Políticos com discursos antigos em novas embalagens: cuidado com o alto teor de mentiras

Vivemos um tempo estranho — um tempo em que as palavras perderam o peso e já não sustentam o próprio sentido.

Em ano de eleições, é preciso vigilância: nem toda palavra bonita carrega verdade. Promessas existem — mas são frágeis. Nascem fortes nos discursos e morrem silenciosas após as urnas.

Este é um tempo perigoso.

A língua dos poderosos não é ingênua — é calculada, estratégica, sedutora. Ela conhece o egoísmo humano e sabe exatamente como ativá-lo. O que se exige para si raramente se concede ao outro.

É o velho lema, ainda vivo: “venha a nós”… — o vosso reino, nada.

E assim segue o cidadão, convencido de que mudará o mundo, enquanto cancela o próprio irmão e transforma divergência em condenação.

Empatia, compaixão, piedade, justiça… Palavras escritas por poetas em momento sagrado, que foram deixadas em algum canto da terra, à espera da ressurreição do amor humano.

Em seu lugar, surge um “amor” seletivo, que não acolhe a todos, mas apenas os seus. Um sentimento que sonha com uma paz parcial, que beneficia alguns e exclui outros.

Um sentimento que rejeita diferentes ideias e, sem perceber, abre caminho para os demagogos, que há séculos se alimentam da divisão dos povos.

Divididos, fortalecemos aqueles que jamais deveriam governar.

E chamamos de democracia aquilo que, tantas vezes, não passa de uma encenação: uma figura sedutora, de aparência magra, unhas longas e batom vermelho, que surge a cada quatro anos para prometer, encantar e desaparecer.

Deixa para trás um povo desiludido e cansado — não apenas de necessidades materiais, mas de respeito, de consideração e de verdade.

E assim caminha a humanidade… cada vez mais informada, cada vez mais posicionada, cada vez mais dividida — e, paradoxalmente, cada vez menos humana.

Já é tempo de despertar. Resgatar o sentido das palavras e devolver às promessas o peso da responsabilidade.

E, aos políticos, um lembrete simples — mas essencial: não existe concorrência para ser bom e honesto. O que falta não é espaço — é compromisso.

Como cidadã, quero que meu voto valha a pena.

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