Irã tenta intimidar protestos ao executar manifestante amanhã

Erfan Soltani, manifestante de 26 anos preso na última quinta‑feira durante os protestos no Irã, será executado nesta quarta‑feira (14), conforme confirmação da Organização Hengaw para os Direitos Humanos. A família do jovem foi notificada sobre a execução, mas não recebeu informações sobre a data do julgamento nem sobre as acusações que lhe foram imputadas.

Trata‑se da primeira execução oficial ligada às manifestações que se espalharam pelo país desde 28 de dezembro. As protestas já alcançaram mais de 100 cidades em todas as 31 províncias iranianas, provocando centenas de mortes.

“Nunca testemunhamos um caso avançar tão rapidamente”, declarou Awyar Shekhi, representante da Hengaw.

“O governo está usando todas as táticas que conhece para suprimir as pessoas e espalhar medo”.

Na quinta‑feira passada, o governo iraniano impôs um bloqueio quase total da internet, dificultando a comunicação e a verificação independente das informações. Apesar das restrições, iranianos conseguiram contatar parentes no exterior e relatar a situação em diversas localidades.

Um morador de Rasht, cidade na costa do Mar Cáspio, disse à BBC: “Tudo está queimado pelo fogo”. Segundo ele, a cidade ficou irreconhecível após confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Os números de vítimas variam consideravelmente. Contagens mais conservadoras apontam cerca de 650 mortos durante os protestos. Uma fonte do governo iraniano, que falou anonimamente à Reuters nesta terça‑feira (12), mencionou um total de 2 mil mortes.

A Iran Human Rights, organização sediada na Noruega, divulgou ontem estimativas mais graves: o número de mortos poderia chegar a 6 mil pessoas, com aproximadamente 10 mil manifestantes detidos. A entidade trabalha para confirmar casos individuais, apesar das severas restrições de comunicação.

Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais, apesar do bloqueio, mostram multidões nas ruas, prédios públicos em chamas e corpos em sacos mortuários do lado de fora de hospitais em diversas cidades.

As manifestações, que começaram como protestos contra problemas econômicos no final de 2025, transformaram‑se em um movimento amplo de contestação ao regime teocrático estabelecido após a Revolução Islâmica de 1979. Analistas consideram essa onda de protestos um dos maiores desafios enfrentados pelo governo iraniano nas últimas décadas.


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