Um artigo do The Telegraph, de 3 de dezembro, relata que o ditador da Venezuela, chamado de “Presidente” e “Mr. Maduro” pelo repórter em Washington, falou ao telefone com o presidente Donald Trump para discutir sua renúncia e fuga.
Fontes dizem que Maduro exigiu, entre outras coisas, ficar com 200 milhões de dólares – hoje cerca de 1 bilhão e 51 milhões de reais – dinheiro que teria juntado enquanto a população morria de fome, possivelmente de recursos já congelados pelos EUA, além de anistia para até cem altos funcionários. Os EUA rejeitaram tudo e a negociação acabou.
Tudo isso mostra que poucas pessoas controlam a Venezuela, e o ditador nunca trabalhou no setor privado, nunca teve empresa e nem terminou o ensino médio – embora ele negue. Ele se enriqueceu às custas do povo. Maduro foi motorista de ônibus e líder sindical em Caracas nos anos 80, depois se juntou a grupos de esquerda radical e ao círculo de Hugo Chávez, após os golpes fracassados de 1992.
Trump também descartou a ideia de Maduro montar um governo de transição ou escolher seu refúgio. O americano sugeriu a China ou a Rússia, mas Maduro queria ficar no Hemisfério Ocidental, talvez em Cuba. Eu suspeito que ele preferia o Brasil. O Catar apareceu como meio‑termo, mas imagine Maduro falando árabe, chinês ou russo…
O jornal informou que, na quarta‑feira passada, “Mr. Maduro” admitiu ter falado com o presidente dos EUA cerca de dez dias antes.
Depois da ligação de 21 de novembro, Trump aumentou a pressão sobre o governo “linha‑dura” da Venezuela – eufemismo do jornal para a ditadura.
Com a Marinha dos EUA reforçando sua presença no Caribe, Trump disse na terça‑feira que está perto de atacar a Venezuela. “Sabemos onde os vilões estão e vamos começar os ataques em breve”, declarou.
Os EUA reconhecem Edmundo González como presidente legítimo da Venezuela, depois das eleições fraudulentas de 2024.
Na terça‑feira, o The New York Times informou que Maduro depende cada vez mais de guarda‑costas cubanos e muda de lugar para dormir todas as noites.
Mesmo com as tensões crescendo, o governo Trump evitou comentar sobre a mudança de regime.
Na conversa que não deu certo, Trump propôs a Maduro uma saída pacífica: anistia para ele, sua esposa e filho, e a chance de fugir, desde que renuncie na hora.
Parece que a negociação girou em torno do desejo de Maduro de viver confortavelmente no exílio.
O ponto mais complicado foi a exigência de Maduro de que dezenas de aliados tivessem anistia e que um governo de transição, liderado por eles, cuidasse das eleições livres.
Se Maduro aceitasse um acordo que deixasse seus aliados fora da justiça, poderia ser alvo de retaliações de figuras poderosas. “É autopreservação, não altruísmo”, afirmou uma fonte.
Os EUA consideraram a exigência inaceitável, já que querem destruir o Cartel de los Soles, rede de militares e políticos que domina o narcotráfico na Venezuela.
Em agosto, Washington aumentou a recompensa por Maduro para 50 milhões de dólares, pagando por informações que levem à sua prisão por tráfico de drogas.
Nas últimas semanas, a presença de tropas e equipamentos americanos na região enviou um recado claro ao ditador e seus assessores: o momento é decisivo.
Uma anistia geral deixaria grande parte do cartel – que Washington chama de “organização terrorista estrangeira” – livre para agir.
Vanessa Neumann, ex‑enviada da oposição venezuelana em Londres, afirmou que não se surpreende com os dois lados tentando achar uma saída para Maduro.
A Casa Branca corre contra o relógio para decidir o próximo passo.
Os apoiadores MAGA de Trump estão ficando nervosos com a ideia de outra aventura no exterior.
Manter a grande presença militar na região custa centenas de milhões de dólares. Só o grupo de ataque do porta‑aviões USS Gerald R. Ford no Caribe gasta mais de 6 milhões de dólares por dia.
Os EUA já apontaram alvos para ataques após anos de vigilância.
Depois da ligação, a influência de Maduro na região diminuiu. As eleições em Honduras, São Vicente e Granadinas derrotaram aliados de esquerda.
