Desde a última semana de dezembro, os protestos populares contra a ditadura teocrática iraniana têm tomado as ruas das principais cidades em todo o país. Na cidade de Kouhdasht, o xerife local (uma espécie de delegado seccional) foi morto por populares sem que houvesse qualquer represália por parte do regime – antes, uma simples ofensa a um membro do governo, feita por um civil, poderia resultar em prisão perpétua ou até pena de morte. Outros membros das Forças de Segurança foram severamente agredidos no mesmo incidente.
Confrontos também foram relatados pela BBC‑Persa nas províncias de Hamedan e Lorestan, ao sul do país. Nessas localidades, a polícia abriu fogo contra a população desarmada, revelando o completo desespero do que resta do regime iraniano, já que praticamente toda a liderança militar foi eliminada pelos ataques israelenses em junho do ano passado. Na cidade de Fulad Shahr, um quartel da temida Guarda Revolucionária foi incendiado por populares. Já a cidade de Hamadon, próxima à capital Teerã, foi totalmente tomada pelos civis; prefeitos, policiais e legisladores municipais abandonaram o município. Em alguns vídeos é possível ver policiais – uma espécie de tropa de choque – assistindo à revolta de forma inerte, desorientados e incapazes de reagir à fúria da população.
Segundo a TousiTV, maior canal de oposição iraniana no YouTube, no município de Hamadã, no centro‑oeste do país, a população descobriu uma prisão secreta destinada a prisioneiros políticos. A turba invadiu o local, libertou os detidos e ateou fogo nas instalações.
IMPLICAÇÕES NO MUNDO MUÇULMANO
O Irã não é apenas mais uma nação muçulmana; tornou‑se o epicentro do radicalismo islâmico desde 1979, quando os Aitolás derrubaram o regime do Xá Reza Pahlavi. A ditadura teocrática iraniana financia e orienta praticamente todos os grupos terroristas do mundo, do Iêmen à Venezuela, da Nigéria à Austrália. Os iranianos não buscam apenas derrubar o regime; almejam o fim do monopólio islâmico no país, o retorno da cultura persa e o fim da influência árabe. Desde o império persa, no século V a.C., a região tem tradição politeísta e ecumênica. O Irã sempre foi um país cosmopolita, aberto à interação e ao respeito com outras culturas.
Com a queda do regime do Aitola Khamenei, grupos terroristas como Hamas, Boko‑haram, Al‑Qaeda, Hezbolá, Estado Islâmico e Houthis perderão seu principal financiador, o que os tornará vulneráveis às forças de segurança dos respectivos países onde atuam. Notícias recentes indicam que dezenas de líderes da ditadura iraniana já estão em fuga ou planejam escapar do país. Informações dos serviços de inteligência apontam que seus destinos preferenciais são: Emirados Árabes, Rússia e… Brasil. Só faltava essa.
