A política sergipana ganhou novos contornos após a participação do ex‑governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. Durante seu depoimento, Garotinho acusou o ex‑deputado federal por Sergipe André Moura, atualmente secretário de Governo do Estado do Rio de Janeiro, de envolvimento com o crime organizado carioca. A declaração repercutiu imediatamente nos bastidores políticos de Sergipe, onde Moura mantém influência e articulações para o cenário eleitoral de 2026.
Vale lembrar que, em 2021, o ex‑deputado André Moura foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a oito anos e três meses de prisão em regime fechado, além de ter ficado proibido de exercer cargo público por cinco anos, por peculato, formação de quadrilha e desvio e apropriação de recursos públicos. O senador Alessandro Vieira, que também é delegado da Polícia Civil, participou da CPI.
O episódio ganhou ainda mais repercussão quando o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, que integra a mesma chapa de situação do governo estadual e deve dividir palanque com André Moura nas próximas eleições, adotou um tom duro em entrevista. Vieira afirmou que “dorme e acorda com o despertador”, ao contrário de Moura, que, segundo ele, poderia “acordar com a polícia à porta”. A declaração elevou a temperatura do debate e expôs publicamente fissuras no campo político aliado.
A fala do senador, além de reforçar a gravidade das acusações apresentadas na CPI, projeta efeitos diretos sobre a composição das alianças para 2026. A convivência política entre figuras que dividem o mesmo espaço eleitoral, mas trocam acusações dessa magnitude, torna‑se um desafio estratégico para o grupo governista.
O governador Fábio Mitidieri, do PSD, que já antecipou voto para Lula, vai brincar o Carnaval com fantasia de bombeiro.
Nos bastidores, lideranças avaliam que o episódio pode influenciar tanto a narrativa eleitoral quanto o reposicionamento de atores políticos locais. Enquanto isso, a oposição observa o desenrolar dos fatos como oportunidade para questionar a coerência e a unidade do bloco situacionista.
Em meio a acusações, declarações contundentes e articulações para o futuro, a política sergipana parece viver um momento que remete à antiga brincadeira infantil de “polícia e ladrão”. Contudo, longe de ser um jogo, trata‑se de um cenário que envolve reputações, mandatos e o futuro político do estado.
O senador Alessandro Vieira, que se recusa a apoiar o ex‑deputado André Moura por seu histórico de condenação, não se posiciona da mesma forma em relação a Lula, que foi condenado em 2017 a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Alessandro apoiou Lula em 2022 e, em 2026, deve continuar trilhando o mesmo caminho.
Ao fim, caberá ao eleitorado acompanhar os desdobramentos da CPI, avaliar as falas e decidir, nas urnas, quem representa o quê nesse tabuleiro cada vez mais tensionado.
