O governo da Nicarágua informou que libertará dezenas de detentos do sistema penitenciário nacional, em um movimento que ocorre enquanto os Estados Unidos intensificam a pressão diplomática contra o regime de Daniel Ortega, considerado amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O anúncio surge cerca de uma semana após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, episódio que elevou a tensão política na região.
Em comunicado oficial, o Ministério do Interior nicarauguaense afirmou que “dezenas de pessoas que estavam no Sistema Penitenciário Nacional estão retornando para suas casas e famílias”, sem detalhar nomes, critérios ou prazos para as liberações.
A embaixada dos Estados Unidos na Nicarágua elogiou a decisão da Venezuela de libertar o que classificou como “prisioneiros políticos”, considerando o gesto um avanço em direção à pacificação. No entanto, a representação diplomática criticou duramente a situação nicarauguaense, ressaltando que “mais de 60 pessoas permanecem injustamente detidas ou desaparecidas, incluindo pastores, trabalhadores religiosos, doentes e idosos”.
Organizações independentes de direitos humanos também acompanham o caso. Uma ONG que monitora abusos no país afirmou que ao menos 61 pessoas foram presas recentemente após celebrarem ou demonstrarem apoio, nas redes sociais, à captura de Nicolás Maduro. Segundo a entidade, as detenções ocorreram em pelo menos nove estados da Nicarágua.
A repressão promovida pelo regime de Ortega não é recente. Desde os protestos em massa de 2018, duramente reprimidos pelas forças de segurança, o governo tem intensificado ações contra opositores políticos, líderes religiosos, jornalistas e integrantes da sociedade civil considerados críticos ao poder.
Nos últimos oito anos, mais de 5 mil organizações foram fechadas no país, a maioria delas de caráter religioso ou social. Além disso, milhares de nicaraugueses foram forçados a deixar o território nacional, em meio ao avanço da perseguição política e à deterioração das liberdades civis.
