Entre 2013 e 2023, o Brasil contabilizou 144.566 mortes por suicídio. Setenta e nove por cento das vítimas eram homens. O número não representa apenas uma estatística — revela o retrato brutal de uma geração inteira que aprendeu a engolir a dor em silêncio, porque pedir socorro foi ensinado como fraqueza, e fraqueza foi transformada em vergonha. O problema não começa com o pai ausente. Começa com o homem que ainda está presente, mas que já não sabe o que significa ocupar esse lugar. A crise da masculinidade que esta geração vê nos números é consequência. A causa vem de uma desconstrução que aconteceu décadas antes, dentro das escolas, das universidades, das telas e das narrativas que formam consciência sem parecer que estão formando. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, publicada em 2024, revelou que dos 9 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos que não concluíram o ensino médio, 58,1% são homens. No ensino superior, a distância aumenta: apenas 27,7% dos homens frequentam a sala de aula. Um país que perde seus homens na educação antes dos vinte anos não está diante de um problema de política pública. Está diante de um problema de identidade. O que expulsa esses homens da escola? O IBGE identificou que 25,5% dos que abandonaram declararam “falta de interesse em estudar”. Não é preguiça — é ausência de propósito e identidade. Um homem que não sabe o que é, não sabe para que serve o que aprende. E um homem sem propósito não persevera. Foge. Isso não é obra do acaso. Por décadas, o projeto cultural dominante tratou a autoridade masculina como sinônimo de opressão, a liderança do pai como autoritarismo a ser desmantelado e a força como violência disfarçada. O resultado não foi a libertação prometida. Foi a geração de homens mais desorientada que o Brasil já produziu. O resultado é um paradoxo cruel: o projeto cultural retirou do homem a identidade que o sustentava, mas deixou intacta a programação que o impede de pedir socorro. Ele perdeu o chão — mas foi treinado a fingir que ainda está de pé. Não é apenas que os homens não buscam ajuda — é que foram treinados a não precisar dela. Pedir socorro exige expor uma vulnerabilidade e a vulnerabilidade foi ensinada como incompatível com o papel que a sociedade construiu do homem. Homens treinados a não precisar de nada morrem sozinhos. Os dados do Ministério da Saúde confirmam o paradoxo: entre janeiro e novembro de 2023, apenas 33,4% de todos os atendimentos em saúde primária foram de homens. Para cada mulher que cuida da própria saúde, há um homem que espera “estragar” antes de ir ao médico. O silêncio masculino não é coragem — é a máscara que uma cultura mal construída colou no rosto deles ainda crianças. Este argumento não é defesa do machismo, nem apologia à violência doméstica. Não é nostalgia de um patriarcado que também produziu seus danos. O que está em análise aqui é o movimento inverso: a substituição de um problema por outro. Trocou-se a autoridade mal exercida pela ausência de autoridade. E a ausência produziu órfãos — não de pais mortos, mas de referências vivas que abdicaram de existir. Um homem ensinado sistematicamente a pedir desculpas por ser homem não desenvolve coragem. Desenvolve vergonha. E homens com vergonha não lideram famílias — fogem delas. O que o Brasil chama de abandono paterno é, em grande parte, a saída silenciosa de homens que nunca foram formados para ficar. Não porque sejam maus. Porque nunca lhes foi dito que ficar e cuidar era o ato mais importante que poderiam fazer. A tendência é documentável e crescente. Em uma década, os dados de suicídio masculino aumentaram de forma contínua, com maior concentração entre jovens de 20 a 29 anos — exatamente a faixa que deveria estar construindo família, carreira e propósito. Isso não é coincidência. É o custo social de uma geração que foi desconstruída antes de ser formada. A solução não está numa lei, numa política pública ou numa campanha sazonal de conscientização. Está na decisão de cada comunidade, cada família e cada homem rejeitar o roteiro da vergonha e reivindicar o lugar que a história exige. Caráter não é virtude decorativa — é a única fundação sobre a qual um homem pode ficar de pé quando tudo pressiona para que ele ceda ou desapareça. O Brasil não precisa de homens que pedem desculpas por existir. Precisa de homens que decidem, todos os dias, que existir com propósito é a única forma de existência que vale a pena. Diante de uma geração desorientada é fundamental afirmar: a masculinidade tem uma essência — e essa essência não é o problema. É parte da solução.
