Em 23 de maio de 2021, um domingo, o Rio de Janeiro recebeu a maior motociata da história do Brasil, com mais de 60 mil motos na rua. O evento foi inspirado no passeio que o presidente Bolsonaro fez em Brasília no Dia das Mães, também num domingo, e que viralizou nas redes, reunindo cerca de mil motociclistas.
Três dias antes da data, as rodovias da cidade estavam cheias de comboios vindos do interior do Rio e de outros estados, todos atendendo ao chamado da AMO‑RJ (Associação dos Motociclistas do Estado do Rio). O sucesso da Motociata Carioca abriu caminho para as próximas.
Por que tanta gente apareceu? A resposta é simples: o convite veio do maior líder, o próprio Bolsonaro. Sem ele chamando os brasileiros, a multidão não teria se formado.
Se a AMO‑RJ fizesse o mesmo convite hoje, quase ninguém apareceria. Seria um vexame. Primeiro porque o Brasil vive outra realidade e todo mundo tem medo de ser preso. Segundo, porque falta uma liderança de direita com força para validar o convite.
Mesmo que a imprensa fosse inundada de propaganda da motociata, sem motociclistas a ação seria vazia. No máximo, os dirigentes da AMO‑RJ poderiam ser processados por “atentar contra o Estado Democrático de Direito”.
O Brasil nunca precisou tanto de seus líderes, mas onde eles estão? Sumiram. É verdade que metade das vozes da direita está presa pela ditadura que se instalou, mas e a outra metade? Onde estão os deputados bolsonaristas, senadores, governadores, vereadores e os partidos de direita? Desapareceram.
O povo tem que se mexer, mas sem liderança ninguém sai da inércia. Só a sociedade tem força para mudar, porém falta quem conduza essa reação. É uma vergonha!
Falam das eleições de 2026 como se nada estivesse acontecendo, como se o ex‑presidente não estivesse preso.
Deputados, vocês foram eleitos para representar o povo, são a voz da gente. Precisamos que adotem uma postura mais firme, mais ativa, mais enérgica. Essa é a sua missão.
Se nada mudar, vocês serão os principais culpados. Não podem ter medo. O cargo público foi criado para isso. Tenham coragem, assumam a responsabilidade e não traiam quem os escolheu.
O Brasil passou do risco político, que atinge apenas opositores, para o risco estrutural, que ameaça todo o sistema. O ministro‑imperador já controla o Congresso e a Presidência, e agora colocou os militares de joelhos ao prender os generais mais respeitados. Alexandre de Moraes não tem limites; ele redefiniu o que é legal ou ilegal.
Risco político se resolve com eleições, debates e troca de poder. Risco estrutural só sai com uma ruptura.
Chamem como quiserem – guerra civil, desobediência civil, manifestação geral, revolução – se não houver ruptura e quebra do Estado de Direito, vamos perder o país para a quadrilha de comunistas, corruptos e ditadores que tomou o Brasil na última eleição, fraudada até a alma.
Não vamos contar com ajuda externa. Nenhum intervencionismo americano e nem as Forças Armadas vão salvar o país. Eles só entram se o povo reagir primeiro, e para isso as lideranças políticas precisam provocar a reação.
Eleitores, cobrem dos seus políticos que arrisquem a cabeça e convoquem o povo para uma reação popular. Só assim sairemos do risco estrutural em que vivemos.
Advogado criminalista, professor de Direito Penal, crítico político e de segurança pública, e presidente da Associação dos Motociclistas do Estado do Rio de Janeiro – AMO‑RJ.
