Hoje o Brasil está passando por um ponto que, segundo vários analistas, rompe a história institucional da República.
Quando generais de alta patente, herdeiros da tradição de Caxias, se curvam simbolicamente ao poder do Judiciário, não é só questão de decisões de justiça. Isso mostra que um novo esquema de poder se firmou, onde a toga, e não a política ou a força do Estado, passa a comandar o país.
Esse fato não se resume à história; tem também um lado filosófico.
Para entender isso, a obra de Olavo de Carvalho dá uma lente poderosa.
Olavo de Carvalho, em vários ensaios, explicou o que chama de “mecanismo de usurpação lenta”. Ele mostra como instituições feitas para resolver conflitos vão, aos poucos, tomando funções que não são suas, graças à omissão política, ambições corporativas e narrativas desequilibradas.
Ele nomeou isso de “usurpação lenta e silenciosa”: um poder que cresce não pela força aberta, mas pelo vazio que os outros deixam.
Com essa teoria, vemos que a subida da toga no Brasil não foi um acidente.
É fruto de décadas de interpretação exagerada, excesso de judicialização e falta de freios institucionais.
Ao longo da história, as Forças Armadas — apesar dos debates sobre sua atuação — sempre foram fundamentais para conter crises.
Não como poder político direto, mas como símbolo de estabilidade quando o país caía em caos.
Olavo dizia que, sem um “núcleo de autoridade moral”, a sociedade não se sustenta.
Para grande parte da população, o Exército sempre foi esse núcleo.
A atual submissão simbólica do Exército mostra que esse centro de gravidade desabou.
Quando generais de quatro estrelas são expostos publicamente e recebem ordens judiciais sem poder contestá‑las, perde‑se mais que biografias; perde‑se o sentido histórico da farda como último pilar de união nacional.
A ideia de Olavo sobre o “poder invisível” — que não aparece nos organogramas, mas domina narrativas, burocracias e decisões — encaixa perfeitamente na realidade brasileira atual.
Para Olavo, esse poder não se baseia na violência, mas no domínio da interpretação.
Quem domina a interpretação, domina a realidade política.
No Brasil, vários analistas dizem que o Judiciário subiu porque passou a controlar:
Alguns juristas chamam isso de “supremocracia”, ideia que bate de frente com a crítica de Olavo ao “Estado hermenêutico”, onde as leis deixam de ser limites e viram ferramentas flexíveis de poder.
Olavo de Carvalho passou boa parte de sua obra analisando a humilhação pública como ferramenta de engenharia social.
Ele dizia que destruir a imagem simbólica de uma instituição é o primeiro passo para tirar sua força moral.
O que vemos hoje, segundo muitos intelectuais, é exatamente isso:
a desmoralização pública de quem, por décadas, simbolizou a autoridade histórica do Exército Brasileiro.
Não vamos discutir a legalidade dos processos, mas sim o uso simbólico deles para mudar o campo institucional.
Montesquieu dizia que a liberdade depende de uma separação equilibrada dos poderes.
Olavo ampliou essa ideia, afirmando que quando um poder se torna incensurável — ninguém pode criticá‑lo sem ser punido — nasce o embrião do autoritarismo.
Para esses analistas, o Brasil parece estar entrando exatamente nesse estágio:
Como Olavo dizia: “onde há poder incontestável, não existe República; há tutela.”
Conclusão: A espada de Caxias frente à nova ortodoxia
O Brasil chegou a um ponto marcante: não se trata só da prisão de generais, mas da redefinição do papel das Forças Armadas no Estado.
Na visão de Olavo, o país vive o auge de um processo de décadas: a autoridade moral foi tomada pela instância hermenêutica que domina a narrativa nacional.
Nesse contexto, a espada de Caxias não perde pela lei, mas pela supremacia da interpretação, que hoje é o verdadeiro centro de poder da República.
