A gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) foi tão devastadora que ninguém deseja assumir o governo do Rio Grande do Norte. A governadora anunciou renúncia para buscar oito anos de imunidade parlamentar ao concorrer ao Senado em 2026.
A sucessão constitucional apontaria o vice‑governador Walter Alves (MDB), eleito pelos potiguares justamente para essa eventualidade, mas ele também demonstra relutância em assumir o Palácio dos Despachos. O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB‑RN), já declinou o cargo.
Fátima Bezerra ficou conhecida, na época do impeachment de Dilma Rousseff, por seu português carregado, ao bradar na tribuna do Senado: “É Gópi, é gópi!”. Naquela ocasião representava o Rio Grande do Norte.
A possibilidade agora é de que o desembargador Ibanez Monteiro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, assuma interinamente e, eventualmente, convoque uma eleição indireta em maio, para escolher governador até o final de 2026. Nesse cenário, apenas os deputados estaduais votariam.
Nenhum agente político quer ocupar a cadeira de governador, pois a situação das contas estaduais é desastrosa, configurando um suicídio político. Os salários dos servidores estaduais encontram‑se atrasados, o 13º salário foi prometido para 9 de janeiro, e empréstimos consignados foram retidos de forma ilegal. O rombo nas contas supera R$ 10 bilhões.
O turismo, principal motor da economia do estado, está sendo usurpado pelo crime organizado. Na Praia da Pipa, a mais famosa do Rio Grande do Norte, as atividades criminosas são tão bem estruturadas que, segundo fonte da Polícia Civil citada pela BBC News Brasil, “faltam apenas assinar a carteira”. Existe até plano de carreira: “vapor” – transportadores de drogas, e “visão” – os olheiros que monitoram a movimentação suspeita. Esses agentes são jovens de áreas carentes, trabalham em turnos de 12 horas por dia, sete dias seguidos, com folga nos dias subsequentes, e ainda pagam mensalidade ao grupo criminoso.
A facção, denominada Sindicato do Crime, surgiu no presídio de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal. Não se trata de gestão pública; é mera várzea, como resumiu a própria governadora ao descrever o estado: “É gópi! É gópi!”
