A CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (25) a quebra de sigilo da Maridt Participações S.A., empresa que tem como sócios os irmãos do ministro Dias Toffoli. A Maridt recebeu pagamentos de fundo ligado ao Banco Master pela venda do resort Tayayá, no Paraná. A quebra de sigilo abrange o período de janeiro de 2022 até 8 de fevereiro de 2026.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou o requerimento aprovado pela comissão. O documento solicita ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) “que se proceda à transferência dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações S.A”. O pedido inclui o envio do RIF (Relatório de Inteligência Financeira) da companhia aos parlamentares.
A decisão representa a primeira vez que uma investigação parlamentar avança sobre transações envolvendo membros da cúpula do Judiciário brasileiro. Alessandro Vieira declarou:
“É um passo histórico para o fim da impunidade no Brasil. Essas relações de alta cúpula do judiciário com figuras envolvidas em crime nunca foi investigada. Não estamos fazendo condenação prévia, mas sim querendo esclarecer os fatos. Numa República de verdade, todos podem ser investigados, ninguém está acima da lei”.
A CPI determinou também a quebra de sigilo do próprio Banco Master. Os senadores aprovaram a convocação de José Carlos Dias Toffoli, que é padre, e de José Eugênio Dias Toffoli, engenheiro. Ambos são irmãos do ministro. Eles compõem o quadro societário da Maridt Participações.
A comissão decidiu convidar os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes para prestarem esclarecimentos sobre suas relações com o Banco Master.
Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, também foi convidada a explicar seu trabalho com a instituição financeira. O escritório de advocacia no qual Viviane Barci é sócia presta serviços ao Banco Master. A sociedade estabeleceu com a instituição um contrato no valor de R$ 129 milhões.
