Durante anos, ele foi tratado como intocável. Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido mundialmente como El Mencho, comandava o Cártel Jalisco Nueva Generación com estrutura paramilitar, arsenal pesado e domínio territorial em várias regiões do México. A queda, porém, veio. E não começou com um tiroteio. Começou com vigilância.
Fontes ligadas à investigação revelam que o cerco ao líder do cartel não foi fruto de uma operação aleatória. A inteligência mexicana já vinha monitorando o entorno mais próximo de El Mencho de forma sistemática e discreta.
O ponto de virada foi pessoal. Uma mulher ligada intimamente ao chefe do cartel passou a ser acompanhada pelos agentes. Nada ostensivo, nada que levantasse suspeitas. Apenas análise de deslocamentos, rotas repetidas, escoltas informais e padrões de comportamento. Seguiram a amante. E ela levou até ele.
O CERCO SILENCIOSO
A localização final apontava para uma área sob influência histórica do cartel, no estado de Jalisco. A informação foi cruzada com dados de inteligência eletrônica e apoio internacional.
A operação foi montada antes do amanhecer. Unidades da Secretaria da Defesa Nacional e da Guarda Nacional posicionaram tropas em pontos estratégicos. Bloqueios foram feitos em rotas secundárias. Helicópteros ficaram prontos para interceptar eventual fuga aérea.
Quando o cerco fechou, houve reação armada. O confronto foi rápido e intenso. O homem que por anos desafiou o Estado mexicano estava, finalmente, encurralado.
A FALHA FORA DO MANUAL
A organização criminosa que impunha disciplina rígida, controle territorial e terror estratégico revelou-se vulnerável em um ponto que nenhuma blindagem resolve: o vínculo pessoal. Não foi uma interceptação isolada, não foi um erro de rádio, não foi um vazamento interno.
Foi o monitoramento paciente de alguém que fazia parte da vida privada do líder do cartel. Seguiram a amante… e cercaram El Mencho.
Segundo informações divulgadas, a morte do chefe do CJNG não encerra o problema da violência no México. Ao contrário, pode abrir uma disputa interna por poder, com possíveis confrontos entre facções.
A operação, no entanto, deixa uma mensagem inequívoca: nenhuma estrutura criminosa é invulnerável e nenhum líder é invisível. No fim, o detalhe humano pode ser mais decisivo do que qualquer arsenal.
A emboscada foi fatal. E começou muito antes do primeiro disparo.
Veja o vídeo:
