A relação entre Lulinha e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, segue revelando novos desdobramentos comprometedores. A Polícia Federal identificou que ambos estiveram em Lisboa e Madri nos mesmos períodos em três ocasiões distintas. Os registros foram revelados em documentos da corporação nesta quarta-feira (12). As viagens aconteceram entre junho e novembro de 2024, justamente durante o período conhecido como Farra do INSS. A empresária Roberta Luchsinger participou de dois desses deslocamentos. Os três são alvos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. PRIMEIRA VIAGEM A LISBOA Lulinha e Roberta Luchsinger embarcaram em Guarulhos com destino a Lisboa em 13 de junho de 2024. Os dois ocuparam assentos na mesma fileira: o empresário na poltrona 7F e a empresária no assento 7A. Antonio Carlos Camilo Antunes partiu do mesmo aeroporto quatro dias depois, em 17 de junho. O lobista ocupou a poltrona 2H. O filho do presidente e a empresária permaneceram na capital portuguesa até 18 de junho. No voo de retorno ao Brasil, Lulinha ocupou o assento 4G e Roberta o 4C. O Careca do INSS deixou Lisboa em 21 de junho. No retorno, Antonio Carlos Camilo Antunes desembarcou em Brasília e sentou-se na mesma poltrona 4C utilizada pela empresária dias antes. DESLOCAMENTO A MADRI Antonio Carlos Camilo Antunes deixou Guarulhos em 12 de setembro de 2024. O lobista ocupou o assento 3E em voo para Madri. No dia seguinte, Lulinha e Roberta Luchsinger embarcaram juntos para a capital espanhola. Os dois sentaram-se nas poltronas 7G e 8D. O Careca do INSS retornou a Brasília em 20 de setembro. O lobista ocupou novamente um dos primeiros assentos do avião, a poltrona 2D. Lulinha desembarcou em Guarulhos dois dias depois, em 22 de setembro. Ele ocupou o assento 8G. Roberta Luchsinger permaneceu na Espanha por mais tempo. A empresária voltou ao Brasil apenas em 29 de setembro, na cadeira 1G. SEGUNDA VIAGEM A LISBOA Lulinha e o Careca do INSS embarcaram juntos de Guarulhos para Lisboa em 8 de novembro de 2024. O empresário ocupou a poltrona 6J e o lobista o assento 3F. Ambos tinham previsão de retorno para 14 de novembro. Fábio Luís alterou seus planos e estendeu a permanência em Portugal por três dias adicionais. Antonio Carlos Camilo Antunes manteve o cronograma original. O lobista deixou Lisboa em 14 de novembro. O filho do presidente retornou ao Brasil apenas em 17 de novembro. COMPRA DE PASSAGENS COM INTERVALO DE QUATRO MINUTOS A Polícia Federal apontou que as passagens aéreas de Fábio Luís Lula da Silva e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes para Lisboa em novembro de 2024 foram adquiridas com apenas quatro minutos de intervalo. Ambos os bilhetes foram comprados em 18 de outubro de 2024, com 21 dias de antecedência em relação ao embarque. A passagem de Antonio foi adquirida às 14h37. A de Fábio Luís foi comprada às 14h41. “Apesar de não compartilharem o mesmo código de reserva, observa-se um vínculo relevante de ser evidenciado, considerando ainda que as passagens foram compradas com exatos 21 dias de antecedência, sendo que a passagem de ANTONIO foi comprada no dia 18/10/2024 às 14:37 e a passagem de FABIO LUIS foi comprada dia 18/10/2024 às 14:41, ou seja, apenas 4 minutos de diferença”, afirmou a PF. A Polícia Federal identificou que o Careca do INSS transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger. Em uma dessas transferências, Antonio Camilo explicou que o dinheiro era destinado a “o filho do rapaz”. Segundo análise da própria Polícia Federal, a expressão possivelmente se referia a Lulinha. A corporação identificou que Roberta seria o elo de ligação entre os outros dois investigados. Mensagens em posse da PF reveladas em janeiro deste ano mostram que o Careca do INSS mandou entregar uma encomenda no apartamento em que Lulinha morava em São Paulo. A entrega ocorreu em dezembro de 2024. A encomenda era endereçada a Renata Moreira, esposa de Lulinha. Quando procurado na época, Fábio Luís declarou desconhecer o assunto. O empresário negou qualquer relação de proximidade com Antônio Antunes. Investigações também revelaram que Roberta Luchsinger e o Careca do INSS tentaram fazer lobby dentro do Ministério da Saúde. O objetivo era defender os interesses de uma empresa de tecnologia e da World Cannabis junto à pasta.
