O advogado André Marsiglia, conhecido por não medir palavras contra o ativismo judicial, expôs o calcanhar de Aquiles dos ministros do Supremo Tribunal Federal: o pavor real de que um único impeachment de ministro abra as comportas para uma cascata de destituições.
Em análise direta, Marsiglia comparou a situação ao impeachment de Fernando Collor, em 1992:
“Se conseguirmos impeachment de um ministro, e é por isso que o Supremo está com tanto medo, o efeito será como dominó, vai abrir as comportas, como aconteceu com o impeachment de um presidente da República quando ocorreu o do Collor. E havia medo de que a ditadura voltasse. Muita gente dizendo ‘não, Collor é o primeiro presidente eleito’. E agora impeachment. Não pode, não pode. Quando aconteceu o impeachment dele, o jogo continuou, ninguém voltou atrás, e abriu as comportas para outros impeachments.”
Para Marsiglia, o STF construiu um mito de que seus ministros são intocáveis. Na avaliação do jurista, basta quebrar a primeira barreira — derrubar o primeiro ministro — para que o precedente se torne realidade.
“Precisamos dar esse primeiro passo, romper essa primeira barreira para que isso se torne normal”, afirmou Marsiglia.
Enquanto os ministros se blindam mutuamente com decisões polêmicas e sigilos questionáveis, o recado, segundo o advogado, é claro: o maior temor da toga não é a crítica nas redes sociais ou nas ruas, mas a possibilidade concreta de o povo, via Congresso, exigir um ajuste de contas. Se um cair, os outros tremem — e o castelo de cartas do Judiciário ativista pode desabar de vez.
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