The Economist classifica Lula como incoerente na política externa e impopular no Brasil

A revista britânica The Economist classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “incoerente no exterior” e “impopular em casa”. A publicação analisou a política externa do governo petista e destacou que, em diversos episódios, o Brasil se posicionou ao lado de regimes autoritários, afastando‑se das principais democracias ocidentais.

Logo no início, a revista cita posicionamentos recentes do Itamaraty que condenaram ações militares de Israel e dos Estados Unidos e defenderam o Irã — atitude que destoou de grande parte do mundo democrático.

Segundo a Economist, a aproximação do Brasil com países como Irã, Rússia e China, especialmente dentro do bloco dos BRICS, faz o país parecer cada vez mais hostil ao Ocidente. Para a revista, o bloco passou a ser dominado por interesses autoritários, e Lula tenta se colocar como mediador internacional sem ter real influência.

O texto lembra também que Lula evita aproximação com os Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump, enquanto insiste em encontros e “afagos” diplomáticos à China e à Rússia. A reportagem ironiza a tentativa de Lula de convencer Vladimir Putin a aceitar o Brasil como mediador na guerra da Ucrânia — algo que não encontrou eco nem em Moscou, nem no restante do mundo.

Além disso, a Economist cita o distanciamento do governo brasileiro em relação à Argentina após a eleição de Javier Milei e as reiteradas demonstrações de apoio à Venezuela, vistas como mais um sinal de incoerência diplomática.

“IMPPOPULAR EM CASA”

Para a revista, a fragilidade externa de Lula se soma à queda de popularidade dentro do Brasil. Pesquisas de opinião mostram desaprovação crescente ao governo, refletindo perda de confiança e desgaste político.

A reportagem recorda que o Congresso derrubou medidas econômicas importantes do governo, expondo a dificuldade do Planalto em conduzir sua agenda. O texto afirma ainda que o país se moveu claramente para a direita e que grande parte dos brasileiros associa o PT à corrupção.

Mesmo com processos e investigações pesando contra ele, Jair Bolsonaro segue com forte apoio popular — e, segundo a publicação, caso a direita se una em torno de um nome até as próximas eleições, a disputa presidencial tende a pender para esse campo.

“PARAR DE FINGIR IMPORTÂNCIA”

A Economist conclui que, apesar do esforço de Lula para se projetar como líder global, o Brasil permanece distante das grandes decisões internacionais. Em conflitos como Ucrânia e Oriente Médio, diz a revista, o país tem pouca relevância real — e Lula deveria concentrar‑se nos problemas internos.


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