O erro estratégico da direita que entregou a Comissão da Mulher para Erika Hilton
Erika Hilton assumiu a presidência da Comissão da Mulher porque os grandes partidos, incluindo o PL, simplesmente não demonstraram interesse por essas comissões que consideram menos importantes. A presidência das comissões é negociada pelos partidos que detêm mais cadeiras. Portanto, se os partidos de centro-direita realmente quisessem defender essa bandeira, teriam conseguido facilmente a posição. Enquanto a direita tratar a pauta da mulher como um penduricalho, da mesma forma que trata as Comissões de Cultura e Educação, continuará deixando espaço aberto para a esquerda avançar sem resistência. Foi exatamente dessa maneira que a direita empurrou para a esquerda as universidades, a classe artística, os movimentos raciais e de gênero. A direita errou feio. Agora resta apenas reclamar que uma pessoa trans assumiu a presidência da comissão. Nas próximas eleições, é preciso pensar em escolher mulheres dispostas a debater com a esquerda nesses campos e ignorar aquelas que fogem do enfrentamento dessas pautas. Representatividade é exatamente isso. Se o objetivo é representar as mulheres, então é necessário estar apto a participar do debate.
Entidades de imprensa reagem contra busca e apreensão determinada por Moraes em residência de jornalista
Diversas entidades ligadas à comunicação manifestaram preocupação com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que determinou a realização de busca e apreensão na residência do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, no Maranhão. A medida judicial foi motivada por publicações feitas no “Blog do Luís Pablo”, nas quais foram divulgadas informações sobre o suposto uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por familiares do ministro do STF Flávio Dino. Em nota conjunta divulgada nesta quarta-feira (12), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificaram a decisão como preocupante e afirmaram que ela pode atingir diretamente o exercício da atividade jornalística. As entidades ressaltaram que o trabalho da imprensa possui proteção constitucional, especialmente no que se refere ao sigilo da fonte. Segundo elas, medidas que possam comprometer essa garantia devem ser avaliadas com cautela. O presidente-executivo da ANJ, Marcelo Rech, afirmou que eventuais irregularidades cometidas por profissionais da imprensa devem ser apuradas dentro dos parâmetros legais, mas com respeito às garantias constitucionais do jornalismo. “O eventual cometimento de crime por profissionais do jornalismo deve ser investigado e punido na forma da lei, observados o direito de defesa e o devido processo legal, mas resguardadas as prerrogativas da atividade jornalística, que existem para proteger toda a sociedade”, declarou. A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), entidade que reúne mais de 17 mil emissoras de rádio e televisão nas Américas, também divulgou comunicado expressando preocupação com a decisão. Segundo a organização, o exercício do jornalismo é protegido tanto pela Constituição brasileira quanto por padrões internacionais relacionados à liberdade de expressão e ao direito à informação. “Nesse sentido, a AIR considera que qualquer medida que possa afetar tais garantias deve ser avaliada com o máximo rigor e cautela, a fim de evitar impactos que possam restringir ou desencorajar a atividade informativa e o debate público em uma sociedade democrática”, afirma a entidade. A Comissão de Defesa da Liberdade de Expressão e de Imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB/MA) também se posicionou sobre o caso. A entidade informou que equipamentos utilizados no trabalho jornalístico, como computadores e celulares, foram apreendidos durante o cumprimento do mandado. Para a comissão, a situação gera preocupação quanto à preservação da liberdade de imprensa e ao respeito às garantias constitucionais previstas no artigo 5º da Constituição Federal, que assegura a liberdade de expressão e o sigilo de fonte. A entidade destacou ainda que, segundo jurisprudência do próprio Supremo Tribunal Federal, medidas de busca e apreensão devem ocorrer com cautela e limitar-se estritamente ao objeto da investigação, preservando o exercício profissional da atividade jornalística. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também criticou a decisão, afirmando que a medida não afeta apenas o jornalista diretamente atingido, mas pode gerar impacto mais amplo sobre o trabalho da imprensa no país. Segundo a entidade, a decisão judicial não teria apontado incorreções nas reportagens publicadas pelo jornalista, nem mencionado as garantias constitucionais relacionadas à liberdade de imprensa. A Abraji ressaltou ainda que o entendimento consolidado no Judiciário brasileiro reconhece o direito de jornalistas publicarem informações de interesse público, mesmo quando essas informações tenham caráter sigiloso. Por outro lado, o ministro do STF Flávio Dino afirmou, em nota, que a investigação não está relacionada a crimes contra a honra, liberdade de expressão ou ao chamado inquérito das fake news. Segundo ele, sua equipe de segurança foi informada sobre um suposto monitoramento ilegal de seus deslocamentos em São Luís, incluindo a divulgação de placas de veículos utilizados em sua proteção, além de informações sobre agentes de segurança e detalhes operacionais. De acordo com o ministro, o material foi encaminhado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para que fosse instaurado o procedimento investigativo correspondente. “A questão em investigação deriva da necessidade de apurar os citados monitoramentos ilegais dos procedimentos de segurança do ministro Flávio Dino”, afirmou na nota. O ministro também destacou que veículos de segurança podem ser utilizados pelo Supremo Tribunal Federal em cooperação com tribunais estaduais, conforme previsto em normas legais e resoluções do próprio STF e do Conselho Nacional de Justiça.
Elon Musk rompe o silêncio e afirma que prisão de Moraes “está a caminho”
O bilionário Elon Musk, proprietário da plataforma X (antigo Twitter), manifestou-se publicamente sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em publicação realizada nesta quinta-feira (12), o empresário declarou que uma eventual prisão do magistrado “está a caminho”. A declaração surgiu como resposta a uma postagem do jornalista norte-americano Glenn Greenwald na rede social. Greenwald havia compartilhado uma notícia relacionada às conexões entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes financeiras. Na publicação, o jornalista também relembrou uma postagem feita por Musk em agosto de 2024, quando o empresário divulgou uma imagem produzida por inteligência artificial que mostrava o ministro dentro de uma prisão. Na ocasião, Musk escreveu: “Um dia, Alexandre, essa foto da sua prisão será real. Guarde minhas palavras”. Ao responder novamente ao tema nesta quinta-feira, Musk foi direto: “Ainda não, mas (a prisão) está a caminho. Por que arrumar briga comigo? Que bobagem”. Livro aborda caso do Banco Master e suas conexões políticas Há informações que a velha mídia brasileira não teve coragem de noticiar. Escândalos como esse e detalhes das festas sexuais de Vorcaro para políticos e empresários poderosos estão no “documento” recém lançado: o livro Banco Master – O Caso Blindando Pelo STF. Ainda não se sabe por quanto tempo essa obra vai estar em circulação. O “sistema”, certamente, já está de olho e, por esse motivo, a editora liberou o FRETE GRÁTIS para todo o país. Acredite, o livro é a “autópsia do poder brasileiro”. Não perca essa oportunidade. Clique no link abaixo: https://www.conteudoconservador.com.br/products/banco-master-o-caso-blindando-pelo-stf-pre-venda
Moraes barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro e pode voltar à lista de sanções Magnitsky
No mesmo dia em que surgiu a informação de que o governo Trump analisa a possibilidade de aplicar novamente sanções contra Alexandre de Moraes, o ministro do STF tomou uma decisão contra um assessor direto do presidente americano. Alexandre de Moraes reconsiderou sua decisão anterior nesta quinta-feira (12) e negou a visita do assessor do governo Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília. Segundo informações, a decisão foi tomada após o Itamaraty alertar à Corte que o encontro de um funcionário do governo dos Estados Unidos com um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral poderia configurar ingerência em assuntos internos do país. No X, Alexandre Ramagem, deputado federal, comentou a decisão: “Ótimo para a relação diplomática do Brasil com os EUA, encabeçada pelo já declarado mundialmente violador de direitos humanos. Continue assim…” “Ademais, há indiscutivelmente diversas razões para a visita.” “Primeiro, todos sabem que a condenação de Bolsonaro se deu em processo cheio de nulidades, vínculos inexistentes e criatividade na imputação de crimes.” “Mas há ainda o não deferimento de prisão domiciliar, apesar do preenchimento de todos os requisitos: idade avançada, condição de saúde e ausência de cuidados devidos no estabelecimento prisional.” “Toda a questão humanitária implicada, com diversas evidências de violações de direitos, princípios e garantias, suportadas por uma pessoa presa e ainda inelegível, espanca qualquer alegação (apelação) de ingerência eleitoral.” “Lula preso recebeu diversas visitas de personalidades estrangeiras. Em alguma dessas visitas, Itamaraty se posicionou contra!? Houve decisão do STF contra!?” “José ‘Pepe’ Mujica (ex-presidente do Uruguai); Martin Schulz (ex-presidente do Parlamento Europeu e ex-líder do SPD alemão); Roberto Gualtieri (eurodeputado italiano); Alberto Fernández (então candidato à presidência da Argentina); Juan Carlos Monedero (fundador do Podemos, Espanha).” “Essa ilicitude apontada pelo chanceler é mais um factoide de ataques ao estado democrático, à soberania e, lógico, ao STF.” “Parabéns ao governo Lula e ao STF, unidos na errática diplomacia, redução de prestígio e desastrosa perda de influência do Brasil no cenário mundial.” O deputado Gil Diniz afirmou: “Parece que tem alguém querendo voltar a constar na lista de sancionados pela Magnitsky…” O jornalista Paulo Figueiredo também comentou: “Obrigado, Alexandre! Sabia que poderíamos contar sempre com uma decisão MAGNITFICA sua.” “Você faz o meu trabalho sempre mais fácil. A dúvida que eu tenho é: será que dá pra sancionar quem vai acabar na prisão?”
Avião militar dos EUA cai no Iraque com seis tripulantes a bordo
Uma aeronave militar de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos caiu nesta quinta-feira (12) no espaço aéreo do Iraque, conforme informou o Comando Central dos EUA (Centcom). O incidente ocorreu durante uma operação militar na região e mobilizou equipes de busca e resgate. Segundo informações divulgadas pela rede americana CBS, seis militares estavam a bordo do avião no momento da queda. Como o modelo utilizado na missão não possui sistema de ejeção, há preocupação quanto à possibilidade de vítimas fatais. Em comunicado oficial, o Comando Central afirmou que o acidente ocorreu em “espaço aéreo amigo” durante a Operação Fúria Épica. As autoridades militares também informaram que duas aeronaves estiveram envolvidas no incidente. “O Comando Central dos EUA está ciente da perda de uma aeronave de reabastecimento KC-135 americana. O incidente ocorreu em espaço aéreo amigo durante a Operação Fúria Épica, e as operações de resgate estão em andamento”, diz a nota. “Duas aeronaves estiveram envolvidas no incidente. Uma delas caiu no oeste do Iraque, e a segunda pousou em segurança.” As Forças Armadas americanas afirmaram ainda que o episódio não foi causado por ataque externo. “Isso não ocorreu devido a fogo inimigo ou fogo amigo”, informaram os militares, sem detalhar as causas do acidente. Equipes de resgate foram enviadas à área da queda para localizar os ocupantes da aeronave e avaliar a situação no local. O modelo envolvido no acidente é o Boeing KC-135 Stratotanker, principal avião de reabastecimento aéreo da Força Aérea dos Estados Unidos. Trata-se de um quadrimotor desenvolvido na década de 1950, que ao longo dos anos passou por diversas modernizações.
