A advogada Viviane Barci e seus filhos, Giuliana e Alexandre, participam do processo que investiga Nelson Tanure e Gilberto Benevides por suposto insider trading nas operações da construtora Gafisa. O Banco Master figura entre as partes interessadas no inquérito e é representado no caso pelo escritório Barci de Moraes. A informação foi trazida pela jornalista Malu Gaspar, que explicou: “O caso foi remetido ao Supremo em função das conexões entre o processo da construtora e as fraudes no Banco Master, citadas na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Tanure e Benevides em dezembro e admitidas posteriormente pela defesa do primeiro empresário, que também é investigado no caso do Master.” A instituição liquidada pelo Banco Central em novembro passado figura como terceiro interessado, ou seja, uma pessoa física ou jurídica que não consta na relação processual inicial, mas tem legítimo interesse jurídico caso a decisão final da Justiça tenha o potencial de afetar seus direitos. Vorcaro e o Master não foram denunciados pelo MPF no caso da Gafisa, mas as investigações relacionadas às supostas operações irregulares de Tanure e Benevides na construtora miraram gestoras como a Trustee e Planner e fundos investigados no âmbito do banco. Por esse motivo, os interesses do banqueiro e da instituição liquidada podem ser impactados no decorrer do processo no STF. Caso o inquérito chegue ao plenário da Corte, o caso relatado por Toffoli poderá ser votado por Alexandre de Moraes, marido da advogada do Master, quando estes interesses estiverem em jogo. Também figuram como terceiros interessados o investidor Vladimir Joelsas Timerman, acionista da Gafisa cuja denúncia sobre as movimentações suspeitas na empresa deu origem ao processo, sua gestora, a Esh Capital, a própria construtora e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).”
Banco Central decreta a liquidação de mais um banco
O Banco Central decretou a liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master, que estava sob regime de administração especial temporária desde novembro. Segundo a Folha de S.Paulo, o Will Bank foi mantido quando o BC anunciou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro, pois na época havia investidores interessados em adquirir a instituição, interesse que não se concretizou. Criado em 2017 e adquirido pelo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com ativos de R$ 14,4 bilhões, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, de acordo com dados do Banco Central. Uma eventual venda do Will Bank, como se esperava, poderia reduzir as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá pagar até R$ 250 mil a 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos garantidos emitidos pelo Master, totalizando R$ 40,6 bilhões, a maior indenização já feita pelo fundo. Caso não haja venda, as perdas do FGC com o Master podem aumentar. O Will Bank encerrou setembro com R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e nenhum valor em depósitos à vista, como conta corrente.
Tayayá, o “Resort do Toffoli”, recebe o ministro em visitas frequentes
O ministro Dias Toffoli possui uma residência na área exclusiva Ecoview, do Resort Tayayá, onde costuma estar com frequência. Ele também mantém uma embarcação particular ancorada no píer do complexo hoteleiro. O irmão do ministro, José Carlos Dias Toffoli, tem outra residência no mesmo empreendimento. Antes de se dedicar ao mercado imobiliário de alto padrão, José Carlos foi padre. A incorporadora que construiu os apartamentos do resort tem como sócios José Carlos e José Eugênio, também irmãos de Toffoli. O estabelecimento está situado na divisa entre Paraná e São Paulo, às margens da represa de Xavantes, e já recebeu outros integrantes do Supremo Tribunal Federal. Funcionários do local citam a ministra Cármen Lúcia entre as visitantes ilustres. As diárias dos apartamentos mais simples podem chegar a R$ 2 mil. Segundo a equipe, o ministro, carinhosamente chamado de “Zé” pelos funcionários, aprecia o estilo arquitetônico rústico do empreendimento. O complexo oferece infraestrutura completa de lazer: seis piscinas, três delas aquecidas, quadras de tênis e de beach tennis, além de programação recreativa para crianças. Para quem opta pelo transporte aéreo, o percurso inclui voo fretado até Ourinhos (São Paulo) e, em seguida, helicóptero até o resort. Em Ribeirão Claro, o local é conhecido como “resort do Toffoli”.
STF cria artimanha para processar enfermeira sem foro privilegiado que insultou Dino, chamando‑o de ‘lixo’
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu julgar uma enfermeira depois de estabelecer conexão entre um incidente ocorrido em aeroporto e as investigações sobre fake news e milícias digitais. A decisão foi tomada mesmo sem a profissional possuir foro privilegiado. O caso segue um padrão de situações semelhantes que foram encaminhadas ao STF recentemente. Episódios como o dos Mantovani em Roma e o de um casal que teria hostilizado o ministro Gilmar Mendes em Madri também foram enviados à Corte, apesar de os envolvidos não terem foro privilegiado. Um precedente análogo ocorreu em dezembro de 2018, quando um advogado foi detido após um incidente em voo comercial. Durante o trajeto entre São Paulo e Brasília, o passageiro disse ao então ministro Ricardo Lewandowski que o STF era “uma vergonha”. O magistrado respondeu ao advogado com a pergunta: “Você quer ser preso?”. Ao desembarcar, o passageiro foi detido por agentes da Polícia Federal. Na ocasião, o então presidente do Supremo, Dias Toffoli, solicitou investigações à PF e à Procuradoria‑Geral da República, classificando o episódio como inaceitável. O desfecho daquele caso foi diferente do atual. A então procuradora‑geral Raquel Dodge não identificou elementos que configurassem delito e manifestou‑se contra a criminalização da conduta. A primeira instância judicial determinou o arquivamento do processo, entendendo que o ocorrido representava exercício da liberdade de expressão.
Renan Calheiros ameaça ao caso Master e à CVM
“Uma coisa é certa o sistema financeiro não será mais o mesmo depois do escândalo do Master. Todos nós, juntos, precisamos fazer o que a CVM não fez”. Essa fala de Renan Calheiros, reproduzida na coluna da jornalista Vera Rosa (veja ao final do texto), soa mais como ameaça do que como promessa. Certamente o inefável senador, não exatamente conhecido pela sua honestidade, não está falando em fortalecimento dos órgãos de controle. Pelo contrário: a frase significa a substituição do corpo técnico pela política. “Todos juntos”. Sempre lembro aqui do caso Madoff. O grande golpista do mercado financeiro americano enganou milhares de investidores durante anos, antes de ser denunciado. A SEC foi leniente, e não identificou o golpe até que atingisse cifras astronômicas. A diferença fundamental para o caso brasileiro é que Bernard Madoff foi processado e condenado em menos de seis meses a mais de 150 anos de prisão. Morreu enjaulado, vestindo o uniforme laranja dos presidiários. Alguém consegue imaginar Vorcaro e todos os seus cúmplices na mesma situação? O crime sempre está um passo à frente, e golpes sempre ocorrerão. O que faz a diferença é o efeito, a demonstração de condenações e penas para valer, a única coisa capaz de inibir de verdade os bandidos. Quando Calheiros fala em “fazer o que a CVM não fez”, certamente não está se referindo a uma reforma do sistema judiciário para que bandidos de colarinho branco morram na cadeia pelos seus crimes contra a economia popular. Seu objetivo é contaminar, com a política, uma agência que deveria ser técnica. Está em jogo, no caso, a presidência da CVM, atualmente com um indicado por seus desafetos políticos. Em um país em que tipos como Sérgio Cabral e Marcelo Odebrecht estão por aí, livres, leves e soltos, é até piada de mau gosto falar em “falha dos órgãos de controle”. Banco Central e CVM fazem o que podem, dentro de suas limitações. A coisa desanda quando chega no sistema judiciário contaminado pela política. Renan Calheiros só está vestindo a capa do justiceiro porque o butim foi dividido entre seus adversários políticos. Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
Justiça impõe prisão perpétua ao assassino de ex‑primeiro‑ministro
O julgamento ocorreu nesta quarta‑feira (21). Tetsuya Yamagami, de 45 anos, acusado do homicídio do ex‑primeiro‑ministro do Japão, Shinzo Abe, declarou‑se culpado durante a sessão. A condenação já era praticamente certa após a confissão e a primeira audiência; o foco dos analistas estava na gravidade da pena a ser imposta. No mês passado, os promotores solicitaram prisão perpétua, qualificando o crime como “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós‑guerra”. Shinzo Abe foi alvejado em julho de 2022, enquanto proferia um discurso de campanha eleitoral na cidade de Nara, no oeste do Japão. O assassinato do líder que mais tempo permaneceu no cargo chocou a nação, onde homicídios com armas de fogo são raros. Abe exerceu a chefia do governo por oito anos, deixando o cargo em setembro de 2021. Ele foi o primeiro‑ministro que mais tempo permaneceu no poder. Seu sucessor, o 100.º primeiro‑ministro do país, Fumio Kishida, ex‑ministro das Relações Exteriores, foi eleito em outubro de 2021. Ao renunciar, Abe alegou problemas de saúde. Ele sofria de colite ulcerativa crônica, doença que já o havia forçado a se afastar do cargo em 2007.
