Quando o ministro André Mendonça foi indicado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Jair Bolsonaro, o senador Davi Alcolumbre arrastou por longos quatro meses a sabatina, na esperança de emplacar o então procurador-geral da República, Augusto Aras, para a vaga.
Mendonça, homem reconhecidamente sério e um dos poucos no STF que realmente conhece o mundo do direito, aguardou com extrema paciência. Fez com competência o seu trabalho junto aos senadores e venceu no voto e com mérito.
Na condição de ministro, sempre manteve comportamento exemplar, sem preocupação em aparecer e tampouco em perseguir seus detratores — inclusive Alcolumbre.
Como o mundo gira, Mendonça agora é o relator do caso Master. Alcolumbre tem ligações com suspeitos e havia sido colocado pelo ministro Dias Toffoli como “guardião” do material sobre o caso, apreendido pela Polícia Federal.
Em seu primeiro ato como relator, Mendonça determinou que Alcolumbre devolvesse todo o material à PF. Agora o ministro se debruça sobre o caso. Segundo o autor do texto, Mendonça não vai perseguir ninguém, mas será justo e duro com os criminosos.
Caso Alcolumbre tenha alguma participação nas irregularidades apuradas, terá de acertar suas contas — pois, segundo a avaliação registrada, Mendonça será implacável.
Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.