Imprensa internacional repercute recuo de Moraes após pressão do Itamaraty sobre visita de assessor de Trump
Alexandre de Moraes reconsiderou sua decisão anterior nesta quinta-feira (12) e negou a visita do assessor do governo Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília. Segundo informações, a decisão foi tomada após o Itamaraty alertar à Corte que o encontro de um funcionário do governo dos Estados Unidos com um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral poderia configurar ingerência em assuntos internos do país. A imprensa internacional já repercute o fato inesperado.
Moraes recua e barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro após Itamaraty alegar ‘ingerência eleitoral’
Alexandre de Moraes voltou atrás em sua decisão nesta quinta-feira (12) e negou a visita do assessor do governo Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília. A reviravolta ocorreu após o Itamaraty alertar à Corte que o encontro de um funcionário do governo dos Estados Unidos com um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral poderia configurar ingerência em assuntos internos do país, segundo informações divulgadas pela CNN. A reconsideração da decisão expõe mais uma vez a fragilidade jurídica das medidas adotadas contra Bolsonaro e evidencia a pressão política exercida sobre o Judiciário em casos envolvendo o ex-presidente. O episódio reforça a percepção de perseguição política contra Bolsonaro, que permanece preso em Brasília enquanto seus apoiadores denunciam irregularidades no processo que resultou em sua detenção.
Cunhada de Moraes é convocada para depor na CPMI do INSS após elaborar código de ética do Banco Master
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) protocolou requerimento solicitando a convocação da advogada Ana Cláudia Consani de Moraes para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades relacionadas ao INSS. Ana Cláudia é cunhada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações disponíveis nos metadados de um arquivo em PDF publicado no site do Banco Master, a advogada aparece como autora do Código de Ética da instituição financeira. Ana Cláudia Consani é casada com Leonardo de Moraes, irmão do ministro do STF. Nos últimos dias, o escritório Barci de Moraes divulgou nota oficial afirmando que a elaboração do Código de Ética do Banco Master integrou o conjunto de serviços prestados pelo escritório à instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Conforme o comunicado, o contrato firmado entre o banco e o escritório tinha valor estimado em R$ 130 milhões ao longo de três anos. Até o momento, a banca jurídica teria recebido pouco mais de R$ 80 milhões pelos serviços prestados. O escritório Barci de Moraes pertence à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Na mesma nota, o escritório informou que parte das atividades contratadas foi executada com o auxílio de outros escritórios de advocacia subcontratados para atender às demandas do Banco Master. O requerimento apresentado por Kim Kataguiri foi motivado pela divulgação de um vídeo produzido por Pedro Deyrot, também coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL). No conteúdo, Deyrot aborda a ligação de Ana Cláudia Consani de Moraes com a elaboração do Código de Ética do Banco Master. No documento encaminhado à comissão, Kataguiri argumenta que a convocação da advogada é necessária para esclarecer possíveis vínculos e responsabilidades. Em trecho do requerimento, o parlamentar afirma: “A oitiva da Sra. Ana Cláudia Consani de Moraes é peça fundamental para desvendar a ‘teia familiar’ que o Banco Master construiu ao redor de autoridades judiciárias. A transparência é o único remédio contra o uso de prestígio familiar para encobrir prejuízos causados a milhões de aposentados brasileiros”. Dias antes, o deputado também havia protocolado requerimento solicitando a convocação do próprio ministro Alexandre de Moraes para prestar esclarecimentos à CPMI.
