O ministro Gilmar Mendes concedeu uma série de entrevistas ao longo da semana que ele próprio definiu como “missão autoimposta” de defesa do STF. O resultado foi o oposto do pretendido — cada aparição pública aumentou a exposição da Corte, entregou palanque gratuito a adversários e produziu pelo menos uma gafe que exigiu retratação formal em menos de 24 horas.
Porém, uma coisa ficou bem clara: a estratégia é atacar quem questiona o tribunal em vez de responder às questões levantadas.
Alessandro Vieira virou alvo de pedido de investigação por abuso de autoridade. O governador Zema foi incluído no inquérito das fake news, que Gilmar agora quer renomear de “Inquérito da Defesa da Democracia” e manter ativo até pelo menos as eleições de outubro.
O caso Master, por sua vez, é tratado como “problema da Faria Lima, distante da Corte”, como se viagens pagas pelo banqueiro, degustações de whisky Macallan para autoridades e mensagens de Vorcaro mencionando ministros fossem invenção da oposição. E Fachin — presidente do próprio STF — é criticado publicamente por propor um Código de Conduta para a Corte. O decano rejeita o timing da iniciativa no exato momento em que seus próprios vínculos com o ecossistema Master são investigados.
O saldo da semana é devastador. O confronto com Zema impulsionou o pré-candidato nas redes sociais, segundo pesquisa Nexus — mais seguidores, mais engajamento, mais doações. Deputados da oposição apresentaram novo pedido de impeachment de Gilmar em reação.
O ex-procurador Deltan Dallagnol fez um comentário em seu canal do YouTube que ilustra com precisão a atabalhoada investida do decano.
Veja o vídeo:
