Durante participação em evento da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), nesta sexta-feira (20), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, abriu o jogo sobre os bastidores de sua indicação à Corte em 2021, feita pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). O magistrado revelou que enfrentou forte resistência de setores influentes do poder.
“Resgatando aqueles momentos de sabatina, pré-sabatina, pós-indicação, eu olhava o cenário e via muita gente poderosa não querendo que eu avançasse. Muito mais poderosa do que eu”, afirmou Mendonça, ao relembrar o período conturbado anterior à sua aprovação no Senado.
Ao detalhar sua estratégia naquele momento delicado, o ministro explicou que optou por agir com cautela, evitando confrontos diretos antes da definição da data da sabatina. Segundo ele, a escolha tática foi determinante para garantir sua aprovação.
“Tracei como estratégia ‘se eu demonstrar força agora, antes da marcação da sabatina, eu vou aumentar a carga contra mim’. Então até a marcação da sabatina, eu tinha que demonstrar fraqueza, e só depois de marcada a sabatina, demonstrar força. Porque se eu fosse brigar simplesmente pelo lado da força sem ter estratégia, eu seria derrotado. Então, saiba o momento certo de agir”, orientou o ministro.
A declaração de Mendonça revela os bastidores de um processo de indicação marcado por resistências no establishment político e jurídico brasileiro, expondo as dificuldades enfrentadas por um indicado de Bolsonaro para chegar ao Supremo Tribunal Federal.