Banqueiro do Caso Master invadiu sistemas da PF, MPF, FBI e Interpol para acessar investigações sigilosas
Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, recebeu arquivos confidenciais de três procedimentos que tramitavam sob sigilo no Ministério Público Federal. O acesso ilegal ocorreu em julho de 2025. A Justiça Federal de Brasília determinou a prisão do empresário quatro meses depois, em novembro do mesmo ano. Mensagens comprovam que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como “Sicário”, enviou os arquivos sigilosos a Vorcaro no dia 24 de julho de 2025. As transmissões aconteceram entre 16h28 e 16h31. O material foi localizado no celular apreendido pela Polícia Federal após a primeira detenção de Vorcaro. O banqueiro tentava embarcar para Dubai, com escala em Malta. Entre os documentos estava a apuração sobre irregularidades na aquisição do Master pelo BRB. Essa investigação motivaria a detenção do empresário meses depois. Os outros dois procedimentos abordavam a transação entre o Master e o BRB, operação que a Justiça Federal de Brasília caracterizou como “pura camaradagem”. O terceiro examinava suspeitas sobre um triplex de luxo em São Paulo, avaliado em R$ 60 milhões, que teria sido usado como propina na negociação com o banco estatal. Investigadores identificaram que Vorcaro e seus comparsas executavam buscas por termos específicos em procedimentos sigilosos. As palavras procuradas eram “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”, apontado pela PF como sócio oculto do banco. A tática permitia ao grupo localizar investigações que envolvessem seus interesses antes que as autoridades tomassem providências. A apuração sobre o imóvel de luxo encontrava-se em fase inicial de coleta de informações. O procedimento permaneceu nesse estágio até dezembro do ano passado. O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli ordenou o envio ao tribunal de todas as investigações conexas. Em julho de 2025, o Banco Central já havia detectado dificuldades do Master em captar recursos e honrar compromissos. A autoridade monetária alertava sobre o risco de adoção de “medidas prudenciais preventivas”. A transação com o BRB era fundamental para a sobrevivência do banco de Vorcaro. Três meses antes, em abril de 2025, o Banco Master foi notificado pelo Banco Central. A notificação informava que as ações implementadas até aquela época não tinham sido suficientes para mitigar o risco de liquidez do conglomerado. A situação financeira da instituição se deteriorava progressivamente. Ao longo do primeiro semestre de 2025, o Banco Central identificou “graves irregularidades nas carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master ao BRB”. As irregularidades envolviam a utilização de artifícios contábeis “com o propósito de ocultar a real situação financeira do cedente, caracterizada por um grande volume de operações suspeitas e desprovidas de comprovação financeira, realizadas em desrespeito às normas de boa gestão”. A informação consta de uma auditoria do Tribunal de Contas da União. As investigações revelaram que Vorcaro teve acesso não apenas ao sistema do MPF. O banqueiro também obteve informações da própria Polícia Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol. A amplitude do acesso indevido demonstra a sofisticação da operação criminosa montada pelo grupo. A PF investiga se houve vazamento da ordem de prisão de Vorcaro. A suspeita se baseia em um pedido da defesa feito no mesmo dia em que foi assinada a determinação do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. A hipótese foi reforçada após vir à tona o acesso indevido de Sicário aos sistemas internos da PF e do MPF. A defesa de Vorcaro protocolou um pedido na Justiça Federal de Brasília no dia 17 de novembro às 15h47. O juiz Ricardo Leite havia assinado a ordem de prisão às 15h29. Os advogados se posicionaram “contra medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”. O intervalo entre a assinatura da ordem e o protocolo da petição foi de apenas 18 minutos. Na petição, a defesa menciona uma nota publicada no site O Bastidor às 11h08 sobre um inquérito na 10ª Vara Federal de Brasília. A publicação tratava de fraude bilionária envolvendo a compra do Master pelo BRB. A nota não mencionava risco de prisão. A ordem deveria ser cumprida na manhã do dia 18 de novembro. A execução aconteceu no mesmo dia da decisão. A PF suspeitava