O desfile que homenageou o presidente Lula na Marquês de Sapucaí não deveria ter acontecido, segundo a articulista Silvia Gabas. A razão é direta: trata-se de ano eleitoral em que o homenageado é o presidente em exercício, com intenção declarada de concorrer à reeleição em outubro do presente ano.
Entre as verbas públicas recebidas pela escola de samba, houve a concessão de um milhão de reais por meio da Embratur, órgão federal — concedido, portanto, pelo próprio presidente. Lula sabia o que seria exibido no desfile, autorizou e concordou com o conteúdo, segundo relatos. Sabia também dos riscos que corria em razão do ano eleitoral, tendo sido avisado pelo TSE e por aliados que o aconselharam a não participar, diante do perigo de sanção à sua candidatura à presidência da República.
Ainda assim, o desfile aconteceu.
O que se viu na Avenida foi uma sucessão de arbitrariedades: temas políticos, ataques pessoais, ofensas religiosas e propaganda eleitoral desavergonhada. Passistas, cantores e figurantes da escola fizeram o “L”, cantaram o “olé, olê, olê, olá, Lulá, Lulá” — símbolos explícitos da campanha eleitoral do petista — e o número 13 foi entoado ao longo da avenida, inserido no samba-enredo da escola de samba de Niterói.
Lula permaneceu em seu palanque político gratuito por mais de 80 minutos, parecendo pouco se importar com as consequências do que a articulista classifica como um verdadeiro crime eleitoral.
O ministro Alexandre de Moraes também teve papel de destaque no desfile: um personagem caracterizado como palhaço “Bozo” foi colocado dentro das grades de uma cadeia. O mesmo personagem apareceu em tamanho colossal, sentado atrás das grades e com tornozeleira fixada no tornozelo. Em outra cena, “Bozo” reapareceu na companhia de representações de Dilma, Temer e Lula — com este último retirando a faixa presidencial de “Bozo”, que é preso, enquanto Lula é condecorado e sobe a rampa do Palácio do Planalto.
Bolsonaro — contra quem nunca se provou um único caso de corrupção, segundo a colunista — ocupou boa parte do desfile e, segundo ela, quase suplantou o próprio homenageado. A ele foi destinada uma ala em que conservadores são retratados em latas de conserva, trazendo no lado externo a figura da família tradicional, com pai, mãe e filhos.
“Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”, entoava boa parte do público pagante na Avenida, segundo relatos da própria articulista.
O texto é de autoria de Silvia Gabas (@silgabas).
Detalhes e revelações do passado do petista estão no livro “O Homem Mais Desonesto do Brasil — A verdadeira face de Luiz Inácio Lula da Silva”. Acesse o link abaixo:

