Preste atenção ao que acabou de acontecer: o ministro Alexandre de Moraes abriu, em caráter sigiloso e de urgência, um novo inquérito policial para investigar se a Receita Federal e o COAF violaram o sigilo dele, de Dias Toffoli e de outros ministros do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o ex‑procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, nenhum dos investigados possui foro privilegiado. Dallagnol afirmou ainda que “os fatos envolvem a própria esposa de Moraes e o escritório de advocacia da família, como o contrato de R$ 130 milhões com o Master, revelado por Malu Gaspar, e a evolução patrimonial de 232 % da esposa de Moraes em apenas um ano, apontada por Lauro Jardim”.
“É como se um juiz sofresse um acidente de carro e mandasse abrir um inquérito para ele mesmo investigar quem bateu no seu carro: a ilegalidade e a violação dos princípios mais básicos do Direito são evidentes, mas Moraes não está nem aí.”
“Com este novo inquérito, Moraes vai perseguir servidores técnicos e concursados da Receita Federal, do COAF e também a imprensa profissional, que foi quem revelou suas relações mal explicadas.”
“Com Moraes é sempre assim: a imprensa revela os abusos em seu gabinete, mas o inquérito é aberto para investigar quem denunciou; vazam as relações suspeitas de Moraes e família com o Master, e o inquérito que se abre é para investigar os servidores que estão fazendo seu trabalho e os jornalistas que apuram os fatos, nunca, jamais Moraes.”
“Este é mais um inquérito corporativista e ilegal, em que Moraes acumulará poderes imperiais, punirá e se vingará de quem ele quiser e mandará um recado para que ninguém mais ouse se meter com ele e seus colegas ministros. O objetivo do inquérito é cristalino: autoproteção e blindagem dos próprios ministros do STF e suas famílias.”
Esse inquérito pode ter consequências graves para o país. Basta lembrar o que ocorreu após o ministro Dias Toffoli criar, em 2019, o chamado “inquérito do fim do mundo”, que ficou sob a responsabilidade de Moraes. A partir desse procedimento, foram instaurados novos atos no STF sem a participação do Ministério Público, iniciados de ofício pelos próprios ministros da Corte.
