O escritório de advocacia de um ex‑ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça recebeu aproximadamente R$ 595 mil de empresa vinculada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As transferências foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o escritório Nefi Cordeiro Advogados.
O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Coaf registra três transferências que totalizam R$ 445 mil, realizadas entre outubro de 2023 e outubro de 2024. Os repasses ocorreram depois da saída de Nefi Cordeiro do STJ, em março de 2021, por motivos de saúde.
O documento também indica a emissão de um cheque de R$ 150 mil sacado pessoalmente pelo ministro. Todas as transações foram efetuadas pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, empresa que teve seu sigilo fiscal quebrado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no INSS.
A ACX ITC recebeu, pelo menos, R$ 4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos, controlada por Antônio Carlos Camilo Antunes. A Arpar está sob investigação da Polícia Federal por supostamente atuar como intermediária para fragmentar o fluxo financeiro, dificultar o rastreamento da origem criminosa dos recursos e ocultar os beneficiários finais.
“O escritório Nefi Cordeiro Advogados esclarece ter recebido, em 2023, da firma ACX ITC, honorários advocatícios pela prestação de atividade fim da advocacia, em feito judicial e com a interposição de recursos, ao cliente, sem qualquer vínculo com os recentes fatos investigados do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS”, declarou o escritório quando contatado.
A CPMI do INSS continua investigando a natureza das relações entre as empresas envolvidas e os serviços prestados pelo escritório de advocacia do ex‑ministro.
