A caminhada de Nikolas Ferreira, iniciada em Minas Gerais e concluída em Brasília, tem forte carga simbólica no cenário político. Trata‑se de um gesto pacífico, público e persistente, destinado a chamar a atenção para as injustiças e as ameaças à liberdade. O objetivo não é o confronto direto, mas a exposição moral do conflito perante a sociedade.
Nesse sentido, pode‑se observar um paralelo claro com o princípio do “Ahimsa”, defendido por Gandhi. Assim como o líder indiano utilizava longas marchas e a resistência não violenta para pressionar o poder e despertar consciências, a caminhada de Nikolas aposta no corpo, no tempo e na perseverança como forma de linguagem política.
Caminar significa declarar que não haverá recuo, ao mesmo tempo em que se rejeita a violência como ferramenta.
Embora os contextos históricos, os objetivos e as escalas sejam diferentes e incomparáveis, o princípio subjacente se aproxima: a força da causa reside na legitimidade moral do gesto, e não na agressão. Quando a política abandona o grito e escolhe o caminho, a mensagem torna‑se mais alta.
