑Geral da Fazenda Nacional (PGFN) – mas a efetiva atividade da mulher de Moraes nesses órgãos permanece desconhecida.

Se a CPMI for instalada, a oposição também pretende investigar as ligações de Toffoli com o resort Tayayá. Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, controla fundos de investimento que adquiriram parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort situado em Ribeirão Claro, Paraná.

O local é chamado de “resort do Toffoli” – e o ministro dispõe de uma casa em uma área reservada para hóspedes de alto padrão, como informou a colunista Andreza Matais no site Metrópoles.

Até o momento, nem Hugo Motta, na Câmara, nem Alcolumbre, no Senado, indicaram intenção de instalar a CPMI. Nos bastidores, Alcolumbre afirmou que, se a pressão pela comissão se tornar insustentável, ele poderá autorizar uma CPI composta apenas por senadores, já que tem maior controle sobre a Casa do que Hugo Motta tem sobre a Câmara.

“A CPMI não tem competência para convocar ministros, mas pode convocar aqueles que estão no entorno dos ministros, que têm indícios de participação, envolvimento e relações promíscuas no caso Banco Master”, declarou o deputado federal Carlos Jordy (PL‑RJ), autor do requerimento de abertura da comissão. “Não dá para varrer a sujeira para debaixo do tapete. Toffoli não poderia ser relator do caso Master no STF; tinha de ser investigado.”

No requerimento da CPMI, Jordy também defende a “necessidade de investigar eventuais conexões entre gestores privados, intermediários financeiros, agentes públicos e autoridades” – ponto que os investigadores do caso Master não quiseram explorar no depoimento de Vorcaro ao STF.

Jordy ainda quer que a CPMI apure “a eventual existência de omissões regulatórias, pressões institucionais ou tentativas de interferência indevida no processo de supervisão, decisão e atuação do Banco Central do Brasil, especialmente no tocante à liquidação extrajudicial do Banco Master e à tentativa de sua aquisição por instituição financeira estatal”.

O parlamentar cita a ofensiva de Moraes, que teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípoli, ao menos quatro vezes para exercer pressão em favor do Banco Master, conforme revelou o blog.


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