Um assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, havia solicitado uma reunião com o ministro Kassio Nunes Marques, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo do encontro seria tratar de temas relacionados às Eleições de 2026 no Brasil.
Nunes Marques assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 4 de junho, o que aumenta a relevância institucional do magistrado no processo eleitoral brasileiro.
Antes mesmo de a reunião ser oficialmente confirmada, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu impedir a entrada do assessor norte-americano no país. A decisão foi executada pelo Ministério das Relações Exteriores, que optou por revogar o visto de Beattie.
A medida foi mencionada publicamente pelo próprio presidente Lula durante declaração feita na sexta-feira (13). Na ocasião, o chefe do Executivo afirmou:
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu amigo [ministro] da saúde que está bloqueado. Bloquearam o visto do Padilha, da mulher dele e da filha dele de 10 anos”.
Segundo informações divulgadas, Beattie planejava viajar ao Brasil na semana seguinte. Além da tentativa de agenda institucional com o ministro do STF, o assessor também buscava autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso no complexo da Papudinha.
Essa visita, entretanto, não recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes. De acordo com posicionamento do Itamaraty, a presença de um representante oficial estrangeiro em encontro com um ex-chefe de Estado, especialmente em período pré-eleitoral, poderia ser interpretada como uma forma de interferência indevida em assuntos internos do Brasil.