Resort de Toffoli virou cassino ilegal com máquinas de aposta e blackjack
A família Toffoli promove jogo ilegal ao manter um cassino no resort que construiu. Reportagem do site Metrópoles identificou que o cassino oferece máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de cartas. No local, é possível jogar blackjack, modalidade de aposta com cartas proibida no Brasil. Todos os jogos são realizados com dinheiro. Em Ribeirão Claro, o estabelecimento é conhecido como “resort do Toffoli”. A coluna se hospedou no hotel nesta semana e, embora o nome do ministro não conste em documentos oficiais, funcionários tratam Dias Toffoli como proprietário. No final do ano passado, Toffoli fechou o resort para uma festa destinada a familiares e convidados. Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido por dois irmãos e um primo do ministro a um advogado da J&F, a gigante frigorífica de Joesley e Wesley Batista. Anteriormente, as ações do hotel foram adquiridas por um fundo que tinha como investidor o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Toffoli é o relator, no STF, de investigação envolvendo o banco e já atuou em processos da J&F. Funcionários do hotel disseram à coluna que o evento de Toffoli, no final de 2025, mobilizou toda a equipe do resort. O festejo contou com a presença de artistas e do ex‑jogador de futebol Ronaldo Nazário, o Fenômeno. Um funcionário publicou uma foto de Ronaldo no local, mas a apagou posteriormente. Na festa promovida por Toffoli, Ronaldo teria inaugurado a área de jogatina. Ele é jogador profissional de pôquer, modalidade legalizada no Brasil. O cassino dispõe de 14 máquinas de vídeo‑loteria. Na prática, as apostas funcionam como caça‑níqueis, embora sejam regulamentadas pelo governo do Paraná. O ambiente tem iluminação artificial, carpetes e luzes de néon, reproduzindo a estética de casas de apostas no exterior. O Metrópoles esteve no local sem se identificar. Os repórteres foram convidados a participar, após o horário oficial de fechamento, às 23 h, de outros tipos de jogos, como blackjack. Nessa modalidade, o jogador disputa contra o “dealer” para que a soma dos pontos das cartas se aproxime de 21. Esse tipo de jogatina, valendo dinheiro, não é legal no Brasil. O cassino funciona sem controle de entrada. A reportagem flagrou crianças nas máquinas caça‑níqueis em duas ocasiões. Elas estavam entre adultos que consumiam bebidas alcoólicas.
Pastor Malafaia se rende a Nikolas
O pastor Silas Malafaia parabenizou, nesta terça‑feira (20), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG). Ele elogiou a iniciativa de caminhar do interior de Minas Gerais até Brasília, em defesa da liberdade do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A “caminhada pela liberdade” deve percorrer mais de 200 quilômetros e tem previsão de chegada ao domingo (25) na capital federal, onde está programada uma manifestação em apoio ao ex‑presidente.
Visita de Tarcísio a Bolsonaro é cancelada – algo deu errado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não comparecerá à visita ao ex‑presidente Jair Bolsonaro, agendada para quinta‑feira (22). A visita havia sido autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que permitiu ao governador chegar entre 8h e 10h. A informação foi divulgada pelo jornalista Igor Gadelha, que a obteve de dois assessores do mandatário paulista; os assessores não souberam explicar o motivo do cancelamento. Algo deu errado.
A jogada ousada de Trump para militarizar a Groenlândia e provocar a OTAN
Entendendo melhor a jogada: Trump queria que a região da Groenlândia fosse militarizada, mas ocupar a região com tropas americanas seria interpretado como uma agressão à Rússia ou à Dinamarca. Ao ameaçar invadir a Groenlândia, Trump induziu a OTAN a movimentar tropas para a região, sem que isso soasse como uma ameaça direta à Rússia. Ricardo Santi.