O Supremo Tribunal Federal (STF) está totalmente rachado. O clima de desconfiança impera na Corte, onde ninguém confia em ninguém. Nesse cenário de fragmentação interna, a jornalista Mariana Muniz, em O Globo, aponta que o tribunal está hoje dividido em ao menos três núcleos de influência, com interesses e estratégias distintas.
“O primeiro é encabeçado por Alexandre de Moraes, que continua a concentrar poder, atuando na maioria das vezes de forma coordenada com Flávio Dino e o decano do tribunal, Gilmar Mendes, em temas mais sensíveis, como na oposição ao Código de Conduta e na crise do Master, quando saiu em defesa de Toffoli. Com um perfil mais discreto que os colegas, Cristiano Zanin também orbita esse grupo, fazendo alianças ocasionais, como no julgamento da trama golpista.
Em outro núcleo, Fachin se aliou a Cármen Lúcia no discurso de moralização da Corte após assumir a presidência. Além de capitanearem os debates sobre a criação de regras internas de conduta no STF, defenderam que o pedido de suspeição de Toffoli no caso Master fosse levado ao plenário do Tribunal. Alinhado a esse grupo, Luiz Fux tem antagonizado com Moraes nos julgamentos da trama golpista, mas demonstrou apoio irrestrito a Toffoli quando foi discutida a suspeição do magistrado.
Já os ministros Nunes Marques e André Mendonça, os dois indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, têm atuado de forma mais flutuante entre os dois núcleos, mas nem sempre de forma conjunta. Em julgamentos da Segunda Turma, por exemplo, é comum que Nunes Marques seja o voto de desempate, com Mendonça e Fux de um lado e Gilmar e Toffoli de outro. Com uma atuação discreta e, às vezes, isolada no Tribunal, Mendonça passou a ter maior protagonismo à medida que concentrou a relatoria de dois casos com alto potencial de impacto político — o do próprio escândalo do Banco Master, que herdou de Toffoli, e o que investiga fraudes em aposentadorias do INSS.”
O livro “Supremo Silêncio” expõe a perseguição contra parlamentares, jornalistas e outros episódios relacionados ao Inquérito das Fake News. A obra ainda está disponível para o público.