que Vorcaro fugisse do país. Segundo a apuração policial, o banqueiro obteve informação sobre o inquérito sigiloso mediante acesso ilegal aos sistemas da corporação. Posteriormente, teria usado o site para tornar a informação pública. Esse processo foi descrito como “esquentando” os dados. A estratégia permitiria apresentar a petição ao juiz Ricardo Leite. O ministro André Mendonça, novo relator do caso, autorizou a terceira fase da operação Compliance Zero. A operação resultou na prisão de Vorcaro. Na decisão, o magistrado apontou registros indicando que Daniel Vorcaro teve acesso prévio a “informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento”. O ministro destacou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos. As investigações apontam que os acessos incluíam bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial. Mendonça observou que tais acessos “teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional”. O ministro afirmou que, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol. Sicário possuía extensa ficha criminal na polícia de Minas Gerais. Foi indiciado por estelionato, furto de veículos, crime cibernético e associação criminosa. Com histórico de fraudes digitais, ele recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro. Sicário morreu após tentar cometer suicídio na superintendência da PF em Minas Gerais. Vorcaro e seus comparsas adotaram uma campanha de spearfishing direcionada a servidores do MPF previamente mapeados pelo grupo. O método utiliza telas falsas de troca de senhas enviadas por e-mail aos servidores alvos do golpe. A principal característica desse esquema é o cuidado para tornar a fraude convincente. O objetivo é evitar que
Governo à beira do colapso: instituições fragilizadas, mídia em fuga e o PT tentando se salvar
O Nordeste começa a dar sinais de afastamento da esquerda, enquanto o próprio PT procura se distanciar da cúpula do atual governo. A precariedade da gestão não se mede apenas pela proximidade ou distância dos votos, mas pela incapacidade de responder às demandas reais da sociedade. A sensibilidade popular aflora e o mal-estar se espalha entre aqueles que ainda tentam sustentar o que está acontecendo. A sujeira é tão vasta que nem a maior empresa de limpeza do mundo daria conta de remover o mar de lama. No alto escalão, ministros já não falam a mesma língua. O Senado começa a ferver como panela de pressão, e seu presidente corre o risco de ser “convidado a se retirar à força”. A Câmara dos Deputados pode seguir o mesmo caminho. Aos poucos, a Polícia Federal retoma seu trabalho com a dignidade que se espera de uma instituição republicana. Enquanto isso, PGR e STF são expostos como presas vulneráveis, levadas ao abatedouro da opinião pública e amplamente coligadas na proteção dos envolvidos. E os vazamentos — tratados como crimes — revelam conteúdos que, longe de serem descartados, comprometem grande parte da cúpula e escancaram a fragilidade institucional. A mídia também sente o impacto Até mesmo a Rede Globo, historicamente alinhada com correntes de poder, começa a se desvincular da narrativa oficial. O temor é claro: se o governo ruir, a emissora pode ser arrastada junto ao precipício. Esse movimento revela que não apenas partidos e instituições, mas também veículos de comunicação buscam se proteger da erosão política. O que está em jogo Instituições fragilizadas: STF e PGR expostos, Congresso em ebulição. Mídia em reposicionamento: Globo e outros veículos tentam se afastar para não perder credibilidade. Sociedade polarizada: O eleitorado dividido pressiona por respostas concretas, mas encontra apenas discursos e dá sinais claros de amadurecimento eleitoral. O Brasil se aproxima de uma encruzilhada histórica. As instituições estão fragilizadas, os partidos buscam reposicionamento e até a mídia tradicional tenta escapar da correnteza para não ser arrastada pelo precipício. O governo pode ruir, e o temor é que leve consigo não apenas aliados políticos, mas também veículos e estruturas que se mantiveram próximos demais do poder. Mais do que números de pesquisas ou disputas partidárias, o que está em jogo é a credibilidade da democracia brasileira. O eleitor precisa estar atento, informado e consciente de que o futuro não será decidido apenas nas urnas, mas também na capacidade das instituições de resistirem à pressão e se manterem fiéis ao interesse público.
A hipocrisia do STF: como ministros que elogiavam a Lava Jato agora a tratam como aberração
O termo “Síndrome da Lava Jato” é utilizado para descrever o conjunto de consequências políticas, econômicas e jurídicas decorrentes da operação que revelou um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios na Petrobras. A expressão expõe a admiração que alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tinham pela Operação, bem como o atual repúdio publicamente manifestado. A admiração pela Lava Jato, antes, era uma unanimidade. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, que atualmente não perde uma oportunidade para ridicularizar o ex-juiz Sérgio Moro e criticar a investigação, era um dos seus admiradores. Em certa ocasião afirmou, numa entrevista, que o PT tinha “um plano perfeito” para se “eternizar no poder”, interrompido pela Lava Jato, que “estragou tudo”. Na época, Mendes participava de um seminário em São Paulo ao lado do então presidente da FIESP, Paulo Skaf. Nessa ocasião ele afirmou que o PT era contra o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais porque, com as verbas desviadas da Petrobras, tinha “dinheiro para disputar a eleição até 2038”, e que “deixaria uns caraminguás para os demais partidos”. A Lava Jato ficará na história por ter descoberto um esquema de corrupção na estatal da ordem de R$ 6,8 bilhões destinados ao pagamento de propinas a políticos, agentes públicos e diretores da Petrobras, bem como por ter colocado na prisão vários corruptos, além de um ex-presidente da República. Mendes, antes, entendia que o esquema revelado pela operação mostrou que foi instalado no país uma “cleptocracia”, ou seja, um Estado governado por ladrões. “Eles tinham se tornado donos da Petrobras. Infelizmente para eles, e felizmente para o Brasil, deu errado”, declarou. Ao votar pela liberação das doações de empresas aos partidos, o magistrado também atacou o PT, dizendo que o partido conseguia captar recursos na faixa dos bilhões de reais por contratos com a Petrobras, passando a ser o defensor do fim do financiamento privado de campanha. “Eu fico emocionado, me toca o coração” — ironizou. Outros ministros também defendiam a Lava Jato, a exemplo do grupo formado por Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, da ala “legalista” do Supremo. Eles defendiam respostas mais rigorosas da Justiça para os casos de corrupção. Os três costumavam votar alinhados ao que fosse mais benéfico à operação Lava Jato durante os julgamentos no plenário. Os demais flutuavam entre os dois grupos, ora votando junto com Fachin, Barroso e Fux, ora se alinhando a Toffoli, Mendes e Lewandowski. Eram os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Carmen Lúcia, Marco Aurélio e Celso de Mello. A Lava Jato, enquanto durou, teve muitas vitórias no Supremo, com placares apertados nos julgamentos importantes. O caso da possibilidade de prisão em segunda instância foi o mais emblemático dessa situação. Em abril de 2018, quando o plenário julgou um habeas corpus preventivo da defesa do ex-presidente Lula para que ele não fosse preso no caso do tríplex no Guarujá, o resultado foi de 6 votos a 5 a favor da prisão. Nessa ocasião, a ministra Rosa Weber votou favorável à prisão em segunda instância, deixando claro que estava apenas seguindo a jurisprudência por se tratar de um habeas corpus, e não de um caso abstrato. Quando o tema voltou à pauta, no ano seguinte, ela virou o placar contra a possibilidade de execução antecipada da pena, o que levou à soltura de políticos presos na Lava Jato, como o ex-presidente Lula da Silva, que cumpria pena em Curitiba. Apesar das críticas atuais de alguns dos ministros do STF, o fato é que a história registrará que a Lava Jato era admirada pela maioria deles, e que, agora, infelizmente, a têm como uma aberração jurídica, além de um incontido pavor.
Vorcaro bancou “farra” milionária para Moraes, Toffoli, Gonet e diretor da PF de Lula em Londres
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes participou de uma degustação do whisky escocês Macallan no George Club, em Londres. O evento aconteceu em 25 de abril de 2024. O empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também compareceram ao encontro. O George Club é um clube privado alugado para eventos especiais, localizado em Mayfair, uma das áreas mais valorizadas da capital britânica. A degustação teve duração de duas horas. Os participantes também puderam fumar charutos oferecidos gratuitamente. O encontro aconteceu durante o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 26 de abril de 2024 na cidade inglesa. O Banco Master, instituição controlada por Vorcaro, patrocinou o evento. Documentos da organização foram encaminhados pela Polícia Federal à CPMI do INSS. Esses registros constam no acervo da comissão parlamentar. A degustação de Macallan no George Club custou US$ 640.831,88. O valor equivale a aproximadamente R$ 3,2 milhões na cotação de abril de 2024. Cerca de 40 pessoas compareceram ao evento custeado por Daniel Vorcaro. Entre as autoridades presentes estavam Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues, Benedito Gonçalves (ministro do STJ), Ciro Soares (advogado de Daniel Vorcaro), o próprio Daniel Vorcaro (fundador do Master e atualmente preso), Dias Toffoli (ministro do STF), Hugo Motta (presidente da Câmara), Paulo Gonet (procurador-geral da República) e Ricardo Lewandowski (então ministro da Justiça). Vorcaro comentou com sua então namorada, Martha Graeff, sobre a presença das autoridades. “Todos os ministros do Brasil, do STF, STJ etc. E euzinho discursando”, declarou o empresário. Ao término da degustação, cada convidado recebeu uma garrafa de whisky Macallan como presente.
Estratégia petista já prepara blindagem de Lula com ênfase em problemas de saúde
Articulações políticas já movimentam estratégias para blindar Lula e os envolvidos no caso Master. A tática inclui tentar afastar André Mendonça da supervisão dos escândalos, criando no público a percepção de que o ministro seria suspeito para julgar os casos. Os argumentos apresentados são considerados frágeis, mas a estratégia aposta na insistência. Segundo apuração, o briefing já circulava nas comunidades monitoradas. Outra orientação distribuída era vincular Flávio Bolsonaro ao caso Master e enfatizar os problemas de saúde de Lula, o que evidencia que a militância petista já prepara um plano alternativo. A estratégia de backup seria acionada caso as pesquisas continuem mostrando avanço de Bolsonaro nas intenções de voto.
Lula desiste de ir à posse de Kast no Chile após Flávio Bolsonaro confirmar presença
Lula desistiu de comparecer à cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast. O evento acontece nesta quarta-feira (11) na cidade de Valparaíso, sede do Poder Legislativo chileno. A informação é de interlocutores do Planalto, que afirmaram que a decisão foi tomada nesta segunda à noite. Lula já tinha confirmado que compareceria à cerimônia. Equipes do governo brasileiro, inclusive, já estavam no Chile. Nesta manhã, a Secretaria de Comunicação do governo confirmou a informação sobre a desistência de Lula de ir ao Chile. A decisão ocorre logo após o senador Flávio Bolsonaro anunciar que estará presente no evento, uma vez que foi convidado pelo presidente eleito José Antonio Kast, seu amigo pessoal.
Kim Kataguiri afirma que Alexandre de Moraes deveria estar preso e aponta covardia do Congresso
O deputado federal Kim Kataguiri declarou nesta segunda-feira (9) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria “estar preso”. Segundo o parlamentar, o magistrado só não está detido por um motivo: a “covardia de deputados e senadores”. Em suas redes sociais, Kim anunciou que pretende convocar o ministro do Supremo, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a ex-namorada de Vorcaro, Martha Graeff, para prestarem esclarecimentos. “ALEXANDRE DE MORAES DEVERIA ESTAR PRESO! Só não está por causa da COVARDIA de deputados e principalmente senadores do nosso Congresso. Isso não vai ficar assim, eu lutarei até o fim para que ele responda pela sua conduta. Quero ele sentado na minha frente na CPMI, respondendo os questionamentos que a população brasileira inteira merece ouvir. Além disso quero convocar a sua esposa e também a famosa Martha Graeff, confidente pessoal do Vorcaro e de seus encontros com o ministro”, declarou o deputado.
