Vitória Buzzi, filha do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, classificou como “narrativa absurda” a acusação de assédio sexual feita contra seu pai por uma jovem de 18 anos. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja nesta terça‑feira (11).
O STJ decidiu, por unanimidade, pelo afastamento temporário do ministro Buzzi.
“É um absurdo essa narrativa de que a moça teria proximidade ou até intimidade com a família ou com meu pai. É uma moça que nós, as filhas, sequer conhecemos e que nunca fez parte do nosso convívio”, declarou Vitória Buzzi durante a entrevista.
A denunciante, filha de advogados que alegam amizade com o magistrado, afirmou em depoimento que frequentava o Tribunal regularmente e mantinha relação próxima com Buzzi, descrevendo‑o “como um avô e confidente”.
“Nunca existiu essa relação, como foi afirmado, de avô e confidente. A relação da advogada (mãe da jovem) com a família é recente, e não de anos, como querem fazer crer”, afirmou Vitória.
O ministro agora também é alvo de nova investigação por importunação sexual, denunciada por uma ex‑assessora, supostamente ocorrida dentro de seu gabinete no Tribunal.
O STJ formou comissão de sindicância para investigar as acusações, com previsão de apresentar conclusões em sessão marcada para 10 de março.
Um processo criminal tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da prerrogativa de foro que Buzzi possui como ministro do STJ.
Buzzi é o terceiro ministro afastado do cargo em meio a investigações desde a instalação da Corte, em 1989. Ele pode se tornar o segundo magistrado a receber a pena administrativa máxima: aposentadoria compulsória.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou ter colhido o depoimento da ex‑assessora que denunciou Buzzi e informou que “segue realizando diligências”. A segunda denunciante é funcionária terceirizada do STJ que atualmente trabalha em outro setor do Tribunal.
Em nota após a primeira denúncia, o ministro Buzzi disse estar “surpreendido com o teor das insinuações”, afirmando que as acusações “não correspondem aos fatos”. O magistrado repudiou “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
Marco Buzzi completou 68 anos em 4 de fevereiro. Formou‑se em Direito pela Universidade de Itajaí (SC) em 1980. Possui mestrado em Ciência Jurídica e especialização em Direito do Consumidor e Instituições Jurídico‑Políticas. Assumiu o cargo de desembargador em 2002.
O ministro é membro da Comissão Permanente de Divisão e Organização Judiciárias de Santa Catarina e fundador da União dos Magistrados do Mercosul. Participou do Conselho Executivo da Associação dos Magistrados Brasileiros.
Em Santa Catarina, presidiu o Grupo de Câmaras do Tribunal de Justiça em 2008 e a Terceira Câmara de Direito Comercial em 2010. Coordenou os Juizados Especiais do estado entre 2004 e 2010, supervisionando‑os até 2012.
Buzzi lecionou na Universidade do Vale de Itajaí. Recebeu a Medalha do Mérito Judiciário Catarinense, concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina “em razão dos relevantes serviços” prestados ao estado.
