Um monomotor que rebocava uma faixa publicitária caiu no mar de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (28), provocando a morte do piloto Luiz Ricardo Leite de Amorim, de 40 anos. O Corpo de Bombeiros localizou o corpo após duas horas e meia de buscas.
A aeronave pertencia à empresa Visual Propaganda Aérea e não possuía autorização da prefeitura para realizar o voo publicitário no momento do acidente, conforme informações da administração municipal.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira, deu início às investigações sobre as causas da queda. Em comunicado, o Cenipa explicou que “durante a ação inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação”.
Especialistas apontam que o monomotor pode ter sofrido um estol – perda de sustentação da asa. Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pelo Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Coppe/UFRJ, analisou as imagens do acidente e destacou o possível papel da faixa publicitária. “Essa faixa impõe um arrasto muito grande. Então, significa carga, e o motor é muito sobrecarregado. É preciso checar se aquela faixa era compatível com a aeronave e com as condições de potência do motor”, afirmou.
O acidente ocorreu pouco depois das 12h, entre os postos 3 e 4 da praia, próximo à Rua Santa Clara. Testemunhas relataram ter ouvido um forte estrondo antes da queda. O técnico óptico Edmar Cabral Bezerra, de 58 anos, que estava no local, disse: “Sentei na areia e ouvi um barulhão. O pessoal do meu lado falou que era um avião.”
Os Bombeiros foram acionados às 12h34 e mobilizaram motos aquáticas, embarcações infláveis, mergulhadores e apoio aéreo com helicóptero para as operações de resgate. Nenhuma outra pessoa ficou ferida, apesar da presença de outras embarcações e motos aquáticas na água.
Portela também mencionou outras possíveis causas para o estol, como pane no motor ou no sistema de controle da aeronave. “Em caso de qualquer pane, ele precisaria desengatar aquela faixa rapidamente, porque ela representa um arrasto muito grande e reduz muito a possibilidade de ele conseguir planar e fazer um pouso de emergência”, explicou o especialista.
Bernardo Rubião, subprefeito da Zona Sul que acompanhou as buscas, informou que relatos iniciais indicavam ser o primeiro voo do piloto rebocando faixa publicitária. Até o final da tarde de sábado, os responsáveis pela aeronave buscavam uma solução para retirar o monomotor do fundo do mar.
A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias do acidente. O Cenipa reforçou que suas investigações têm como objetivo “contribuir para a prevenção de acidentes aeronáuticos” e “não têm o propósito de atribuir culpa ou responsabilidade civil ou criminal por um acidente aeronáutico, mas, sim, de identificar os possíveis fatores contribuintes relacionados à ocorrência, com o objetivo de preservar vidas por meio do fortalecimento da segurança do transporte aéreo”.
A prefeitura do Rio informou que a empresa Visual Propaganda Aérea será autuada por realizar o voo sem a devida licença. Em nota, a administração municipal destacou que “promove fiscalizações periódicas em todas as atividades econômicas no Rio para evitar que este tipo de infração ocorra”.
O acidente aconteceu em um momento de grande movimentação nas praias cariocas, às vésperas do Réveillon. Banheiros relataram que, aproximadamente dez minutos após a queda, as demais aeronaves que sobrevoavam a praia interromperam seus trajetos sobre Copacabana, local onde é comum a presença de pequenos aviões puxando faixas publicitárias.
A FAB confirmou que a matrícula da aeronave acidentada era PT‑AGB. A empresa Visual ficará responsável pela reflutuação e transporte do monomotor. Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), a empresa possui alvará para realizar publicidade aérea, mas não havia solicitado licença específica para o trabalho realizado no domingo.
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