Empresário de 44 anos morre durante Ironman em Curitiba após parada cardíaca no ciclismo
O mundo esportivo foi abalado no último domingo (8) pela morte de um atleta experiente durante uma competição de triatlo. O empresário Sérgio Ferreira, de 44 anos, faleceu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante o Ironman 70.3. O atleta já havia disputado a competição seis vezes, demonstrando experiência na modalidade. O evento é reconhecido como uma das mais tradicionais competições de triatlo do país e totaliza 113 km, divididos em 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida. Segundo a organização do evento, Sérgio passou mal durante a etapa de ciclismo. A equipe médica que acompanhava o percurso prestou os primeiros socorros e o encaminhou imediatamente para um hospital em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, mas ele não resistiu. Em nota oficial, a organização informou que está prestando apoio à família e lamentou profundamente a morte do atleta. Sérgio, que era franqueado e diretor da Viva Barbacena, deixa a companheira e um filho de 1 ano e seis meses.
Código de Ética do banco Master feito por Viviane Barci tinha capítulo sobre corrupção
Na capa do Código de Ética da Petrobras, edição 2006, estava lá, reluzente e pimpão, a foto do diretor da empresa, Pedro Barusco. Onze anos depois, Barusco confessaria à Polícia Federal que havia embolsado 97 milhões de dólares no esquema desvendado pela operação Lava-Jato. Agora, outro Código de Ética envolve outro personagem suspeito. Não se sabe se o banqueiro Daniel Vorcaro estampa a capa do código de ética da sua empresa, mas na apresentação, o banqueiro escreve: “Conto com o apoio e a colaboração de cada um de vocês para que este Código seja respeitado e vivenciado em sua plenitude”. A coisa fica ainda mais curiosa quando se sabe que esse Código custou R$ 129 milhões, pagos ao escritório da esposa de um ministro do Supremo. O código da Petrobras, ao menos, deve ter custado bem menos aos cofres da empresa. Toda empresa que se preze tem o seu Código de Ética. Na seleção de fornecedores, um dos requisitos frequentemente exigidos é a apresentação do Código de Ética. Não porque o Código evite condutas erradas, mas para que os funcionários não possam alegar ignorância a respeito do que pode ou não pode ser feito nas zonas cinzentas das relações comerciais. O Código de Ética serve para os funcionários, não para os donos da empresa. Um código de conduta serve para que a empresa se proteja dos seus funcionários, seja de conluio destes com fornecedores, seja envolvendo o nome da empresa em práticas pouco éticas para conquistar clientes, e que podem significar problemas reputacionais mais à frente. Os donos da empresa, obviamente, decidem o que é admissível ou não para as suas próprias empresas. Afinal, é a sua reputação e da sua empresa que estão em jogo. Código de Ética tem sido o termo do momento quando se fala do Supremo Tribunal Federal. O problema é que os ministros agem como se fossem donos do STF, e não funcionários do povo brasileiro. Como donos, ninguém precisa lhes dizer o que é ético ou não, dado que não precisam dar satisfação a ninguém de seus atos. Por outro lado, se fossem considerados funcionários, um Código de Ética do Supremo determinaria o que os cidadãos consideram ético ou não para os seus funcionários. Esse código deveria ser escrito pelos representantes dos cidadãos no Congresso. Pensando melhor, faz todo sentido não haver um Código de Ética para o STF. Assim, os Supremos evitam a piada pronta dos Códigos de Ética da Petrobras e do Master. Marcelo Guterman é engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.