O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, guardou registros detalhados de todas as conversas mantidas com autoridades e pessoas envolvidas no esquema investigado pela Polícia Federal. O banqueiro catalogou cada nome e montou um acervo robusto de provas que agora está nas mãos das autoridades. As informações foram divulgadas pela coluna Radar, da revista Veja, nesta sexta-feira (20).
Vorcaro estava plenamente ciente dos riscos da atividade que exercia. Em reflexões pessoais, o banqueiro comparou o negócio de banco com a máfia. Ele afirmou que “ninguém sai bem” e que “só sai mal”. Sabendo disso, Vorcaro se preparou estrategicamente para o momento em que o esquema fosse descoberto.
O empresário não apagou nenhum registro comprometedor. Os celulares e computadores do banqueiro formam um inventário completo de sua trajetória. Os registros vão desde autoridades corrompidas até o tráfico de interesses realizado via WhatsApp com amigos. Vorcaro guardou todo o material para utilizar em um possível acordo judicial.
A rede de influência do Banco Master não tinha orientação ideológica definida. O pânico atinge gabinetes de Norte a Sul do país porque a máquina do Master operava sem partido. A rede de influência alcançava consultorias de petistas, fundos de pensão e os meandros do Judiciário. As amizades eram apenas um meio para atingir um fim.
A classe política está profundamente preocupada com a materialidade das provas reunidas por Vorcaro. Diferente de delações antigas, como a de Palocci, baseada no “ouvi dizer”, Vorcaro terá que entregar provas concretas, datas precisas e mostrar o que cada pagamento comprou na República. O acervo documenta transações e conversas de forma objetiva e irrefutável.
Nas mãos da Polícia Federal e do ministro André Mendonça, o arquivo tornou-se grande demais para ser abafado. Um investigador do caso resumiu o cenário de forma direta. Segundo ele, o país passará por um longo processo de depuração. O material guardado é “realmente devastador”.