Operação da PF prende cinco vereadores do PT acusados de receber dinheiro de facção criminosa para campanhas eleitorais
Uma operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (12) resultou na prisão de cinco vereadores do município de Morada Nova, no interior do Ceará. Três dos parlamentares detidos são filiados ao PT. A ação, batizada de “Operação Traditori”, investiga um esquema de financiamento ilegal de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, supostamente abastecido com recursos de uma facção criminosa. Entre os detidos está o presidente da Câmara Municipal de Morada Nova, Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT). Segundo informações apuradas junto à própria Câmara, também foram presos os vereadores Lucia Gleidevania Rabelo, conhecida como Gleide Rabelo (PT), Cláudio Roberto Chaves da Silva, o Cláudio Maroca (PT), José Regis Nascimento Rumão (PP) e José Gomes da Silva Júnior, chamado de Júnior do Dedé (PSB). Apesar de ter sido eleito vereador em 2024, Júnior do Dedé não estava exercendo o mandato no momento da operação. Desde setembro de 2025, ele ocupa o cargo de secretário de administração da Prefeitura de Morada Nova. Até o momento, as defesas dos parlamentares não foram localizadas para comentar o caso. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) também determinou medidas judiciais contra o ex-vereador José Weder, que já havia perdido o mandato por decisão da Justiça Eleitoral. Para ele foram autorizadas ações de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais cautelares, mas não houve ordem de prisão. A operação impactou diretamente o funcionamento da Câmara Municipal, composta por 15 vereadores. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Legislativo informou a suspensão das atividades nesta quinta-feira após o cumprimento de mandados de busca e apreensão no prédio da instituição. Segundo a vice-presidente da Câmara, vereadora Jane Martins, a sessão legislativa chegou a ser iniciada, porém foi encerrada pouco depois devido à ausência de quórum suficiente para dar continuidade aos trabalhos. Ela não comentou as prisões. A Prefeitura de Morada Nova declarou, em nota oficial, que não é alvo da investigação e que não possui ligação com os fatos investigados. No comunicado, a administração municipal afirmou: “A Prefeitura reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, confiando que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal”. Superintendente estadual também é investigado Outro nome citado nas investigações é Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, conhecido como “Marco da Ana” ou “Marco Bica”. Ele atua atualmente como superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), órgão ligado ao Governo do Estado do Ceará. Apesar de estar entre os investigados, ele não foi preso. Marco Antônio foi candidato à Prefeitura de Morada Nova pelo PT nas eleições de 2024, mas não conseguiu se eleger. Em sua trajetória política no município, também ocupou o cargo de vereador e presidiu a Câmara Municipal entre 2021 e 2022. Além disso, exerceu funções como procurador-geral do município, diretor do núcleo do Procon da Câmara e procurador-geral adjunto da União dos Vereadores do Ceará (UVC). Sua defesa também não foi localizada. Em nota, a Sohidra informou que acompanha o caso e que realiza uma avaliação interna sobre a situação. Segundo o órgão, “as informações estão sendo avaliadas e, assim que houver definição sobre as medidas cabíveis, elas serão comunicadas oficialmente”. Esquema de financiamento ilegal Conforme a Polícia Federal, a investigação aponta que campanhas eleitorais de 2024 teriam sido financiadas com recursos provenientes de uma facção criminosa. Em troca do apoio financeiro, os políticos investigados teriam oferecido benefícios políticos e institucionais aos integrantes da organização. No total, a Operação Traditori cumpriu 16 mandados de prisão preventiva — cinco deles contra vereadores — além de 30 mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais, empresas e também na sede da Câmara Municipal. As ordens judiciais foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza. As diligências ocorreram em diversos municípios do Ceará, incluindo Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, além da cidade de São Paulo (SP). Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento dos vereadores de suas funções públicas. Também foi autorizado o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos investigados. Segundo a Polícia Federal, a medida tem como finalidade interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e garantir a efetividade das ações penais. Investigação iniciou com denúncias locais A investigação teve início após o compartilhamento de informações pela Delegacia de Morada Nova e pelo Departamento de Polícia do Interior Sul. Os dados indicavam possível atuação de uma facção criminosa no processo eleitoral do município em 2024. De acordo com a Polícia Federal, o inquérito revelou a existência de um esquema estruturado de movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados no financiamento de campanhas eleitorais. O objetivo, segundo os investigadores, seria ampliar a influência do crime organizado dentro da esfera pública municipal. Os investigados podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e infrações eleitorais. A operação contou com a participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE), composta pela Polícia Federal, Polícia Civil do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará, Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará e Perícia Forense do Estado do Ceará.