O sistema parece inclinado a defender com todas as suas forças o ministro Dias Toffoli, mesmo diante dos escândalos que vêm à tona.
Quando se esperava uma posição mais firme do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin afirmou, num tom que pode ser interpretado como ameaça: “Quem tenta desmoralizar o Supremo (…) ataca o coração da democracia.”
Para Fachin, criticar o STF equivale a atacar a própria democracia, defendendo assim o colega Toffoli.
O autor parece ignorar que o que realmente desgasta a credibilidade do Tribunal são as relações suspeitas de alguns ministros com um banqueiro acusado de crimes e seus esquemas fraudulentos.
O STF já se encontra desmoralizado, sem credibilidade e com a imagem profundamente abalada.
Eis um trecho da nota de Fachin:
“É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito. O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça.”
Deprimente!
Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.

